Relatos de gritos, visões e mistérios transformaram a Casa de Dona Yayá em uma das principais lendas urbanas da cidade
Um casarão no antigo bairro do Bixiga, em São Paulo, guarda uma história que mistura isolamento, morte e relatos considerados sobrenaturais. A chamada Casa de Dona Yayá ficou conhecida não apenas pela trajetória da moradora, mas também pelos boatos que surgiram após décadas de reclusão dentro do imóvel.
Ao longo do tempo, moradores da região passaram a associar a história da moradora a fenômenos que dizem ter presenciado. Gritos durante a noite, sombras nas janelas e histórias sobre uma presença no interior da casa ajudaram a transformar o local em uma das lendas urbanas mais citadas da capital paulista.
Quem foi Dona Yayá e por que ela viveu isolada
Sebastiana de Melo Freire, conhecida como Dona Yayá, nasceu em 21 de janeiro de 1887, em Mogi das Cruzes. Ela era filha de uma família rica e herdou bens, propriedades e imóveis ainda jovem. A morte dos pais e, anos depois, do irmão, fez com que ela ficasse sozinha e passasse a viver sob a responsabilidade de tutores.

Em 1919, aos 32 anos, ela apresentou sinais considerados graves de desequilíbrio emocional. Laudos médicos da época levaram à sua internação em uma instituição psiquiátrica. No ano seguinte, a Justiça determinou sua interdição. A decisão impediu que ela administrasse sua própria vida e também seus bens.
Pouco tempo depois, médicos recomendaram que o tratamento fosse feito dentro de casa. Foi então que ela se mudou para um imóvel na rua Major Diogo, no bairro do Bixiga. A casa, construída no final do século 19, ficava em uma área que ainda tinha características de chácara e era mais afastada do centro.
A partir desse momento, Dona Yayá passou a viver praticamente isolada. Ela permaneceu dentro da casa por cerca de 40 anos. O imóvel foi adaptado para impedir que ela abrisse janelas ou portas sem ajuda. Além disso, funcionários e cuidadoras controlavam sua rotina diária.
Os relatos que transformaram a casa em uma lenda sobrenatural
O longo período de isolamento fez com que moradores da região passassem a ver a casa como um lugar estranho. Segundo relatos antigos, vizinhos diziam ouvir gritos durante a madrugada. Algumas pessoas também afirmavam ver uma mulher observando a rua pelas janelas.

Essas histórias cresceram com o passar do tempo. A figura de Dona Yayá passou a ser retratada de formas diferentes. Em algumas versões, ela seria uma mulher injustiçada e mantida presa dentro de casa. Em outras, surgia como uma personagem envolvida em acontecimentos misteriosos.
O fato de ela viver sozinha, sem filhos e praticamente sem contato com o mundo exterior, ajudou a aumentar as especulações. Depois da morte, em 1961, os boatos ficaram ainda mais fortes. Pessoas que passavam em frente ao imóvel afirmavam sentir medo ou desconforto ao olhar para a casa.
Com o tempo, a residência passou a ser citada em roteiros sobre lugares considerados assombrados em São Paulo. A história também começou a circular em programas de televisão, reportagens e páginas dedicadas a lendas urbanas.
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A casa após a morte da moradora
Depois da morte de Dona Yayá, o imóvel ficou fechado por vários anos. Como ela não deixou herdeiros, a casa passou para a Universidade de São Paulo. Anos depois, a instituição iniciou um processo de restauração para preservar a história do imóvel e a memória da moradora.
Atualmente, a casa funciona como espaço cultural. Ainda assim, o isolamento de Dona Yayá continua sendo o principal elemento associado ao local. Por isso, muitos visitantes procuram o imóvel por causa das histórias consideradas sobrenaturais.
Ao mesmo tempo, a trajetória da moradora ainda levanta dúvidas. Algumas versões afirmam que ela era uma mulher incompreendida pela sociedade da época. Já outras afirmam que médicos decidiram pelo isolamento como parte de um tratamento comum no início do século 20. Dessa forma, a história combina fatos documentados com relatos que ajudaram a transformar o casarão em um dos locais mais misteriosos de São Paulo.
Imagem de capa: AnaSieds/Wikimedia Commons
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