Com quase 130 anos, a história do cinema nacional possui uma trajetória de muita importância, mas ainda enfrenta desafios para ser valorizado entre o público brasileiro.

Quando um filme brasileiro ganha destaque em premiações internacionais, como o Oscar, o público e a mídia voltam os olhos para a produção nacional. Um dos exemplos mais recentes disso é o longa Ainda Estou Aqui (2024), tendo mais de cinco milhões de espectadores. No entanto, essa atenção costuma ser passageira, e a valorização do cinema local volta a cair logo após o término da temporada de premiações.

Agora, o mesmo fenômeno acontece com Vitória, filme protagonizado por Fernanda Montenegro. O longa está levando muitas pessoas ao cinema e fazendo uma boa parte do público ficar esperançosa por um novo representante do país nas premiações mundiais para 2026.

vitoria fernanda montenegro
Imagem: Divulgação

Entretanto, todo esse sucesso ainda não está sendo o suficiente para outras obras nacionais terem o mesmo nível de reconhecimento por parte do público.

Por que os brasileiros não assistem filmes nacionais?

A falta de investimento na distribuição e na publicidade de filmes nacionais contribui para muitas produções passarem despercebidas. Enquanto isso, diversos blockbusters internacionais recebem grande destaque na mídia e nos cinemas, e as produções brasileiras frequentemente têm exibições limitadas.

Sendo assim, em dezembro de 2024, o governo federal retomou com a “Cota de Tela“, uma lei que torna obrigatória a exibição de filmes nacionais nas salas de cinemas. A medida tem como principal objetivo em tornar a competição mais justa em relação aos filmes estrangeiros e de incentivar a produção audiovisual.

Um exemplo é o filme Oeste Outra Vez, que estreou na última quinta-feira (27). Com Babu Santana e Ângelo Antônio no elenco, o longa já ganhou prêmios no Festival de Cinema de Gramado, levando nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante e de Melhor Fotografia.

Entretanto, apesar do reconhecimento do Festival, isso não foi o suficiente para o filme ganhar o interesse do público. A obra de Erico Rassi está sendo pouco divulgada e atualmente está em cartaz em somente 29 cinemas no país todo, sendo a maioria em salas de cinemas de rua.

Obviamente, existem outros fatores que desestimulam o acesso ao cinema entre os brasileiros, como o alto custo dos ingressos. Para muitos, o passeio ao cinema vai além do gasto com a entrada, mas também com o transporte e alimentação, e que somados, não coincidem com a realidade econômica de suas famílias.

Por outro lado, o avanço das plataformas de streaming como Netflix, Disney+ e Globoplay tem tornado o consumo mais acessível e com um leque maior de opções de filmes. Dessa forma, fazendo com que muitas pessoas não abram mão da comodidade de suas casas para irem ao cinema.

O que esperar do cinema nacional em 2025?

Segundo dados mais recentes da Ancine, o consumo da indústria cinematográfica nacional segue abaixo do esperado, indicando a necessidade de continuar fortalecendo estratégias para ampliar o alcance e a visibilidade de filmes no próprio país.

Por isso, confira abaixo alguns filmes nacionais em cartaz para você assistir:

  • Mário de Andrade, o Turista Aprendiz
  • Mundo Proibido
  • Estranhas Cotoveladas
  • A Batalha da Rua Maria Antônia cinema nacional

Durante a campanha de premiações, em entrevista a UOL Prime, a atriz Fernanda Torres compartilhou um ponto de vista que viralizou nas redes sociais a respeito da euforia dos brasileiros e suas expectativas quanto as indicações ao Oscar. Segundo ela:

“O Brasil tem pena do mundo não saber do que a gente sabe. Quando alguém fura a fronteira e leva algo que nos é pessoal para fora, é essa espécie de sentimento de ‘olha o que a gente tem de rico’! É um sentimento de orgulho nacional”.

A citação de Fernanda reflete uma contradição marcante: enquanto o Brasil se orgulha de sua riqueza cultural em níveis internacionais, os próprios brasileiros abandonam outras produções que não alcançam o mesmo nível de reconhecimento em premiações como o Oscar e o Globo de Ouro.

Portanto, as indicações de filmes brasileiros em premiações internacionais evidenciam a força do audiovisual do país e, ao mesmo tempo, expõe a falta de apoio e prestígio em território nacional. É fundamental que as esferas governamentais e o público tenham um olhar mais atento para garantir que essa potência não perca força e seja apreciada no próprio país, sem precisar que o filme atravesse fronteiras para ser valorizado.