Animação francesa indicada ao Oscar usa ficção científica para refletir sobre amadurecimento e conexão humana e um futuro maquinizado
“Arco”, animação do francês Ugo Bienvenu, é uma obra que comenta sobre o poder da amizade no processo de amadurecimento. Assim, a produção que conta com indicação a Melhor Filme de Animação no Oscar de 2026 usa a ficção científica como ferramenta no autodescobrimento.
A animação com distribuição da Mares Filmes no Brasil conta a história de Arco, um menino de dez anos que sonha em seguir seus pais e irmã mais velha na viagem entre as eras da história. Ainda mais, seu principal objetivo é conhecer os dinossauros das eras pré-históricas.
Sua família usa a ciência por trás do acontecimento do arco-íris para realizar esse transporte. Com um traje com um simples collant rosa que carrega uma pedra na altura da testa e uma capa com listras multicoloridas, eles ganham força com a reflexão da luz branca e se transformam no próprio fenômeno natural.
Em um futuro distópico onde o mar submergiu as terras e a civilização precisou se reconstruir em vilas acima das nuvens, essas viagens correspondem à busca por recursos de sobrevivência. Por ainda não ter idade suficiente para acompanhar sua família nas empreitadas, Arco decide dar um salto de coragem, roubar o traje da irmã e ir sozinho atrás dos dinossauros.
Amizade como ferramenta de libertação
Nesse momento, a narrativa introduz sua segunda protagonista: Íris, uma menina que vive nos anos 2075 com pouca atenção dos pais e muita imaginação. Quando a viagem de Arco resulta em um pouso abrupto no futuro, onde robôs e máquinas organizam as cidades, a garotinha de dez anos o recebe de braços e coração abertos.
O encontro de Arco e Íris serve como uma das teses do filme e comenta sobre o poder da conexão humana frente à maquinização da sociedade. Assim, apesar do tom monótono dos anos 2075, a chegada do garotinho traz uma luz que não é necessariamente estrangeira para os robôs, mas também não é natural.
Apesar de retratar em Mikki, o robô assistente do lar de Íris que atua como seu irmão mais velho, com certa humanidade, Bienvenu compara o homem e a máquina de maneira interessante. Ainda mais, as duas crianças se completam, compartilham anseios e curiosidades da cada era, achando uma relação ingênua e respeitosa como denominador comum.
Estética da animação
Ainda mais, Bienvenu cria uma dicotomia entre o assunto e a forma que constituem seu filme. Apesar de tratar de temas futuristas, a animação 2D do longa resgata uma sensação de nostalgia comum aos desenhos animados dos anos 2000.

Com atenção aos detalhes e técnicas mais simples, ele conta sua história apartir de um prisma um pouco mais convencional. Além disso, a parte estética de “Arco” se destaca e carrega um roteiro que as vezes soa pouco orgânico.
As fraquezas do longa
Olhando para o projeto completo, a mensagem que Bienvenu passa é consistente e interessante, mas o roteiro mais simples deixa um pouco a desejar. Em resumo, alguns contratempos nos diálogos entre os personagens soam por vezes enferrujados. Além disso, a narrativa é resolvida de forma abrupta, que não tira o brilho da construção do filme como um todo.
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Ainda mais, um aprofundamento nos arcos de personagens coadjuvantes poderia trazer mais substância para o filme, que se sustenta nos seus dois personagens principais. Seria interessante conhecer a perspectiva das famílias das duas crianças, e também dos três irmãos caçadores de provas científicas, que são o alívio cômico do longa.
Vale a pena assistir “Arco”?
Sim, vale a pena. O filme é caloroso, divertido, e estéticamente lindo. A partir da exploração de emoções comuns a qualquer indivíduo, ele atende diferentespúblicos com sua abordagem. Os anseios sobre um futuro maquinizado e frio ganham um tom mais esperançoso em “Arco”, e provoca reflexões importantes. Entre o amadurecimento, a amizade, a rebelião e o reencontro, o filme francês tem muito a dizer, e faz isso de maneira divertida.
“Arco” estreia nos cinemas brasileiros em 26 de fevereiro.
Imagem de capa: Divulgação
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