Com Jason Momoa e Dave Bautista, “Dupla Perigosa” aposta no entretenimento direto, mistura humor, violência estilizada e drama familiar

Dupla Perigosa” chega ao streaming sem a pretensão de reinventar o cinema de ação, mas com um objetivo claro: entregar diversão imediata. Dirigido por Angel Manuel Soto (“Besouro Azul”), o longa combina ação, suspense e comédia em uma narrativa que olha diretamente para o passado, resgatando o espírito exagerado dos blockbusters dos anos 80 e 90. A abertura já deixa isso evidente e prepara o terreno para um filme que sabe exatamente o que é.

Lançado diretamente em streaming, o longa se apoia na força de sua dupla protagonista para sustentar uma história que gira em torno de irmãos afastados, violência e um mistério simples, mas funcional. Jason Momoa (“Aquaman”) e Dave Bautista (“Guardiões da Galáxia“) interpretam Jonny e James, meio-irmãos que se reencontram após a morte suspeita do pai, Walter. A partir desse ponto, o filme se estrutura como uma investigação que rapidamente se transforma em uma sucessão de confrontos físicos, perseguições explosivas e diálogos recheados de ironia.

Momoa e Bautista dão o tom de “Dupla Perigosa”

A ideia central é clara: usar o formato clássico do “buddy movie” para explorar contrastes. James, vivido por Bautista, é um militar disciplinado, emocionalmente contido e marcado por traumas familiares não resolvidos. Já Jonny, personagem de Momoa, é o oposto absoluto: um policial impulsivo, extravagante e quase infantil em suas atitudes. Essa dinâmica de opostos é o motor do filme e funciona graças à química genuína entre os atores.

Crítica - "Dupla Perigosa"
Jason Momoa e Dave Bautista | Crédito: Prime Video/Divulgação

Nesse aspecto, “Dupla Perigosa” encontra seu maior acerto. Momoa e Bautista se complementam em cena com naturalidade. Há uma sensação constante de que ambos se divertem juntos, e isso transparece nas trocas de farpas, nas brigas físicas e até nos momentos mais sentimentais. Mesmo quando o roteiro escorrega em diálogos pouco sutis, a entrega dos atores sustenta a cena. Eles podem não buscar grandes camadas dramáticas, mas convencem dentro da proposta.

Clichês assumidos e vilões caricatos

O filme dialoga diretamente com o gênero de ação clássico, assumindo seus clichês sem vergonha. Explosões ao fundo, vilões caricatos e cenas de fuga impossíveis fazem parte do pacote. A presença da esposa de James, uma psicóloga infantil, simboliza uma tentativa de trazer um olhar “pós-terapia” para personagens que, décadas atrás, resolveriam tudo apenas no soco.

O cenário havaiano também exerce papel importante. Filmado no Havaí e na Nova Zelândia, o longa usa paisagens lindas e tomadas aéreas para criar um contraste visual entre o paraíso turístico e a corrupção que se esconde sob a superfície. Além disso, gangues locais, a Yakuza e empresários inescrupulosos formam um mosaico de antagonistas que reforça a ideia de que até os lugares mais idílicos carregam tensões profundas.

Crítica - Dupla Perigosa
Jason Momoa no filme | Crédito: Reprodução/IMDB

Entre esses vilões, destaca-se Claes Bang como o empresário Marcus Robichaux. Sua presença é exagerada, quase teatral, mas combina com o tom do filme. O confronto verbal final entre seu personagem e Jonny é um dos momentos mais divertidos do longa, equilibrando ameaça e humor de forma eficaz.

Sem surpresas, mas com eficiência

Do ponto de vista técnico, “Dupla Perigosa” entrega um trabalho sólido. A edição é precisa, o ritmo raramente cai e as sequências de ação são bem encenadas. Há destaques claros, como a cena inicial de Momoa enfrentando membros da Yakuza, e o confronto final protagonizado por Bautista em um corredor estreito, que remete diretamente a clássicos do cinema asiático. A violência é gráfica e, em alguns momentos, contrasta de forma abrupta com o tom cômico, mas isso faz parte da identidade do projeto.

Narrativamente, o filme não busca surpreender. O mistério é resolvido com facilidade excessiva, e o desenvolvimento dos conflitos familiares segue caminhos previsíveis. Ainda assim, há sinceridade na abordagem. Quando o longa desacelera para permitir que os personagens conversem sobre o passado, o resultado pode não ser sofisticado, mas é honesto e funcional.

Cena de Dupla Perigosa
O filme também tem seus momentos de humor | Crédito: Reprodução/IMDB

No fim das contas, “Dupla Perigosa” não se propõe a ser memorável no sentido autoral. Seu mérito está na clareza da proposta. O que o espectador vê no pôster e no trailer é exatamente o que encontrará: ação barulhenta, humor direto, personagens carismáticos e uma dupla central que sustenta o filme do início ao fim.

Vale a pena assistir “Dupla Perigosa”

Sim, vale a pena, especialmente para fãs de filmes de ação clássicos e narrativas despretensiosas. “Dupla Perigosa” não reinventa o gênero, mas entrega exatamente o que promete. A química entre Jason Momoa e Dave Bautista é o grande trunfo, sustentando uma experiência divertida, energética e fácil de digerir.

Como entretenimento de streaming, o filme cumpre seu papel com eficiência. Pode não deixar uma marca duradoura no cinema de ação, mas certamente garante algumas boas horas de diversão, e, para esse tipo de proposta, isso já é mais do que suficiente.

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Dupla Perigosa
EUA e Nova Zelândia, 2026, 124 min.
Direção: Angel Manuel Soto
Roteiro: Jonathan Topper
Elenco Principal: Dave Bautista, Jason Momoa, Morena Baccarin
Produção: Dave Bautista, Jason Momoa, Angela Laprete
Direção de Fotografia: Matt Flannery
Trilha Sonora: Bobby Krlic
Classificação: 16 anos
Distribuição: Amazon MGM Studios

Imagem de capa: Prime Video/Divulgação