Em junho, a Editora Boitempo lançará a autobiografia de Andrée Blouin. Intitulada “Meu país África: autobiografia da Pasionaria Negra”, a obra narra a trajetória de Blouin, passando pelos abusos que sofreu na infância, em um orfanato colonial, até à posição de conselheira de Patrice Lumumba, ex-primeiro-ministro da República Democrática do Congo.
Com um papel central na história da política mundial, Blouin foi uma grande ativista e movimentadora política, porém, sua história se perdeu no tempo e muitos desconhecem seus feitos. A obra vem para relembrar a jornada da revolucionária que lutou pelos seus até o fim.
A trajetória de Andrée Blouin
Grande ativista da independência de Guiné, Andrée Blouin nasceu na África Equatorial Francesa e teve uma infância marcada pela dor. Filha de uma mulher negra, africana, e de um homem branco, francês, era considerada mestiça e foi retirada da mãe. Na época, crianças mestiças eram um problema social, já que não podiam ser vistas como parte da sociedade europeia e tampouco deveriam ser integradas às comunidades africanas. Assim, Blouin cresceu separada da mãe em um rígido orfanato católico.
Ainda jovem, aos 14 anos, ela conseguiu fugir e construir uma vida comum. No entanto, ela se tornou ativista após perder o filho para malária em um sistema colonial que restringia o acesso de africanos a tratamentos adequados. Desse momento em diante, Blouin passou a ser uma importante militante, tendo envolvimento direto na luta pela independência em diferentes partes do continente.
Apesar de ter lutado ao lado do ex-presidente da Guiné, Ahmed Sékou Touré, foi no Congo que sua ação ganhou fama. Ali, ao lado de Patrice Lumumba, a ativista ocupou o cargo de chefe de protocolo, sendo conselheira política, estrategista e articuladora. Blouin conquistou seu lugar como parte do núcleo de decisões, interferindo de forma direta no rumo do país.
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Vivendo em uma época em que mulheres eram excluídas da política, ela foi uma forte atuante da causa feminina, promovendo alfabetização, conscientização política e participação ativa nos movimentos de independência. Após o assassinato de Lumumba, ela enfrentou grande perseguição e precisou buscar o exílio, mas nunca deixou de lutar.
Imagem de capa: Reprodução
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