Cinema Comunitário Krahô, construído pela própria comunidade, fortalece memória, cultura indígena e exibição de filmes no Cerrado
A aldeia Koprer, localizada na Terra Indígena Krahô, no Tocantins, inaugurou no fim de outubro o primeiro cinema construído dentro de uma Terra Indígena no Brasil. Batizado de Cinema Comunitário Krahô, o espaço representa um marco para o cinema indígena e para a cultura nacional. A própria comunidade ergueu a estrutura integralmente, com apoio de trabalhadores do município de Itacajá (TO) e colaboração de profissionais do audiovisual.
O cinema tem capacidade para até 150 pessoas. O público pode assistir às exibições em arquibancadas de madeira ou deitado em redes. Além disso, a arquitetura integra o espaço à paisagem do Cerrado. As laterais abertas permitem ventilação natural e oferecem vista para a aldeia e para o céu estrelado. Dessa forma, o projeto reinventa o conceito tradicional de sala de cinema e adapta a experiência ao contexto da comunidade.
Liderança indígena e fortalecimento da memória
A iniciativa é liderada por Ilda Patpro Krahô, jovem cineasta do povo Krahô. Seu interesse pelo audiovisual começou há mais de uma década, em oficinas do coletivo Mentuwajê Guardiões da Cultura. Desde então, ela atuou como roteirista e atriz no filme “A Flor do Buriti“, que circulou por festivais nacionais e internacionais. A experiência despertou o desejo de criar um espaço permanente de exibição dentro da própria aldeia.

Segundo Ilda, o cinema vai além do entretenimento. O objetivo é garantir um espaço de encontro e valorização das narrativas indígenas. O Cinema Comunitário Krahô exibe filmes, documentários e, principalmente, registros históricos do povo Krahô. Ao mesmo tempo, está em construção um acervo audiovisual com quase um século de registros sobre os Krahô e outros povos indígenas do Brasil. Esse material fica disponível em uma rede interna da aldeia e poderá ser projetado a qualquer momento.
O projeto também contou com a parceria dos cineastas Renée Nader Messora, João Salaviza, Julia Alves e Ricardo Alves Jr. O projeto arquitetônico foi desenvolvido em diálogo com o arquiteto Thiago Benucci, com acompanhamento de Simone Giovine. A proposta inclui arquibancada escavada no solo e um grande telhado, mantendo o espaço integrado à comunidade.
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Programação regular a partir de 2026
A partir de 2026, o Cinema Comunitário Krahô prevê a realização de encontros regulares de cinema. A própria comunidade organizará a programação, em parceria com festivais e instituições culturais de diferentes regiões do país. Assim, a aldeia Koprer ampliará sua oferta cultural e fortalecerá o intercâmbio entre povos indígenas e realizadores de outras localidades.
Para os idealizadores, o cinema comunitário é um instrumento de autodeterminação e preservação da memória coletiva. Além de promover o acesso ao audiovisual, o espaço contribui para a afirmação cultural do povo Krahô. Portanto, a inauguração do primeiro cinema em Terra Indígena no Brasil consolida uma iniciativa que une cultura indígena, arquitetura integrada à natureza e fortalecimento da identidade por meio do cinema.
Imagem de capa: Governo do Tocantins/Divulgação
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