A obra “A Casa dos Budas Ditosos” voltou aos holofotes ao ser citada em uma redação com nota 1000 no Enem. Ao longo do texto, o estudante baiano Lucas Rodrigues ressalta a relação entre a obra e a invisibilidade provocada pelo envelhecimento.
Leia um trecho da redação:
O livro “A casa dos budas ditosos”, escrito pelo baiano João Ubaldo Ribeiro, conta a história de CLB, uma idosa que, enfrentando estereótipos associados à velhice, mantém-se ativa e se recusa a encarar a senescência como fim. Para além da literatura, contudo, são outras as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira: cada vez mais há idosos doentes, invisibilizados e inativos. Nesse sentido, estabelece-se um cenário hostil, sustentado pelo Estado e pelas empresas, que prejudica a qualidade de vida e acelera a morte. À vista disso, tanto o descaso estatal quanto a má conduta do setor privado impulsionam esse problema.
Na obra lançada em 1999, João Ubaldo então promove a reflexão sobre a liberdade. Em tom de monólogo, o texto faz parte da coleção “Plenos Pecados“, na qual cada autor foi convidado a escrever sobre um dos sete pecados capitais. Ubaldo foi o responsável pela luxúria.
A Casa dos Budas Ditosos
O livro conta a história de uma baiana de 68 anos que tem uma filosofia de vida considerada incomum para a idade. Ao abrir suas memórias, a senhora então conta seus relatos mais íntimos, dividindo acontecimentos que podem chocar os mais moralistas.
João Ubaldo abre o livro dividindo que recebeu um pacote misterioso com diversas fitas gravadas por uma senhora. Nas fitas, ela confessa que nunca se privou de buscar o prazer. Assim, segundo o autor, ele apenas transcreveu os áudios, sem interferir na história.
A senhora, conhecida apenas como CLB, narra sua vida contando os mais diversos casos que teve. Ela divide os seus encontros sexuais nos mínimos detalhes, deixando claro que não tem nenhum pudor e que jamais deixou de se envolver com quem quer que fosse, sempre colocando o prazer em primeiro lugar.
A obra é explícita e voltada para o público adulto.
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A repercussão da obra

Adaptado para o teatro por Domingos Oliveira, o clássico da literatura erótica rodou o país por mais de vinte anos. Nos palcos, Fernanda Torres representa CBL, ditando o monólogo que lhe concedeu o Prêmio Shell (São Paulo) e o Prêmio Qualidade Brasil de melhor atriz.
Marco do teatro brasileiro, a peça segue os relatos apresentados no livro, contando apenas com Fernanda Torres que dá vida às passagens escritas por Ubaldo. Seguindo a mesma linha, o texto carrega no humor enquanto promove o questionamento sobre a liberdade feminina.
Imagem de capa: Amazon
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