“A Vingança de Charlie” (Sorry, Charlie, 2023) é aquele thriller/terror que promete tensão e entrega… bem, algumas partes funcionam, outras parecem um pouco idiotas demais. Dirigido por Colton Tran, o filme acompanha Charlie, uma voluntária de uma linha de apoio remoto que se transforma no alvo de um perseguidor mascarado maluco conhecido como “O Cavalheiro“, que usa a gravação de um bebê chorando para atrair vítimas para fora de casa. A ideia de fundo tem potencial, com um terror urbano, perverso e psicológico, mas a execução oscila entre o intrigante e o inadvertidamente ridículo.
Premissa simples e eficaz
O filme tem uma premissa simples e eficaz: isolamento + ameaça invisível + vulnerabilidade emocional já estabelecida na protagonista. Isso cria momentos de suspense decentes, especialmente no início. Além disso, o desempenho de Kathleen Kenny como Charlie segura muitas cenas, dando empatia e foco quando o roteiro ameaça se perder no vazio.
Além disso, a curta duração, cerca de 75 minutos, ajuda muito. Você sabe que tem algo de errado acontecendo, e o filme se desenvolve nisso. A maior parte do filme acontece em apenas um dia, e isso de certa forma

Premissa interessante, mas desenvolvimento bobo
“A Vingança de Charlie” escorrega na construção do vilão e em escolhas narrativas que parecem convenientes demais ou simplesmente mal pensadas. A ideia de usar o choro de um bebê como gancho inicial é boa na teoria. Entretanto, a forma como a ameaça se desenvolve, se torna… meio idiota. O antagonista, aparece sem um desenvolvimento forte. Além disso, quando tenta ser assustador, muitas vezes acaba soando… bem, meio bobo, especialmente na escolha visual e comportamental do personagem.
Há também sequências repetitivas e uma sensação de que certas ações da protagonista, que deveriam parecer desesperadas, soam mais como decisões de roteiro sem lógica emocional. Isso tira parte da imersão e às vezes faz a tensão cair na risada involuntária.

O plot wist e a reflexão
Curiosamente, parte do impacto do filme fica por conta do final e de um plot twist que, se encarado sob outra luz, muda um pouco a leitura do que vimos. E aí, sim, eleva o filme para outro patamar. A forma “idiota” como a protagonista age no filme pode fazer sentido num cenário em que os eventos são parte de um plano elaborado de vingança emocional e psicológica pela vítima. Essa perspectiva não salva todos os tropeços, mas funciona como uma lente alternativa que torna a experiência menos frustrante e mais interessante como comentário sobre trauma e sobrevivência.
Vale a pena assistir “A Vingança de Charlie”
“A Vingança de Charlie” não é um terror impecável, longe disso. Ele oscila entre momentos tensos e escolhas narrativas questionáveis, com um vilão que poderia ter sido muito mais ameaçador e algumas cenas que desafiam a lógica realista. Mas se você aceitar o filme como um jogo de terror psicológico curto e irregular, com alguns acertos visuais e um twist curioso, ele até funciona como um passatempo diferente dentro do gênero, especialmente para quem curte filmes que pedem interpretação e não entregam tudo mastigado.
Por fim, “A Vingança de Charlie” está disponível no Filmelier+
Crédito da capa: Reprodução
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