Em “A Casa da Ópera de Manoel Luiz”, o ex-roteirista-chefe da TV Globo recria com humor e ironia o Rio de Janeiro colonial

Novo livro de Celso Tádhei, “A Casa da Ópera de Manoel Luiz” (Mondru), mescla ficção, história e reflexão artística. Finalista do Prêmio Jabuti 2025 na categoria Romance de Entretenimento, o livro resgata a memória do segundo teatro em atividade no Brasil. Assim, a obra contextualiza sua fundação no Rio de Janeiro no século XVIII, e o processo de seu idealizador, o português Manoel Luiz Ferreira.

Com uma narrativa ágil e repleta de humor, o escritor carioca recria um período pouco explorado da cultura brasileira. Dessa forma, o romance comenta sobre dilemas artísticos que permanecem atuais. Celso trabalhou por 23 anos na Rede Globo, onde foi roteirista-chefe de programas como “Zorra” e “Isso é Muito a Minha Vida”, com Paulo Vieira.

Sua experiência com a comédia e a dramaturgia transparece no ritmo do romance. Por isso, o livro se estrutura em capítulos curtos e digressivos, que misturam pesquisa histórica, ironia e um olhar afetuoso sobre os personagens.

Mais sobre o livro

A obra se constrói a partir de uma premissa metalinguística: o próprio autor, assombrado pelo fantasma de Manoel Luiz, narra as peripécias do empresário e de sua trupe. Assim, o livro acompanha esse grupo, composto em grande parte por artistas negros e mestiços, em meio ao regime do poder colonial.

Ainda mais, o livro conta com cenas de bastidores, improvisos cômicos, intrigas palacianas e a relação com figuras como o Vice-Rei Lavradio e a cantora Lapinha. Além de todas essas ferramentas, o romance aborda temas como a arte como resistência, o nascimento de uma cultura brasileira mestiça e o eterno dilema entre criação artística e sobrevivência financeira. 

“A arte como espaço onde a vida se expande para além do que é imposto, revelando ao criador e a quem assiste a dignidade de sua própria expressão”, define o autor.

Além de entreter, a obra cumpre um papel de resgate histórico, a partir do retrato de personagens como Lapinha, o ator João dos Reis e o compositor Padre José Maurício. Nesse sentido, o livro relembra que a cena artística colonial era vibrante e plural, ainda que muitas vezes apagada pelos registros oficiais.

Sobre o autor

Celso Taddei é roteirista, escritor e professor, com formação em Artes Cênicas pela UNIRIO. Trabalhou por 23 anos na Rede Globo, onde foi roteirista-chefe de programas como “Zorra” (indicado ao Emmy Internacional). Além disso, escreveu clássicos como “Sítio do Pica-Pau Amarelo” e “Chico Anysio – Cartão de Visitas“.

É autor de peças teatrais como “O Alienista” (Prêmio Cenym de Melhor Texto Adaptado) e “O Baterista”. E também, tem autoria de filmes como “Os Caras de Pau e o Misterioso Roubo do Anel”. Um dos fundadores da Escola de Roteiro Levante 42, ministra oficinas de escrita criativa e dramaturgia. “A Casa da Ópera de Manoel Luiz” é seu primeiro romance, finalista do Prêmio Jabuti 2025.

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Imagem de capa: Montagem por Eduarda Goulart/Divulgação