Antes de chegar à TV, a história de culpa materna e desaparecimento infantil nasceu nas páginas do romance de Andrea Mara

Nova minissérie “All Her Fault”, original da Peacock e disponível no catálogo do Prime Video Brasil, chegou conquistando a atenção de todo mundo. Além de fazer sucesso com o público geral, a obra vem ganhando destaque nas maiores premiações da indústria.

Ainda mais, a minissérie conta com o protagonismo de Sarah Snook, vencedora do Emmy Awards de 2024 e Tony Awards de 2025 por trabalhos prévios. Na temporada de 2026, os resultados têm sido semelhantes, e a atriz australiana tem conquistado indicações e prêmios importantes, como o Critics Choice Award por Melhor Atriz de Drama em Minissérie.

Em resumo, a trama segue a protagonista Marissa Irvine (Snook), que vai buscar seu filho Milo em uma tarde de brincadeiras combinada entre os pais. No entanto, ao chegar ao endereço marcado, uma senhora a recebe na porta e diz nunca ter ouvido falar da criança. A partir daí, os oito episódios guiam o telespectador pelo maior pesadelo de uma mãe, e a audiência embarca na busca pelo filho desaparecido.

Uma curiosidade interessante sobre a minissérie, que as discussões gerais nem sempre abordam, é o fato de a obra se basear em um romance homônimo. Ainda mais, o livro teve sua primeira edição publicada em 2021 e continua inédito no Brasil.

Sobre o livro que serve de inspiração

Assim, o livro da irlandesa Andrea Mara reconta uma experiência pessoal da autora. Mas, diferente da situação que Marissa vive, o pânico de Mara durou apenas alguns segundos, até descobrir que estava com o endereço antigo. 

Tal como a minissérie, o livro explora temas que acompanham a maternidade, como a culpa e o papel da mulher na estrutura patriarcal. Com o subúrbio de Dublin como cenário, o romance explora até onde as pessoas estão dispostas a ir para sustentar suas mentiras.

Sarah Snook venceu o Critics Choice Awards 2026
Sarah Snook em “All Her Fault” | Crédito: Reprodução/IMDB

À medida que a notícia do desaparecimento se espalha, as mulheres que estiveram mais próximas de Milo e de sua família se tornam as principais suspeitas, apesar de uma ganhar mais destaque. O título da obra brinca justamente com essa dualidade, já que apenas uma delas raptou a criança, mas todas podem ser culpadas.

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Apesar da sensação de realismo, a história não se baseia em um caso real específico. O breve episódio que a autora vivenciou serviu de inspiração para reflexões intensas, mas necessárias. Em um ensaio de 2021 no The Irish Independent, Mara compartilhou que começou a refletir sobre o quanto os pais confiam em outras pessoas quando dividem a responsabilidade de seus filhos.

Levando em consideração o contexto em que o romance se insere, em que o adulto moderno deve equilibrar a vida pessoal e profissional, a autora questiona a sensação de segurança. De maneira ainda mais precisa, Mara comenta sobre o papel da mulher na sociedade moderna, e como o patriarcado permeia todas as interações e batalhas.

Imagem de capa: Montagem por Eduarda Goulart/Reprodução