“De Volta à Bahia” aposta nas paisagens exuberantes e na cultura baiana para embalar um romance jovem, conduzido por personagens carismáticos
Já imaginou ter o mar como cupido? O longa nacional De Volta à Bahia mostra que, às vezes, a força da natureza pode te ajudar a encontrar o amor da sua vida — e também a si mesmo.
Na trama, Maya (Bárbara França) viaja a Salvador para se reconectar com o surfe após meses afastada do esporte. No entanto, ao tentar retornar ao mar, ela se afoga e é salva por Pedro (Lucca Picon), também surfista. A conexão é imediata, mas o casal logo percebe que precisará enfrentar traumas e conflitos familiares para viver o romance.
Dramas familiares ganham destaque, enquanto romance é apagado
Dirigido por Eliezer Lipnik e Joana di Carso, “De Volta à Bahia” o filme recorre a dois clichês clássicos das comédias românticas: o amor à primeira vista e o casal de “mundos diferentes”.
Maya é uma modelo famosa que enfrenta o luto pela morte da mãe e sintomas de depressão. Abalada, afastou-se do trabalho e do surfe, seu refúgio emocional. Além disso, ela também carrega ressentimentos em relação ao pai, Thomas (Werner Schünemann), empresário ausente que sempre priorizou a carreira.
O empreendedor, inclusive, é dono do resort que prejudicou o restaurante da mãe de Pedro. O jovem perdeu o pai ainda criança e foi criado pela mãe, Beth (Mariana Freire). A chef de cozinha que teme que o filho repita o destino do marido, surfista morto por afogamento. Ao perceber que Pedro compartilha a mesma paixão pelo surfe, Beth tenta afastá-lo do esporte.
Embora vendido como comédia romântica, o longa encontra sua força nos conflitos familiares. As relações entre pais e filhos são o ponto alto da narrativa. É fácil entender e se identificar com os medos e dores de cada personagem. O romance, por sua vez, acaba em segundo plano — o que, curiosamente, enriquece a obra ao construir mais camadas.
Atuações que fortalecem o filme

O roteiro, apesar de abordar temas relevantes, apresenta fragilidades no desenvolvimento. Alguns diálogos soam superficiais, e conflitos promissores são resolvidos com rapidez excessiva. O embate entre Maya e Thomas, por exemplo, poderia ter maior profundidade emocional. No entanto, seus dilemas são resolvidos rapidamente por meio de conversas simples, como se anos de ressentimento sumissem com um toque de mágica. O mesmo ocorre na dinâmica entre Pedro e Beth.
Ainda assim, o elenco compensa as falhas do texto. Bárbara França é o principal destaque: carismática e sensível, sustenta a narrativa mesmo quando o roteiro não favorece. Sua interpretação amplia a força dramática de Maya e consolida a personagem como eixo central da trama.
Já o personagem PH (Felipe Roque), mentor dos protagonistas no surfe, não agrada tanto. O tutor surge como uma espécie de “coach”, repleto de frases motivacionais. Embora o ator demonstre empenho para tornar o papel mais interessante, PH não convence e pode irritar parte do público com o excesso de reflexões sobre a vida e o mar.
Um “ar de novela”
A montagem, aliada à trilha sonora, remete às novelas brasileiras. Em diversas transições, planos abertos de pontos turísticos da Bahia surgem acompanhados de música, sem necessariamente integrar os personagens à cena. Para quem gosta do formato, a escolha pode ser atrativa. Já para aqueles que preferem assistir a um filme com passagens mais fluidas e tradicionais, a estratégia deve causar estranhamento.
O núcleo cômico, formado por Arthur (Juliano Laham) e Rico (Rico Ayade), também dialoga com essa estrutura presente em novelas. As cenas românticas de Maya e Pedro são intercaladas com os momentos de humor da dupla de amigos. O destaque é Laham, que dá vida ao amigo sem-noção do protagonista.
O arquétipo funciona bem na trama, pois o jeito atrapalhado de Arthur não prejudica o casal. Pelo contrário, ele torce pelos dois, que se tornam mais divertidos ao lado dele. Dessa forma, o personagem é responsável por trazer leveza para a narrativa.

Valorização da cultura local
O filme investe em longos planos do litoral baiano, beneficiados pela fotografia de LC Pereira. Ao valorizar as locações e a paisagem natural, a produção demonstra cuidado estético e respeito ao cenário escolhido.
Além disso, evita estereótipos associados à população baiana. A produção contratou atores locais e apresentou justificativas narrativas para personagens interpretados por artistas de fora do estado — os quais, portanto, não tinham o sotaque da região. Essas ações indicam atenção à representatividade: um acerto que, infelizmente, é raramente visto no cinema e na TV.
Vale a pena assistir “De Volta à Bahia”?
Sim. Apesar das fragilidades no roteiro, “De Volta à Bahia” entrega momentos tocantes e divertidos. O longa aborda temas como luto e depressão com respeito, ainda que de forma superficial, e oferece um romance leve ambientado em cenários deslumbrantes.
É uma opção agradável para quem busca uma história romântica despretensiosa, embalada pela beleza e pela atmosfera da Bahia.
“De Volta à Bahia” estreia amanhã (5) nos cinemas do Brasil.
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Ficha técnica
De Volta à Bahia
Brasil, 2026, 92 min.
Gênero: Comédia romântica
Direção: Eliezer Lipnik e Joana di Carso
Roteiro: Joana di Carso
Elenco: Bárbara França, Felipe Roque, Juliano Laham, Lucca Picon, Mariana Freire, Rico Ayade, Werner Schünemann.
Direção de Fotografia: LC Pereira
Montagem: Bruna Lohnefink
Som: Pedro Garcia
Trilha musical: André Whoong
Produzido por: Magia Filmes
Classificação: 10 anos
Distribuição: Swen Entretenimentos

Imagem de capa: Swen Entretenimentos/Divulgação
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