Dirigido por Brett Ratner, filme sobre Melania Trump aposta em estética de reality show, mas falha ao construir narrativa e aprofundamento
O documentário “Melania“, dirigido por Brett Ratner, parte de uma premissa promissora. A proposta é acompanhar os bastidores da então futura primeira-dama dos Estados Unidos nos dias que antecedem a posse presidencial de 2025. No entanto, o que se vê é outra coisa. O filme abandona qualquer intenção investigativa. E se aproxima de um produto promocional cuidadosamente controlado.
Desde os primeiros minutos, a abordagem é evidente. A câmera acompanha Melania Trump em deslocamentos e reuniões. Contudo, tudo parece encenado. A narrativa assume um formato próximo ao de um reality show. Ainda assim, sem espontaneidade. Cada cena é calculada. Cada fala, previsível. Como resultado, o filme perde força logo na abertura.
Entre o documentário e o infomercial
A ausência de conflito é um dos principais problemas. Não há tensão dramática. Muito menos existe um arco narrativo consistente. Em vez disso, o espectador acompanha uma sucessão de encontros superficiais. Reuniões com estilistas, conversas com designers e decisões sobre eventos protocolares.

Nesse contexto, Melania surge mais como uma figura estética do que como personagem. Ela opina sobre roupas, cores e objetos. No entanto, raramente revela algo relevante sobre si mesma. A narração em off, atribuída à própria protagonista, reforça essa limitação. O texto soa genérico e carece de profundidade.
Além disso, o filme ignora aspectos essenciais da trajetória da personagem. Sua origem na antiga Iugoslávia. Sua ascensão como modelo e a inserção na política americana. Tudo isso aparece apenas de forma superficial. Ou simplesmente não é explorado.
Estética controlada e distanciamento emocional
Visualmente, o longa aposta em uma estética polida. No entanto, o excesso de controle compromete a experiência. A fotografia, a trilha sonora e a montagem parecem moldadas para exaltar a protagonista. Ao mesmo tempo, criam um distanciamento evidente da realidade.
A própria presença de Donald Trump contribui para esse efeito. Embora apareça pouco, suas interações com Melania revelam uma relação fria. Em momentos pontuais, há indícios de desconexão. Ainda assim, o filme não se aprofunda nesses sinais. Pelo contrário. Prefere manter uma superfície segura e previsível. O resultado é um produto que parece montado para impressionar, mas não para comunicar.

Política ausente, controle presente
Embora trate de uma figura central da política contemporânea, o documentário evita o tema. A política está ausente no discurso. No entanto, sua presença é perceptível na forma. O controle narrativo é rígido. A construção da imagem é calculada. E qualquer possibilidade de conflito é neutralizada.
Esse modelo aproxima o filme de uma peça de propaganda. A narrativa é unidirecional. Não há contrapontos. Não há questionamentos. Assim, o longa deixa de cumprir uma função essencial do documentário: investigar, contextualizar e provocar reflexão.
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Vale a pena assistir Melania?
“Melania” é um documentário que não se sustenta como análise nem como narrativa. Apesar do acesso privilegiado à protagonista, o filme evita aprofundamento e elimina qualquer tensão dramática. O resultado é uma obra esteticamente vazia.
Para quem busca compreender a figura pública ou o contexto político, o longa não entrega. Já como registro visual, funciona apenas de forma limitada. Portanto, a recomendação depende do interesse do espectador. Como documentário, não convence. Como peça de propaganda, cumpre seu papel, ainda que de forma excessivamente entediante.

Melania
EUA, 2026, 104 min.
Direção: Brett Ratner
Roteiro: Brett Ratner
Elenco Principal: Melania Trump, Donald Trump
Produção: Fernando Sulichin, Melania Trump, Brett Ratner
Direção de Fotografia: Jeff Cronenweth, Barry Peterson, Dante Spinotti
Classificação: 10 anos
Distribuição: Amazon MGM Studios
Imagem de capa: Divulgação
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