Entre fantasia e realidade, o olhar do diretor transforma pequenas experiências em grandes lições emocionais
“Mirai” é uma viagem encantadora pela infância e viagem no tempo com drama, humor e delicadeza. A animação transforma situações do cotidiano em momentos de fantasia, explorando as complexidades do crescimento e das relações familiares. Dirigido pelo aclamado Mamoru Hosoda e produzido pela Studio Chizu, a obra se destaca pelas pequenas mudanças emocionais de seu protagonista, oferecendo um retrato delicado das descobertas e desafios da infãncia.
Ao contrário de outros trabalhos do diretor, a obra não se apoia em grandes aventuras nem grandes reviravoltas. Em vez disso, Hosoda apresenta uma narrativa que dialoga tanto com crianças quanto com adultos. Assim, o longa-metragem explora temas como crescimento, memória e pertencimento.
Ao invés de proporcionar um grande espetáculo, o objetivo do filme é conquistar pela empatia, encontrando profundidade e simplicidade nas experiências cotidianas.
No elenco de voz, Moka Kamishiraishi interpreta o pequeno Kun. Outros nomes de destaque compõem, incluem Haru Kuroki como Mirai-chan, que também colaborou com Mamoru em “Crianças Lobo” (2012) e “Belle” (2021).
Ademais, Kôji Yakusho dá voz a Jiiji, que também participou de “Scarlet” (2025), a produção mais recente do diretor. Completam o elenco Gen Hoshino como o pai do protagonista, Kumiko Asô como mãe, Mitsuo Yoshihara (“O Espelho do Castelo Solitário”) como o misterioso Nazo no otoko e Yoshiko Miyazaki como Bâba.
Uma jornada sobre crescimento, memórias e afeto

A trama acompanha Ku, um garoto de apenas 4 anos de idade que vê sua rotina mudar completamente com a chegada de sua irmã. Acostumado a ser o centro das atenções, ele passa a enfrentar sentimentos de ciúmes, rebeldia e insegurança, reagindo de forma compulsiva.
A partir deste conflito, o filme desenvolve uma narrativa que mistura realidade e fantasia. No jardim de sua casa, ele descobre um espaço mágico que lhe permite viajar no tempo. Desta forma, Kun passa a vivenciar encontros inesperados com diferentes versões de sua família, incluindo seu cachorro, sua mãe quando criança, seu bisavô jovem e até a própria Mirai adolescente.
Essas experiências funcionam como pequenos episódios, que vão ajudando o protagonista a compreender melhor as pessoas ao seu redor e seu lugar dentro da família. Através da fantasia subjetiva, “Mirai” se afasta de narrativas mais tradicionais e aposta em uma sucessão de momentos que conduzem o processo emocional de amadurecimento de Kun.
Os personagens que cruzam o caminho de Kun funcionam como extensões de sua própria compreensão do mundo. Nesse sentido, a versão adolescente de Mirai representa um futuro possível. Enquanto os encontros com a mãe na infância e com seu bisavô revelam camadas desconhecidas pelo garoto sobre o histórico familiar.
Até mesmo o cachorro ganha uma importância ao oferecer uma perspectiva inesperada sobre pertencimento. Dessa forma, Mamoru utiliza cada interação não apenas como elemento narrativo, mas como ferramenta de aprendizado emocional.
O olhar da infância entre realidade e fantasia
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Visualmente, o filme estabelece um contraste marcante entre o realismo e a imaginação. Os ambientes domésticos, especialmente a casa da família, são retratados com riqueza em detalhes. Assim, transmite sensação de familiaridade e aconchego que reforçam o tom emocional da narrativa.
Por outro lado, as sequências fantásticas expandem o universo de forma criativa. Aqui, a estética se torna mais livre, com enquadramentos dinâmicos, transições suaves e paleta de cores que acompanha a intensidade do protagonista.
O humor aparece de forma sutil e orgânica, principalmente a partir de situações cotidianas e das reações de Kun. Desta forma, a produção destaca os pequenos conflitos familiares, acompanhados de birras e nas tentativas do pai em lidar com as responsabilidades domésticas.
Esses momentos funcionam como um contraponto à carga emocional da narrativa, trazendo leveza e reforçando o tom sensível da história. Ao mesmo tempo, contribuem para humanizar os personagens e aproximar o espectador da experiência do protagonista.
Vale a pena assistir “Mirai”?
Sim. “Mirai” é uma animação tocante, envolvente e visualmente cuidadosa, que oferece uma experiência emocional profunda sem depender de grandes aventuras ou ação intensa. O filme é indicado tanto para crianças, quanto para adultos, além de agradar os apreciadores da animação tradicional 2D.
O longa de Mamoru encontra-se disponível no Filmelier+, serviço de streaming complementar ao Prime Video.
Imagem de capa: IMDb/Reprodução
Mirai
Japão, 2018, 98 min.
Direção: Mamoru Hosoda
Roteiro: Mamoru Hosoda
Elenco Principal: Moka Kamishiraishi, Haru Kuroki e Kôji Yakusho
Produção: Yuichiro Saito
Trilha Sonora: Masakatsu Takagi
Classificação: 10 anos
Distribuição: Sofa DGTL

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