Elenco e diretor de “Como Água Para Chocolate” falam sobre despedidas, legado emocional dos personagens e os bastidores da temporada final da série da HBO Max
A segunda temporada de “Como Água Para Chocolate”, que estreia em 15 de fevereiro na HBO Max, marca o encerramento definitivo da adaptação televisiva do romance de Laura Esquivel. Com seis episódios exibidos semanalmente, a temporada final aposta em um tom mais maduro, reflexivo e emocionalmente denso, como ficou evidente na coletiva de imprensa realizada com o elenco principal e o diretor Julián de Tavira, hoje (10).
Durante o encontro, atores e criadores destacaram o amadurecimento dos personagens, o peso das escolhas feitas ao longo da narrativa e o impacto emocional deixado pelo desfecho da história, que se consolidou como um dos dramas românticos históricos mais comentados da plataforma.
Emoções deixadas pelo fim da temporada
Questionados sobre o que suas personagens despertaram após o término da série, os atores responderam com forte carga emocional. Azul Guaita, intérprete de Tita, destacou a essência amorosa da protagonista:
“Desde que comecei a conhecer Tita, ela é uma pessoa com muito amor. Sinto a Tita após o final da série e a levarei para sempre na minha vida. Espero que, ao ver a série, vocês sintam as emoções que todos sentimos. É como tomar um café quentinho, como um abraço de mãe”, contou.

Já Irene Azuela, que viveu a rigorosa Elena, refletiu sobre o amargor que define a personagem até o fim:
“Eu terminei querendo me sentir jovem, correr, sentir vitalidade. Porque Elena termina com uma amargura e um rancor importantes. A doença e o fato de se sentir tão sozinha devem ser difíceis e são consequência das escolhas dela durante a vida. Sou muito grata pela personagem. As mulheres de 40 anos são muito diferentes hoje das que eram nos anos 30”, disse.
Andrea Chaparro, intérprete de Gertrudis, definiu a trajetória da personagem nesta temporada como um processo silencioso de sobrevivência:
“Nesta temporada, Gertrudis me deixa em estado de silêncio. É como se, depois da revolução, ela se acalmasse. Um amadurecimento que ela precisava para sobreviver. Essa temporada me ajudou a entendê-la mais e a apreciar seus silêncios.”
Vozes internas, passado e aprendizado

Outro tema da coletiva foi a ideia das “vozes internas” que guiam personagens e atores. Andrés Baida, que interpreta Pedro, destacou a responsabilidade como aprendizado central:
“Eu me identifico muito com Pedro. Ele me ensinou muito sobre responsabilidade e paixão, sobre assumir as consequências”, afirmou o ator.
Louis David Horne, que vive Juan, falou sobre transformação e humanidade:
“Sinto muita nostalgia. É um personagem que, desde a primeira temporada, se atrevia a fazer as coisas. Tinha pinceladas de heroísmo, era apaixonado e aguerrido. Na segunda temporada há uma virada muito grande, especialmente na relação com Gertrudis. Isso me ensina que os personagens são seres humanos que erram, e que suas decisões podem levar tanto ao bem quanto ao mal”.
Direção, legado e despedida

O diretor Julián de Tavira ressaltou o caráter coletivo da produção e a importância cultural da série:
“Sinto muita gratidão por fazer parte desta série. É uma história muito mexicana. Sou muito grato pela experiência, por ter me conhecido melhor. Estou aqui representando muitas pessoas: técnicos, iluminadores e muitos outros que realizaram esse trabalho. Agradeço a entrega dos atores aos personagens, como vi poucas vezes, e à comunidade de todos que assistiram”.
Sobre a temporada final, o diretor explicou que o encerramento mantém coerência com o tom estabelecido anteriormente, aprofundando o universo político e emocional da trama.
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Uma história que dialoga com o presente

Ao serem questionados sobre a atualidade da história, Azul Guaita destacou a mensagem que Tita deixaria para as mulheres de hoje:
“Hoje sabemos expressar nossas emoções e tentamos não reprimi-las. Tita diria para vivê-las sem medo, amar sem medo e não se reprimir”, disse.
A coletiva também destacou a participação de Salma Hayek como produtora executiva. Para Irene Azuela, a parceria foi fundamental:
“Trabalhar com ela é ter um pilar muito sólido. Ela é uma líder nata, articula muito bem sua visão. Foi uma companhia importante e sempre muito generosa. O entusiasmo dela em colocar o México em evidência é inspirador”, afirmou.
Com uma temporada marcada por amadurecimento, encerramento de ciclos e retorno às raízes, “Como Água Para Chocolate” se despede apostando menos na idealização do romance e mais nas consequências do amor vivido, ou reprimido. A partir de 15 de fevereiro, o público poderá acompanhar o capítulo final dessa história que transformou comida, desejo e memória em linguagem dramática.
Imagem de capa: Reprodução/IMDB
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