Astrid Roemer (1947-2026) foi uma das vozes mais importantes da literatura do suriname e também holandesa. Em suas obras, ela sempre relacionou diferentes vozes e períodos de tempo para discutir sobre a identidade pós-colonial, raça, gênero e a complexa história de seu país de origem, o Suriname. Sua morte em 9 de janeiro de 2026, aos 78 anos, encerrou uma carreira marcada por grandes desafios e, ao mesmo tempo, grande reconhecimento internacional.
Astrid Roemer nasceu em Paramaribo, capital do Suriname (então Guiana Holandesa), em 1947. Aos 19 anos, emigrou para a Holanda, pouco após o Suriname se tornar independente. A escritora sempre se identificou como uma escritora cosmopolita. Poeta e romancista, Astrid sempre explorou temas como raça, gênero, família e identidade.
Primeiras obras e “Sobre a Loucura de uma Mulher”
Em 1970, sob o pseudônimo Zamani, publicou sua primeira coleção de poesias, “Sasa: mijn actuele zijn”. Já em 1974, lançou seu primeiro livro, “Neem mij terug Suriname” (“Leva-me de volta, Suriname”), que abordava a experiência da migração e do desenraizamento.
No entanto, sua obra mais conhecida é “Sobre a Loucura de uma Mulher” (1982). A obra é um clássico da literatura queer e narra a história de Noenka, uma mulher negra em busca de autonomia. Após o sucesso do livro, veio a famosa Trilogia do Suriname. A série composta por “Gewaagd leven” (1996), “Lijken op liefde” (1997) e “Was getekend” (1998) examina a história moderna do Suriname Após um período de afastamento da vida pública entre 2000 e 2010, no qual viajou pelo mundo ela retornou ao Suriname.

Astrid Roemer foi agraciada com duas das mais prestigiosas premiações da literatura holandesa. O prêmio P.C. Hooft, em 2016, e o Prijs der Nederlandse Letteren, em 2021, ambos pelo conjunto de sua obra. A autora tornou-se conhecida pelo público brasileiro recentemente quando a editora Companhia das Letras publicou suas obras no Brasil. Em 2025, Astrid Roemer esteve na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde fez parte da mesa “Pertencer, Transformar”.
Infelizmente, essa foi a primeira e última vez da autora do Brasil, onde cada vez ganhava mais visibilidade. Astrid Roemer faleceu em janeiro de 2026, aos 78 anos, poucos meses após a Flip. Sua partida foi imensamente sentida em seu país natal, o que mostra que Astrid atingiu seu objetivo ao deixar um legado importante para a história do Suriname.
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O legado para a cultura do Suriname
A contribuição de Astrid Roemer para a literatura de seu país natal foi muito importante, uma vez que abriu portas para todas as manifestações culturais do Suriname. Assim como no Brasil, quando valorizamos um artista que expõe nossa história e cultura para o mundo, é admirável a forma como a autora leva a conhecer a história do Suriname, um país que guarda riquezas e segredos fascinantes.
Transformar a própria história em uma manifestação literária de resistência confere ainda mais valor à sua obra literária. A descrição da realidade pós-colonial do Suriname, assim como a experiência de emigrar para a Holanda também é a realidade de vários cidadãos que deixam sua terra natal.
Além disso, assim como o Suriname, vários países lutam por sua identidade e representação. Talvez por isso, os leitores brasileiros tenham se identificado com ela. Que o legado de Astrid Roemer seja sempre lembrado, não apenas em seu país, mas em todos os outros, onde leitores se identifiquem com suas obras.
Imagem de capa: Reprodução | Times
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