Documentário premiado de Natasha Neri e Gizele Martins chega às telas do cinema em abril

Dirigido por Natasha Neri e Gizele Martins, “Cheiro de Diesel” é o novo documentário que chega nas salas dos cinemas brasileiro em 02 de abril. O longa-metragem estreia nas telonas após vencer dois prêmios no Festival do Rio: o Prêmio Especial do Júri e o prêmio de Melhor Documentário pelo Voto Popular.

Além disso, a semana de estreia do filme coincide com duas datas marcantes da história do país. Em 1º de abril, completa 62 anos do Golpe Militar de 1964. Todavia, o enredo do documentário reflete à invasão das Forças Armadas na Favela da Maré, no Rio de Janeiro, iniciada em 5 de abril de 2014. Em 2026, a operação completa 12 anos.

Entenda o contexto histórico do documentário

As operações das Forças Armadas em favelas do Rio de Janeiro ocorreram por meio de decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), com a justificativa de promover a “pacificação” da região. Um dos casos mais marcantes aconteceu entre 2014 e 2015, durante preparativos para a Copa do Mundo. Durante o período, as tropas militares ocuparam o Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro.

Posteriormente, novas operações foram realizadas entre 2017 e 2018, durante a intervenção federal na segurança pública do estado do Rio de Janeiro. As ocupações geraram críticas de organizações de direitos humanos e de moradores das regiões, que denunciaram abusos da presença militar no cotidiano das comunidades.

“Cheiro de Diesel” dá voz aos moradores e aos traumas da intervenção federal

"Cheiro de Diesel" denuncia violações de direitos humanos em comunidades ocupadas pelas Forças Armadas  | Crédito: Divulgação
“Cheiro de Diesel” denuncia violações de direitos humanos em comunidades ocupadas pelas Forças Armadas | Crédito: Divulgação

Dessa forma, o documentário registra os traumas deixados pela ocupação nas favelas. Assim, a obra foi produzida por meio de relatos de moradores, e acompanha a rotina de medo nas comunidades durante a presença das Forças Armadas.

“Cheio de Diesel” é um retrato dos moradores das favelas da Maré e da Penha, na zona norte da capital, além do Morro do Salgueiro, em São Gonçalo. Portanto, os entrevistados descrevem episódios de violência e violações de direitos humanos. Entre os depoimentos, está a denúncia de um caso de tortura contra moradores da Penha, que teria ocorrido em uma chamada “sala vermelha”, dentro de um quartel do Exército.

Gizele Martins, diretora de “Cheiro de Diesel”, acompanhou a ocupação como moradora 

Natasha Neri e Gizele Martins, diretoras do documentário | Crédito: Divulgação
Natasha Neri e Gizele Martins, diretoras do documentário | Crédito: Divulgação

Natasha Neri e Gizele Martins assinam a direção do documentário. Juntas, unem diferentes perspectivas para narrar os impactos da presença militar nas comunidades. Em 2018, Neri ganhou destaque pelo documentário “Auto de Resistência”, vencedor do festival “É Tudo Verdade”, em 2018. 

Já Martins é jornalista comunitária da Favela da Maré. O documentário marca sua estreia na direção, e ela também conduz a mediação dos depoimentos apresentados ao longo do filme. Isso porque Gizele acompanhou de perto o processo de ocupação das favelas pelas Forças Armadas, não só como jornalista, mas também como moradora. A diretora é integrante da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro

“O cotidiano foi de invasão às escolas, aos postos de saúde, às casas, revistas constantes, assassinatos e a censura dos comunicadores comunitários. Sofremos muitas violações. A Maré foi laboratório para o que ocorreu no Rio de Janeiro em diversas favelas durante o governo de Michel Temer, em 2017 e 2018”, afirma Gizele Martins.

Estreia do “Cheiro de Diesel” nos cinemas nacionais

O documentário chega aos cinemas brasileiros no dia 2 de abril. A estreia marca o lançamento nacional do longa após sua circulação em festivais e premiações.

A distribuição do filme no Brasil é realizada pela Descoloniza Filmes, responsável por levar a produção ao circuito comercial e a sessões em diferentes cidades do país. Assim, a expectativa é que o documentário amplie o debate sobre os impactos das operações militares em comunidades do Rio de Janeiro. 

Imagem de capa: Divulgação