Curta brasileiro, “Favela Amarela” mistura crítica social e terror inspirado em Robert W. Chambers e conquista espaço em festivais internacionais

O curta-metragem “Favela Amarela” chega ao circuito de festivais com uma proposta que combina terror e crítica social. Dirigido por Thiago Tuchu e Nicolas Lobato, o filme terá sua première mundial no XXII Fantaspoa, um dos principais eventos do gênero na América Latina, que acontece entre 8 e 26 de abril.

A produção aposta em uma narrativa que conecta o horror cósmico ao cotidiano das favelas do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, constrói uma história marcada por tensão, desigualdade e elementos sobrenaturais. O roteiro é livremente inspirado no universo de Robert W. Chambers, autor de “O Rei de Amarelo“, obra que influencia o terror psicológico e fantástico há mais de um século.

Terror e realidade social se cruzam

A trama acompanha Damião, interpretado por Richard Abelha, um estudante de direito que vive na favela e enfrenta dificuldades para manter os estudos. Para pagar a faculdade, ele entra para o tráfico. No entanto, essa decisão o leva a descobrir algo ainda mais complexo.

Favela Amarela - Atores do curta
Richard Abelha, Sain e Giselle Batista | Crédito: Reprodução Instagram/favela.amarela

Durante uma madrugada de plantão, Damião entra em contato com uma organização que se apresenta como ONG. Aos poucos, ele percebe que a entidade esconde uma estrutura mais profunda. Trata-se de uma seita formada por políticos e empresários. O grupo atua sequestrando moradores de comunidades para rituais ligados ao chamado “Rei de Amarelo”.

A narrativa avança, portanto, entre o real e o sobrenatural. Ao mesmo tempo, levanta questionamentos sobre poder, exploração e invisibilidade social.

Elenco e personagens sustentam a narrativa

O elenco reúne nomes como Sain, Giselle Batista e o próprio Richard Abelha. Cada personagem contribui para a construção do conflito central. Sain interpreta Juninho, melhor amigo de Damião. Ele surge como uma figura ambígua, que busca ajudar, mas por caminhos não convencionais. Já Giselle Batista vive Natasha, uma colaboradora da ONG que se aproxima de Juninho com interesses próprios. Essa dinâmica entre os personagens fortalece o desenvolvimento da trama. Além disso, amplia a tensão ao longo da narrativa.

Produzido por Aruska Patricia e Raphael Vieira, o curta também começa a se destacar fora do Brasil. No Halucineia Film Fest, na França, “Favela Amarela” conquistou os prêmios de Melhor Filme de Horror e Melhor Som. Com isso, o projeto ampliou sua visibilidade internacional. Em seguida, foi selecionado para a exibição final do festival na Grécia, reforçando sua presença no circuito global de cinema fantástico.

Estreia no Fantaspoa amplia alcance

A exibição no Fantaspoa, que acontece entre 8 e 26 de abril, marca um novo passo para o filme. O festival é reconhecido por reunir produções de terror, fantasia e ficção científica de diversos países. Nesse contexto, “Favela Amarela” se posiciona como uma produção que dialoga com tendências internacionais do gênero. Ao mesmo tempo, mantém um olhar local, ao situar sua narrativa nas favelas cariocas.

Horror cósmico com identidade brasileira

Ao combinar referências de H. P. Lovecraft e Robert W. Chambers com a realidade social brasileira, o curta propõe uma abordagem híbrida. A ideia é clara: usar o terror como ferramenta de leitura social. Assim, “Favela Amarela” não se limita ao susto ou à estética do gênero. Pelo contrário, utiliza o horror para discutir estruturas de poder e vulnerabilidade. Como resultado, entrega uma narrativa que busca impactar tanto pelo conteúdo quanto pela forma.

Com estreia internacional e reconhecimento em festivais, o filme se consolida como uma das apostas recentes do cinema brasileiro dentro do terror independente.

Imagem de capa: Reprodução Instagram/favela.amarela