Nascida em 21 de abril de 1816, em Thornton, West Yorkshire, filha de Patrick Brontë e Maria Branwell Brontë, Charlotte Brontë foi membro de uma das famílias mais famosas da literatura mundial. Seu pai era um pastor anglicano e sua mãe morreu quando ela ainda era pequena.

Além de Charlotte, o casal teve mais cinco filhos: Maria, Elizabeth, Emily Brontë, Anne Brontë e Branwell. No entanto, as duas irmãs mais velhas, Maria e Elizabeth, faleceram cedo, logo após passarem um tempo em um internato rígido, inspirando o ambiente de “Jane Eyre”. Assim, Charlotte cresceu cercada por grandes perdas. Apesar da dor, a família também podia contar com uma imaginação fértil, além do estímulo à leitura e escrita. Ainda pequenos, os irmãos Brontë criavam mundos imaginários, escrevendo histórias que iam muito além do esperado pela idade.

Charlotte trabalhou como professora e governanta, morando por um tempo em Bruxelas, onde estudou e deu aulas. Foi nesse período em que ela se apaixonou por Constantin Héger. O amor não correspondido fez parte de suas narrativas.

Jane Eyre e outras obras

Capa do livro "Jane Eyre"
Crédito: Reprodução/Amazon

O livro de maior sucesso da autora, “Jane Eyre, foi publicado em 1847 sob o pseudônimo Currer Bell. Na época, as autoras mulheres precisavam lidar com o preconceito. No entanto, uma personagem feminina forte, independente e moralmente complexa ganhou destaque.  A busca de autonomia emocional e financeira em uma sociedade que limita as mulheres era parte de uma narrativa que mistura romance e crítica social. A obra é considerada parcialmente biográfica, já que Brontë atuou como governanta e estudou em instituições severas.

Além de “Jane Eyre“, Charlotte escreveu também “Shirley“, sobre conflitos industriais e questões sociais, e “Villette“, um romance introspectivo repleto de desejo, solidão e conflitos internos.  No entanto, a primeira obra da autora foi “The Professor”.

O livro conta a história de um jovem inglês que recusa ajuda externa, buscando subir na vida por si próprio. Ele então ignora os desejos dos tios de que se torne clérigo e foge para Bruxelas, onde encontra não somente o amor, mas também o prazer em viver. A publicação se deu apenas após a morte de Charlotte.

A família Brontë

Os irmãos foram criados pelo pai e pela tia materna, Elizabeth Branwell. Além de Charlotte, Emily e Anne Brontë também foram escritoras renomadas. Emily Brontë escreveu diversos poemas, muitos publicados em conjunto com as irmãs. Sua obra mais famosa, “O Morro dos Ventos Uivantes”, tornou-se um clássico da literatura mundial por seu tom intenso, sombrio e pela complexidade emocional dos personagens.

Anne Brontë é a mente por trás de “Agnes Grey”, romance inspirado em sua trajetória como governanta. Ela também publicou “The Tenant of Wildfell Hall”, um romance sobre alcoolismo, casamento abusivo e a busca por independência feminina. Já Branwell Brontë possuía imenso talento artístico e literário, escrevendo histórias e poemas. No entanto, sua vida adulta foi atravessada pelo alcoolismo e abuso de substâncias, o que o levou ao falecimento aos 31 anos.

Branwell faleceu em setembro, Emily em dezembro do mesmo ano devido à tuberculose, e Anne morreu em maio do ano seguinte também de tuberculose. Charlotte se casou com o vigário assistente de seu pai, Arthur Bell Nicholls. Apesar de ter sido um casamento tardio, porém feliz, foi um relacionamento breve. Charlotte engravidou logo após o casamento, mas faleceu no ano seguinte ao matrimônio, possivelmente devido a complicações da gravidez.

Patrick Brontë sobreviveu a todos os filhos. Chegando aos 84 anos, ele continuou vivendo em Haworth e acompanhou o sucesso literário de Charlotte.

Imagem de capa: Reprodução