Produções disponíveis nos principais streamings apostam em desaparecimentos, crimes íntimos e narrativas guiadas pelo ponto de vista dos personagens, assim como em “All Her Fault”
O sucesso de “All Her Fault” reforça um movimento claro dentro das séries de suspense contemporâneas. A narrativa deixa de priorizar reviravoltas espetaculares e passa a investir em conflitos íntimos, culpa compartilhada e versões incompletas da verdade. O crime, nesses casos, funciona como gatilho. A tensão real surge da forma como os personagens reagem, escondem informações e reinterpretam os próprios atos.
O público é convidado a desconfiar de todos, inclusive dos protagonistas. Esse recurso aproxima o espectador do ponto de vista emocional das histórias, criando identificação e desconforto. Outro ponto comum está no espaço doméstico. Casas, escolas, bairros e pequenas comunidades surgem como cenários centrais. O que aparenta segurança passa a ser questionado.
Além disso, essas séries utilizam estruturas narrativas fragmentadas. Saltos temporais, múltiplos pontos de vista e memórias contraditórias aparecem com frequência nas prévias. O objetivo é indicar que a verdade será construída aos poucos. Em “All Her Fault“, esse recurso sustenta a narrativa.

Em produções semelhantes, o trailer já antecipa esse caminho ao apresentar cenas fora de ordem e conflitos sem contexto imediato. O interesse do público por esse tipo de suspense aponta para uma mudança no consumo de séries. Há uma busca por histórias que dialoguem com dilemas reais, como responsabilidade parental, julgamento social e falhas morais.
As produções selecionadas a seguir compartilham essa lógica. Veja abaixo 8 indicações para quem gostou de “All Her Fault“:
Safe (Netflix)

Safe é uma série britânica da Netflix que acompanha a rotina de um cirurgião pediátrico que vive em um condomínio fechado. A aparente tranquilidade do local começa a ruir quando um evento inesperado afeta diretamente sua família. A partir disso, a narrativa passa a explorar segredos escondidos entre vizinhos, relações mal resolvidas e informações omitidas. Ao longo dos episódios, a série constrói o suspense a partir do cotidiano, usando espaços domésticos e laços pessoais como motores da tensão.
Além disso, Safe estrutura sua história com revelações graduais. Cada episódio amplia o ponto de vista sobre os personagens, sem oferecer respostas imediatas. O roteiro trabalha com versões contraditórias dos fatos, o que mantém o espectador em constante desconfiança. A montagem reforça esse efeito ao alternar momentos de investigação com conflitos emocionais, criando um ritmo que sustenta o mistério sem recorrer a excessos visuais.
Por esse motivo, Safe se conecta diretamente com quem gostou de “All Her Fault“. Ambas as séries colocam pais no centro da narrativa e discutem responsabilidade, culpa e julgamento social. O suspense nasce menos do crime em si e mais das consequências emocionais que ele provoca. Assim como em “All Her Fault“, a série sugere que a ameaça pode estar próxima, escondida em relações aparentemente estáveis.
Objetos Cortantes (HBO Max)

“Objetos Cortantes” é uma minissérie da HBO Max baseada no livro de Gillian Flynn. A trama acompanha uma jornalista que retorna à sua cidade natal para cobrir o assassinato de duas adolescentes. No entanto, o trabalho profissional rapidamente se mistura a conflitos pessoais. Aos poucos, o passado da protagonista ressurge, revelando traumas familiares e relações marcadas por silêncio e controle. A narrativa constrói o suspense a partir do ambiente e das memórias, mais do que da investigação policial em si.
Além disso, a série aposta em uma progressão lenta e fragmentada. As informações surgem de forma indireta, por meio de diálogos contidos e imagens simbólicas. Com isso, “Objetos Cortantes” cria uma atmosfera constante de desconforto. O foco recai sobre o impacto psicológico dos acontecimentos, enquanto a violência permanece sugerida, não explícita. Dessa forma, o espectador é levado a montar o quebra-cabeça emocional junto com a protagonista.
Por esse motivo, “Objetos Cortantes” pode ser indicada para quem gostou de “All Her Fault“. Ambas exploram maternidade, culpa e segredos dentro de comunidades pequenas. O suspense nasce das relações íntimas e da desconfiança entre pessoas próximas. Assim como em “All Her Fault“, a série mostra que o conflito central não está apenas no crime, mas nas camadas emocionais que ele expõe.
The Undoing (HBO Max)

“The Undoing” é uma minissérie da HBO Max que acompanha a rotina de uma terapeuta bem-sucedida em Nova York, cuja vida pessoal começa a ruir após um crime que abala seu círculo social. A narrativa parte de um cotidiano aparentemente estável, mas, pouco a pouco, introduz dúvidas sobre as pessoas ao redor da protagonista. Dessa forma, a série constrói o suspense a partir da quebra de confiança e da exposição de segredos íntimos.
Ao longo dos episódios, a trama avança por meio de revelações graduais. As relações familiares ganham peso narrativo, assim como o impacto público de um caso criminal. Além disso, “The Undoing” explora o contraste entre imagem social e realidade privada. O suspense não depende apenas da investigação, mas da tensão psicológica que se instala à medida que versões dos fatos entram em conflito.
Por isso, “The Undoing” é uma indicação natural para quem gostou de “All Her Fault“. Ambas as séries analisam culpa, maternidade e responsabilidade dentro de contextos privilegiados. O mistério surge da convivência cotidiana e da suspeita entre pessoas próximas. Assim, o interesse do público se mantém menos pela resolução imediata e mais pelas consequências emocionais que o crime provoca.
The Sinner (Netflix)

“The Sinner“, série antológica da Netflix, parte de crimes aparentemente “simples” para investigar motivações profundas e pouco evidentes. Em vez de focar no “quem cometeu”, a narrativa concentra-se no “por quê”. Cada temporada acompanha um caso diferente, conduzido por um investigador que atua como mediador entre o crime e os traumas ocultos dos envolvidos. Assim, a série constrói o suspense de forma psicológica, com ritmo contido e atenção aos detalhes emocionais.
Ao longo dos episódios, “The Sinner” revela camadas de culpa, memória e comportamento humano. A história avança por meio de conversas, lembranças fragmentadas e relações mal resolvidas. Além disso, o roteiro evita respostas imediatas e aposta em revelações graduais. Como resultado, o mistério se sustenta mais pela tensão interna dos personagens do que por reviravoltas constantes.
Por isso, “The Sinner” é uma indicação natural para quem gostou de “All Her Fault“. Ambas as séries exploram crimes ligados ao cotidiano e às relações pessoais. Em comum, apresentam personagens comuns colocados sob pressão extrema. Além disso, as duas produções tratam a culpa como eixo narrativo, transformando o suspense em um estudo sobre escolhas, consequências e fragilidade emocional.
The Killing (Disney+)

“The Killing“, disponível no Disney+, é uma série policial que constrói seu suspense a partir de um único crime investigado ao longo das duas primeiras temporadas. Focando em outros casos na terceira em quarta temporada. A trama acompanha dois detetives responsáveis por um caso de homicídio que afeta não apenas a polícia, mas também a família da vítima e a estrutura política da cidade. Desde o início, a narrativa adota um ritmo contido e observa, com atenção, as consequências emocionais do crime.
Ao longo dos episódios, “The Killing” amplia o foco da investigação. Além da busca por respostas, a série examina o impacto do luto, da desconfiança e das decisões mal calculadas. Assim, o mistério avança de forma gradual, com informações reveladas aos poucos. A tensão nasce menos da ação e mais do silêncio, dos diálogos curtos e das relações que se desgastam com o tempo.
Por esse motivo, “The Killing” se conecta diretamente a “All Her Fault“. Ambas as séries exploram crimes que se infiltram na vida cotidiana e expõem fragilidades familiares e sociais. Além disso, as duas produções apostam em uma abordagem psicológica do suspense. O interesse está nas consequências e não apenas na resolução do caso. Como resultado, o espectador acompanha não só a investigação, mas também o efeito prolongado da violência sobre todos os envolvidos.
Duas Covas (Netflix)

A série “Duas Covas”, disponível na Netflix, constrói sua narrativa a partir de um crime que conecta passado e presente. A trama acompanha personagens marcados por segredos antigos, enquanto a investigação avança de forma gradual. Desde os primeiros episódios, a série estabelece um clima de tensão contínua, no qual cada revelação altera a percepção do que parecia resolvido. O foco não está apenas no mistério central, mas nas consequências emocionais e sociais geradas por decisões tomadas anos antes.
Além disso, “Duas Covas” investe em uma estrutura narrativa que privilegia o suspense psicológico. A história se desenvolve por meio de diálogos contidos, silêncios estratégicos e conflitos internos. Assim como em “All Her Fault“, o enredo explora a culpa, a responsabilidade e o impacto das relações familiares. O suspense nasce menos da ação e mais da incerteza sobre intenções e verdades ocultas.
Por esse motivo, “Duas Covas” pode ser indicada para quem gostou de “All Her Fault“. Ambas as séries apostam em narrativas realistas, centradas em personagens comuns envolvidos em situações extremas. Ao mesmo tempo, evitam soluções rápidas e conduzem o espectador por um caminho de dúvidas progressivas. Dessa forma, a experiência se baseia na construção lenta da tensão e na revelação gradual das camadas do drama.
“Candy: Uma História de Paixão e Crime” ou “Amor e Morte” (Disney+/HBO Max)

As séries “Candy: Uma História de Paixão e Crime” (Disney+) e “Amor e Morte” (HBO Max) partem do mesmo caso real ocorrido nos Estados Unidos e analisam como uma rotina aparentemente comum pode esconder tensões profundas. Ambas acompanham Candy Montgomery, uma mulher inserida em uma comunidade conservadora, cuja vida passa a ser observada a partir de um crime que rompe a normalidade. Desde o início, as produções constroem um clima de inquietação ao contrastar cotidiano doméstico, fé e relações sociais com acontecimentos extremos.
Ao longo dos episódios, as duas séries priorizam o suspense psicológico. A narrativa avança com foco em comportamento, escolhas individuais e percepção pública. Em vez de apostar em reviravoltas constantes, o roteiro trabalha a progressão do conflito por meio de detalhes, diálogos e mudanças sutis de postura. Assim, o interesse se mantém na compreensão do contexto e das motivações, mais do que na violência em si. O crime funciona como ponto de partida para discutir repressão emocional, julgamento social e expectativas impostas às mulheres.
Por esse motivo, “Candy” e “Amor e Morte” podem ser indicadas para quem gostou de “All Her Fault“. Assim como a série, ambas exploram o impacto de um evento traumático sobre pessoas comuns e comunidades fechadas. Além disso, investem em tensão gradual, ambiguidade moral e análise de relações familiares. Dessa forma, oferecem uma experiência semelhante, centrada mais na inquietação psicológica e nas consequências do que no choque imediato.
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Os Enviados (Netflix)

“Os Enviados” é uma série de suspense e mistério que acompanha dois representantes do Vaticano enviados a uma pequena cidade para investigar o desaparecimento de um sacerdote. Desde o início, a narrativa estabelece um ambiente de desconfiança e silêncio coletivo. Pouco a pouco, a investigação revela conflitos locais, interesses ocultos e versões contraditórias dos fatos. Assim, a série constrói sua tensão a partir do que não é dito, usando a fé, a autoridade e o medo como elementos centrais do enredo.
Ao longo dos episódios, a história avança de forma gradual. A série evita explicações imediatas e prioriza o acúmulo de pistas. Além disso, os protagonistas enfrentam dilemas éticos e pessoais enquanto lidam com uma comunidade fechada e resistente. Como resultado, o suspense se sustenta mais na atmosfera e nas relações humanas do que em ações espetaculares. O foco permanece nas consequências emocionais e morais da investigação.
Por isso, “Os Enviados” pode ser indicada para quem gostou de “All Her Fault“. Ambas apostam em mistérios que se desenvolvem a partir de segredos, culpa e estruturas de poder. Além disso, as duas séries exploram a tensão psicológica gerada pela ausência de respostas claras. Dessa forma, o interesse do público se mantém pela observação dos personagens e pela progressão cuidadosa do conflito central.
Imagem de capa: Reprodução/IMDB
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