O longa-metragem é um retrato poético da China rural através da infância de Xu Chuang

Living The Land” é uma  produção chinesa, que faz um retrato sensível, poético e preciso da China rural contemporânea, sendo contada a partir do olhar de uma criança e a rotina dolorosa de sua família camponesa. 

O filme apresenta uma abordagem quase documental, trazendo um ritmo lento e se afastando da dramatização. Dessa forma, ela evita qualquer exagero, permitindo que a imagem transmita a realidade de quem mora no campo. 

Com distribuição da Autoral Filmes, o longa-metragem tem direção de Huo Meng e reúne no elenco Wang Shang (Xu Chuang), Zhang Yanrong (Bisavó) e Zhang Chuwen (Xiuying). 

Entre a infância e a vida no campo

Living The Land
Xu Chuang em um momento de ternura e carinho com sua tia Xiuying (Chuwen Zhang) | Crédito: Autoral Filmes/Divulgação.

Ambientado em 1991, “Living The Land” acompanha o cotidiano de Xu Chuang, um garoto de apenas 10 anos, e a complexa relação com a família. O filme retrata as tarefas agrícolas, celebrações familiares e as durezas da vida no campo, reveladando tanto a beleza quanto as exigências do cotidiano rural. 

Xu Chuang é curioso, observador e sensível, mas precisa amadurecer cedo diante das obrigações e das necessidades de sua família. Apesar das limitações de sua idade, o garoto demonstra carinho e atenção por aqueles que ama de maneira discreta e silenciosa. Ele tenta ajudar nas tarefas do dia a dia ou observando com empatia o sofrimento dos outros. 

A trama também evidencia a intensa pressão social exercida sobre as mulheres para dar continuidade à família, às tradições e à sobrevivência econômica. Suas escolhas individuais são limitadas a costumes antigos, expectativas da comunidade e por uma estrutura patriarcal. 

Ainda assim, o garoto observa tudo isso com inocência e curiosidade, enfrentando a necessidade de trabalhar para ajudar sua família e permanecer em silêncio ao testemunhar o sofrimento daqueles, marcado tanto por limitações pessoais quanto pela pressão social.

Marcada por um ritmo lento e contemplativo, a narrativa convida o espectador a sentir a rotina no campo e vivenciar, junto ao garoto, os desafios e as descobertas de sua infância. 

A China rural pelos olhos de Huo Meng

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Xu Chuang recebe o cuidado de uma mulher em meio à paisagem rural que marca “Living The Land” | Crédito: Autoral Filmes/Divulgação.

O diretor Huo Meng se destaca pelo cuidado com o ritmo e a composição visual, proporcionando imersão na rotina dos personagens. Nesse sentido, a estética se apoia em planos longos e enquadramentos fixos, permitindo ao espectador o acompanhamento detalhado da rotina dos personagens.

O estilo visual escolhido transforma a vida na aldeia em um personagem central do filme, mostrando a terra, o tempo e os costumes que moldam o destino de cada habitante da aldeia. 

A abordagem quase que documental reforça a sensação de contemplação e autenticidade, evitando dramatizações exageradas. Além disso, o diretor utiliza a cinematografia para construir um vínculo sensível entre espaço e emoção, tornando cada cena em uma experiência poética. 

Limitações e falhas narrativas

Living The Land
Xu Chuang participa do trabalho no campo ao lado de adultos e outras crianças em “Living The Land” | Crédito: Autoral Filmes/Divulgação.

O filme apresenta algumas limitações em sua narrativa, sendo a falta de contextualização histórica. Embora se passe em 1991, período de grandes transformações na China rural, o longa não evidencia os impactos na vida das famílias retratadas. O espectador é forçado a compreender por meio de observações sutis do cotidiano. 

Ainda mais, “Living The Land” tem um ritmo lento e contemplativo que exige paciência de alguns espectadores, especialmente aqueles que buscam narrativas dinâmicas e cheias de conflitos.  

Vale a Pena assistir “Living The Land”

Sim, o longa-metragem traz uma narrativa poética e sensível que valoriza os pequenos gestos, silêncios e detalhes do cotidiano. Não espere grandes conflitos, mas uma experiência sensorial e emocional que convida a acompanhar a infância Xu Chuang e a conhecer a vida na China rural. “Living The Land” chega aos cinemas brasileiros em 5 de fevereiro de 2026. 

Ficha Técnica

Living The Land
China, 2025, 129 min.
Gênero: Drama
Direção: Huo Meng
Roteiro: Huo Meng
Elenco: Wang Shang, Zhang Yanrong e Zhang Chuwen
Direção de Fotografia: Guo Daming
Classificação: 14 anos
Distribuição: Autoral Filmes

Imagem de capa: Autoral Filmes/Divulgação