Indicada ao Oscar 2026 por sua atuação em A Hora do Mal, Amy Madigan retorna à premiação quatro décadas após sua primeira indicação e ganha novo destaque em Hollywood

A corrida pelo Oscar 2026 reúne nomes consagrados e novas estrelas do cinema. Entre eles está uma veterana que voltou ao centro das atenções da indústria. A atriz americana Amy Madigan, de 75 anos, conquistou uma nova indicação ao prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante.

O reconhecimento veio por sua atuação no filme de terror e mistério “A Hora do Mal“, dirigido por Zach Cregger (“Resident Evil”). No longa, Madigan interpreta Gladys, uma personagem excêntrica e ameaçadora que se tornou um dos grandes destaques do filme.

A indicação marca um feito raro em Hollywood. O intervalo entre suas duas indicações ao Oscar chega a 40 anos, um dos maiores registrados para uma atriz na história da premiação. Ao mesmo tempo, a conquista reforça a relevância de uma carreira que atravessa cinema, televisão e teatro.

Amy Madigan em A Hora do Mal
Amy Madigan vem ganhando destaque pela sua atuação em “A Hora do Mal” | Crédito: Reprodução/IMDB

De Chicago a Hollywood

Amy Madigan nasceu em 11 de setembro de 1950, na cidade de Chicago, nos Estados Unidos. Filha de uma atriz amadora e de um jornalista político, ela cresceu em um ambiente culturalmente ativo. Ainda jovem, começou a demonstrar interesse por música e teatro. Durante a adolescência, participou de peças escolares. Mais tarde, cursou Filosofia na Universidade Marquette, formando-se em 1972. Após a graduação, mudou-se para Los Angeles em busca de oportunidades no meio artístico.

Antes de se firmar como atriz, Madigan teve uma carreira musical. Ela cantou em bandas de rock e se apresentou como pianista em bares e casas de espetáculo. No entanto, decidiu migrar para a atuação e aprofundar sua formação dramática. Para isso, estudou no prestigiado Lee Strasberg Theatre and Film Institute, escola conhecida por formar diversos nomes importantes do cinema. Essa base ajudou a moldar a intensidade interpretativa que marcaria sua trajetória.

Campo dos Sonhos
Amy Madigan em “Campo dos Sonhos” | Crédito: Reprodução/IMDB

Primeiros sucessos no cinema e no teatro

A estreia de Madigan no cinema ocorreu em 1982, no drama “Love Child“. A atuação chamou atenção da crítica e rendeu sua primeira indicação ao Golden Globe Awards. Nos anos seguintes, a atriz consolidou seu espaço em Hollywood. Em 1985, recebeu sua primeira indicação ao Oscar por sua atuação em “Duas Vezes na Vida“, no qual interpretou uma mulher enfrentando um casamento difícil.

Durante a década de 1980, participou de diversos projetos relevantes. Entre eles estão “Ruas de Fogo“, “A Baía do Ódio” e o clássico “Campos dos Sonhos“, estrelado por Kevin Costner (“Yellowstone”). Outro papel popular veio na comédia “Quem Vê Cara Não Vê Coração“, dirigida por John Hughes (“Gatinhas e Gatões”). No filme, ela contracenou com John Candy (1950-1994).

Além do cinema, Madigan construiu uma carreira sólida no teatro. Em 1987, foi indicada ao Drama Desk Award por sua atuação na peça “The Lucky Spot“. Anos depois, participou da produção da Broadway de “A Streetcar Named Desire“. Essa diversidade de trabalhos ajudou a consolidar sua reputação como uma atriz versátil.

"Quem vê cara não vê Coração"
Madigan em “Quem vê cara não vê Coração” | Crédito: Reprodução/IMDB

Reconhecimento na televisão

A televisão também desempenhou papel importante em sua carreira. Em 1989, Madigan interpretou a advogada Sarah Weddington no telefilme “Roe vs. Wade“. A atuação lhe rendeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante em minissérie ou telefilme, além de uma indicação ao Primetime Emmy Awards.

Ao longo dos anos, a atriz participou de diversas produções televisivas. Entre elas estão as séries “Carnivale“, da HBO, “Grey’s Anatomy” e “Fringe“. Esses trabalhos ampliaram seu público e mantiveram sua presença constante na indústria do entretenimento.

O retorno aos holofotes com “A Hora do Mal”

Nas últimas décadas, Madigan continuou atuando em projetos variados. No entanto, foi com o filme “A Hora do Mal” que a atriz voltou a ganhar grande destaque. O longa apresenta uma trama de suspense ambientada em uma pequena cidade da Pensilvânia. Na história, 17 crianças desaparecem misteriosamente durante a noite, deixando a comunidade em choque.

Enquanto os moradores buscam respostas, a personagem Gladys surge como uma figura enigmática. Ela afirma ser tia de um dos meninos da cidade, mas esconde intenções sombrias. A atuação de Madigan foi amplamente elogiada pela crítica. No papel, a atriz alterna momentos de estranheza quase cômica com explosões de ameaça e tensão.

Essa performance rendeu diversos prêmios, incluindo o Critics Choice Award de Melhor Atriz Coadjuvante. Além disso, a interpretação garantiu indicações importantes, como o Globo de Ouro e agora o Oscar.

Tia Gladys em "A Hora do Mal"
Tia Gladys em “A Hora do Mal” | Crédito: Warner Bros. Pictures/Divulgação

Uma carreira que atravessa gerações

Fora das telas, Amy Madigan mantém uma parceria artística e pessoal com o ator Ed Harris, com quem é casada desde 1983. O casal já colaborou em diferentes projetos ao longo das décadas. Mesmo após mais de 40 anos de carreira, a atriz continua ativa e aberta a novos desafios. Em entrevistas recentes, ela afirmou que oportunidades para atrizes mais velhas ainda são limitadas em Hollywood.

Ainda assim, sua indicação ao Oscar 2026 mostra que talento e experiência continuam sendo reconhecidos. Do teatro de Chicago aos grandes palcos do cinema internacional, Amy Madigan construiu uma trajetória marcada pela persistência. Agora, quatro décadas depois de sua primeira indicação, ela volta à maior premiação do cinema com um papel que confirma sua força como intérprete.

Imagem de capa: Kevin Winter/Getty Images