Entre ditadura, mistério e paranoia, leituras que conversam com o Brasil retratado no filme cotado ao Oscar
A trajetória de “O Agente Secreto” (2025), novo filme de Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, tem deixado o Brasil em fervor com seu prestígio e sucesso. Assim, a obra, que já conquistou prêmios internacionais importantes, como troféus no Globo de Ouro 2026 e o Critics Choice Award 2026, marca uma crescente do cinema brasileiro no panorama global.
Em resumo, o filme espelha a censura, os disfarces e a corrupção que atuam como a fundação dos momentos mais violentos da história do país. Moura interpreta um homem de 40 anos que foge de São Paulo para Recife, na tentativa de reconstruir sua vida e se distanciar de um passado sombrio. Com sua identidade modificada, o personagem deve balançar a sede pela verdade e a cautela da sobrevivência em um cenário tenso, que vai se revelando no decorrer do filme.
Os gêneros do thriller policial e do suspense, de modo geral, dialogam com a proposta de “O Agente Secreto”. Mas, para além do cinema, um mercado que sabe mesclar as pistas, reviravoltas e personagens misteriosos com maestria é a literatura. Por isso, decidimos destacar cinco livros que lembram a atmosfera criada pelo filme cotado ao Oscar.
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“K.: Relato de uma busca”, de B. Kucinski
Dentre os livros que lembram a maneira de contar uma história, “K.: Relato de uma busca” se destaca. Assim, a obra de B. Kucinski conta a história de sua irmã, professora de Química na Universidade de São Paulo, presa pelos militares com o marido em 1974. O pai dos irmãos, que tem um passado ligado ao aprisionamento, inicia uma busca pela filha e encontra verdades assustadoras sobre o desaparecimento dos presos políticos.
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“O espião que sabia demais”, de John LeCarré
Outro livro que entra na lista é “O espião que sabia demais”, de John LeCarré, uma trama costurada por reviravoltas e nuances psicológicas. Em resumo, a história narra George Smiley, espião do serviço britânico que desvenda uma rede de traições que está no centro da sede do serviço secreto. No entanto, apesar de se destacar na área da espionagem, a obra analisa conflitos internos e o que a moralidade significa para os personagens.
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“Passageiro para Frankfurt”, de Agatha Christie
O terceiro livro resgata a dama do suspense policial, ninguém menos que Agatha Christie. Em seu título “Passageiro para Frankfurt”, a autora conta a história de Sir Stafford Nye, o diplomata inglês que tenta salvar uma jovem do perigo mortal que o aborda no aeroporto.

De volta à inglaterra, Nye reencontra a mesma mulher em circunstâncias misteriosas, e desvenda uma conspiração internacional. Na linha de “O Agente Secreto”, mas com abordagem mais distinta, a obra existe na interseção entre política, suspense e censura.
“Uma janela em Copacabana”, de Luiz Alfredo Garcia-Roza
Em seguida, “Uma janela em Copacabana” tem o Rio de Janeiro como personagem, tal qual “O Agente Secreto” tem Recife. Assim, Luiz Alfredo Garcia-Roza conta a história e dois policias que são executados de maneira parecida por uma mesma pessoa, que não deixa rastros.
Percorrendo as ruas de sua geografia predileta, entre os bairros do Leme e de Copacabana, o delegado Espinosa se encarrega de desvendar o mistério, apesar de ter poucos elementos para sustentar a investigação. No meio do caminho, o personagem se depara com outras mortes e com uma mulher enigmática que é esposa de um agente do governo federal. Com bastante brasilidade, o livro conta com todos os elementos de um bom livro de suspense.
“Crimes à Moda Antiga”, de Valêncio Xavier
Por fim, destacamos um dos nomes mais importantes da literatura experimental brasilera. Com “Crimes à Moda Antiga”, Valêncio Xavier reúne oito de seus contos verdade, em que ele reconstrói crimes cometidos no país no início do século XX. Assim, todas as narrativas são baseadas em histórias reais, e nasceram a partir de pesquisas no Arquivo Oficial e na Biblioteca Pública de São Paulo e Curitiba.
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Entre colagens, documentos, jornais e ilustrações, o autor recupera diversas histórias emblemáticas que aconteceram na São Paulo das primeiras décadas dos anos 1900, e traz também um caso específico de Curitiba. A obra conversa com o filme premiado na maneira de construir seu arranjo narrativo, incorporando facetas do jornalismo policial e seu tom por vezes sensacionalista. Além disso, sua narrativa é desconcertante, mas não deixa de ser instigante para o leitor.
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