Em Infinite Icon: Uma Memória Visual, Paris Hilton vai além da imagem construída pela mídia e faz um relato surpreendente. O filme biográfico combina confissão e espetáculo ao abordar sua infância, os impactos da fama e o diagnóstico do TDAH. 

Ao longo da narrativa, a música surge como um refúgio e uma ferramenta de sobrevivência, essencial para que Paris atravessasse a dor e reconstruísse sua própria identidade. A produção alterna momentos íntimos da cantora com performances registradas em show, assumindo também a estrutura de um filme-concerto. 

O longa tem direção de JJ Duncan e Bruce Robertson. Ainda mais, conta com participações especiais de nomes de peso da música pop, como Sia, Meghan Trainor, Rina Sawayama e da estilista Nicole Richie.

Por trás de uma ícone

Paris Hilton e Nicole Richie | Crédito: Sato Company/Divulgação.

Batizado com o nome do álbum mais recente da artista, “Infinite Icon: Uma Memória Visual” traça a jornada musical de Paris Hilton a partir de um arquivo pessoal marcado por traumas da infância. Também os efeitos da fama e o impacto emocional da exposição precoce. 

A cinebiografia rompe com a construção midiática que por anos a reduziu à imagem de “socialite fútil”. Agora, no controle de sua própria vida, Hilton revisita sua trajetória com maturidade e consciência crítica.

A artista se mostra sincera consigo mesma e com o público ao falar abertamente sobre os abusos sofridos durante sua passagem por um “centro educacional”. Além disso, ela destaca seu sofrimento com a pressão da mídia e o impacto do TDAH. 

Essa vulnerabilidade aproxima os fãs e permite que o espectador veja além das manchetes e dos reality shows, como alguém que pagou um preço alto para se tornar um ícone da cultura pop. 

Neste sentido, “Infinite Icon: Uma Memória Visual” funciona como um acerto de contas com o passado, trazendo reflexões sobre a indústria do entretenimento e como ícones femininos são frequentemente objetificados, explorados e descartados com rapidez. 

Entre depoimentos e apresentações da cantora, o filme é uma experiência que vai além do entretenimento e se torna um estudo sobre identidade, fama e resiliência.

A estética que reflete a dualidade de Paris Hilton

“Infinite Icon: Uma Memória Visual” mostra as perfomances de Paris Hilton marcadas por figurino e cores vibrantes | Sato Company/Divulgação.

Sobre a estética visual, a direção combina intimidade e espetáculo musical, refletindo a dualidade de Paris Hilton real e sua persona icônica. Desta forma, seus depoimentos aproximam o espectador, criando momentos sensíveis e pessoais. 

Por outro lado, as apresentações ao vivo trazem cores vibrantes e figurinos marcantes, transformando o documentário em um filme-concerto. Isso também reforça o contraste entre a vida pessoal e a imagem pública. Apesar disso, revela a complexa convivência entre a fama e a identidade ao longo de sua carreira. 

Em momentos de desabafo, a direção valoriza as expressões de Paris por meio de enquadramentos próximos e iluminação suave. Bem como a profundidade de seu sofrimento e das experiências negativas que marcaram a sua trajetória.

Entretanto, a produção apresenta um ritmo irregular ao alternar de forma abrupta os depoimentos íntimos e as performances musicais. Também falta profundidade em certos períodos da vida de Paris Hilton ou análise mais crítica sobre a indústria do entretenimento. 

Vale a pena assistir “Infinite Icon: Uma Memória Visual”

Sim, “Infinite Icon: Uma Memória Visual” traz a realidade da indústria do entretenimento através do relato de uma icône da música pop. O documentário serve como um alerta sobre os desafios e pressões enfrentados por artistas. Com distribuição da Sato Company, o filme biográfico de Paris Hilton estreia em 29 de janeiro nos cinemas brasileiros. 

Imagem de capa: Sato Company/Divulgação