Ranking global expõe concentração de audiência, liderança dos EUA e avanço pontual de produções asiáticas e brasileiras na Netflix em 2025

Os números divulgados pela Netflix para o segundo semestre de 2025 ajudam a mapear como o público tem consumido filmes na plataforma. Entre julho e dezembro, o desempenho dos longas revela padrões claros de concentração de audiência, alcance internacional e fortalecimento de produções fora do eixo tradicional de Hollywood. O recorte do período também permite observar quais títulos conseguiram transformar lançamento em impacto global.

Ao analisar os dados de visualizações e horas assistidas, o mais recente Relatório de Engajamento da Netflix evidencia a força dos filmes como peça central da estratégia de engajamento do streaming. Nesse cenário, produções internacionais aparecem como casos específicos de expansão além de seus mercados de origem, indicando movimentos relevantes dentro do catálogo global da plataforma.

Top 10 global concentra visualizações em poucos títulos

Um Maluco no Golfe 2
Cena de “Um Maluco no Golfe 2” | Crédito: Scott Yamano/Netflix

No ranking mundial de filmes mais assistidos do semestre, “Guerreiras do K-Pop” liderou com ampla vantagem. O filme somou 481,6 milhões de visualizações no período, número que o colocou muito acima do restante da lista. O segundo colocado, “Um Maluco no Golfe 2”, registrou 135,1 milhões, uma diferença que se reflete também nas horas assistidas.

Enquanto o líder acumulou 802,6 milhões de horas, o segundo lugar ficou com 265,7 milhões. Esses dois foram os únicos filmes a ultrapassar a marca de 100 milhões de visualizações no período. O terceiro colocado, Frankenstein, alcançou 97,6 milhões, já em um patamar inferior.

A lista segue com títulos majoritariamente dos Estados Unidos. Entre os dez mais vistos, apenas dois filmes não ocidentais figuram no ranking. Brick, da Alemanha, e “A Grande Inundação”, da Coreia do Sul, ambos com 66 milhões de visualizações. A presença pontual indica que produções fora do eixo hollywoodiano ainda são exceção entre os maiores sucessos globais.

Filmes brasileiros ampliam alcance internacional

Leandro Hassum no filme
Família, Pero No Mucho mistura paisagens geladas, ciúmes quentes e muitas confusões | Foto: Netflix/Divulgação

Os filmes brasileiros mantiveram trajetória de crescimento no catálogo global da Netflix no segundo semestre de 2025. De acordo com o Relatório de Engajamento da plataforma, as produções nacionais registraram aumento de 60% nas visualizações globais entre julho e dezembro, reforçando a presença do Brasil entre os mercados que ampliaram alcance internacional no período.

Caramelo foi o principal destaque. Lançado em outubro, o longa se tornou o filme brasileiro mais assistido da história da Netflix. Com 52,9 milhões de visualizações, ocupou a 15ª posição no ranking global semestral de filmes, sendo o título nacional melhor colocado na lista.

O segundo filme brasileiro da lista foi Família, Pero No Mucho, contudo, a produção apareceu na 98ª colocação do ranking geral. Ainda assim, a produção acumulou 17,1 milhões de visualizações no período, confirmando espaço para comédias nacionais no consumo internacional.

Os demais filmes brasileiros surgem a partir da 381ª posição no ranking global, o que evidencia uma concentração de audiência em poucos títulos. Ainda assim, o desempenho de Caramelo e “Família, Pero No Mucho” indica capacidade de algumas produções locais romperem a barreira regional e alcançar públicos fora do país.

Outro dado relevante é o predomínio da comédia entre os títulos nacionais de maior alcance. O gênero dominou o top 5 de filmes brasileiros mais vistos, com exceção de “Caso Eloá: Refém ao Vivo”, que destoou do padrão ao abordar um tema baseado em fatos reais.

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Guerreiras do K-Pop

Guerreiras do K-pop

O filme lidera o ranking da Netflix no segundo semestre de 2025 ao construir sua narrativa no universo da música pop sul-coreana. A trama acompanha um grupo de jovens artistas em fase de treinamento que disputam espaço em um mercado altamente competitivo, marcado por avaliações constantes, contratos rígidos e controle sobre a imagem pública.

Ao longo da história, o filme segue o processo de formação do grupo, desde ensaios exaustivos até apresentações decisivas, enquanto revela os bastidores da indústria musical e as relações de poder entre empresários, treinadores e artistas. Conflitos pessoais emergem à medida que ambições individuais entram em choque com a lógica coletiva exigida pelo sistema, colocando em pauta temas como identidade, pertencimento e limites emocionais diante da pressão por sucesso em escala global.

Um Maluco no Golfe 2

Cena de "Um Maluco no Golfe 2"
Adam Sandler no filme | Crédito: Scott Yamano/Netflix

O filme com Adam Sandler ocupa a segunda posição ao retomar a comédia esportiva que marcou gerações. A continuação acompanha um personagem já conhecido lidando com novas circunstâncias profissionais e pessoais, mantendo o humor físico e situações exageradas como eixo central. O filme se apoia na familiaridade da franquia e no apelo nostálgico para alcançar uma audiência ampla.

Frankenstein

frankenstein netflix
Jacob Elordi no papel do monstro | Crédito: Netflix / Divulgação

Frankenstein aparece em terceiro lugar no ranking ao apresentar uma releitura contemporânea do clássico literário, deslocando seus conflitos centrais para um cenário atual. A narrativa revisita a relação entre criador e criatura sob a ótica da ciência moderna, discutindo limites éticos, ambição intelectual e as consequências de intervenções que ultrapassam o controle humano.

Meu Ano em Oxford

Cena do novo filme da Sofia Carson, Meu Ano em Oxford
Cena do casal protagonista do filme “Meu Ano em Oxford” | Créditos: Reprodução/ Netflix

Meu Ano em Oxford” ocupa a quarta posição do ranking ao ambientar sua narrativa no meio acadêmico internacional. O filme acompanha personagens em um momento de transição pessoal, atravessado por decisões afetivas e profissionais que redefinem seus rumos. Ao usar a universidade como cenário central, a história articula temas como amadurecimento, expectativas individuais e choques culturais, conectando experiências íntimas a um contexto global.

The Old Guard 2

Filmes que lideraram a audiência da Netflix em 2025, do topo global ao Brasil
Charlize Theron e o elenco do filme | Crédito: Eli Joshua Ade/Netflix

The Old Guard 2” ocupa o quinto lugar ao expandir o universo apresentado no primeiro filme. A narrativa retoma o grupo de personagens imortais e desloca a ação para novos cenários internacionais, ampliando a escala dos conflitos. O longa aprofunda as consequências de viver fora do tempo, explorando tensões internas, alianças instáveis e o impacto acumulado de séculos de intervenções. O roteiro investe na continuidade da ação e na expansão da mitologia da franquia, articulando sequências de combate com debates sobre permanência, desgaste e responsabilidade em um mundo em constante transformação.

A Mulher na Cabine 10

"A Mulher na Cabine 10"
Guy Pearce e Keira Knightley no filme | Crédito: Parisa Taghizadeh/Netflix

O filme surge na sexta posição como uma adaptação de suspense literário centrada na percepção e na credibilidade da protagonista. A narrativa acompanha uma jornalista em uma viagem marítima de luxo que afirma ter testemunhado um evento grave, mas encontra resistência ao tentar provar o que viu. O filme constrói sua progressão a partir do isolamento físico e psicológico, explorando a sensação de confinamento e a fragilidade da palavra individual diante de estruturas institucionais. Ao longo do percurso, a investigação se desenvolve em um ambiente controlado, onde cada detalhe ganha peso narrativo e a dúvida se torna motor da trama, tensionando os limites entre realidade, interpretação e descrédito.

A Casa de Dinamite

Casa de Dinamite
Rebecca Ferguson no filme | Crédito: Eros Hoagland/Netflix

O sétimo lugar, estrutura sua narrativa de ação a partir de um cenário de crise que se agrava de forma progressiva. O filme acompanha personagens colocados diante de escolhas imediatas, nas quais cada decisão altera o equilíbrio da situação e amplia os riscos envolvidos. A trama trabalha o contraste entre conflitos externos, ligados à ameaça central, e tensões internas, que expõem limites morais e estratégicos dos envolvidos. O ritmo é conduzido pela escalada dos acontecimentos, com ênfase na reação dos personagens diante da pressão constante e nas consequências diretas de seus atos, mantendo o foco na dinâmica do suspense e na sucessão de eventos que levam ao desfecho.

O Clube do Crime das Quintas-Feiras

O Clube do Crime das Quintas-Feiras
Ben Kingsley, Helen Mirren e Pierce Brosnan | Crédito: Giles Keyte/Netflix

O Clube do Crime das Quintas-Feiras” ocupa a oitava posição ao combinar investigação criminal e humor a partir de uma premissa centrada no cotidiano. O filme acompanha um grupo de idosos que vive em um condomínio residencial e se reúne semanalmente para analisar casos antigos. A rotina muda quando um crime recente acontece próximo a eles, levando o grupo a aplicar seus métodos informais em uma investigação real. A narrativa explora a observação atenta, o acúmulo de experiências e a troca constante entre os personagens, que utilizam memória, intuição e lógica para avançar nas apurações. Ao longo da trama, o filme constrói o mistério por meio de diálogos e situações aparentemente banais, enquanto subverte expectativas ao colocar personagens mais velhos no centro da ação investigativa.

Brick

Matthias Schweighöfer no filme
A direção de Philip Koch captura o desespero e a luta pela sobrevivência | Foto: Netflix/Divulgação

Brick aparece em nono lugar como representante da Alemanha no ranking e aposta em uma narrativa de suspense psicológico centrada no espaço urbano. O filme acompanha personagens que se veem presos a uma situação de confinamento inesperada, na qual a comunicação se torna limitada e a percepção da realidade passa a ser constantemente questionada. À medida que o ambiente se fecha, o medo e a desconfiança se intensificam, levando os personagens a desconfiar uns dos outros e de si mesmos.

A trama se desenvolve a partir de pequenas ações e decisões cotidianas que ganham peso diante da pressão contínua. O isolamento funciona como elemento central da narrativa, enquanto a cidade deixa de ser apenas cenário e passa a atuar como agente de tensão. O filme explora como a paranoia se constrói de forma gradual e como o comportamento humano se transforma quando não há saídas claras, mantendo o foco na instabilidade emocional e nos limites da convivência em situações extremas.

A Grande Inundação

Filmes que lideraram a audiência da Netflix em 2025, do topo global ao Brasil
Kim Da-mi e Kwon Eun-sung no filme | Crédito: Reprodução/IMDB

O filme fecha o top 10 como o único título sul-coreano da lista e se apoia em um cenário de desastre natural para construir sua narrativa. O filme acompanha diferentes personagens comuns cujas rotinas são interrompidas por uma inundação de grandes proporções, que rapidamente transforma espaços urbanos em áreas de risco. À medida que a água avança, as histórias individuais passam a se cruzar, revelando conflitos, escolhas difíceis e a necessidade de cooperação em meio ao caos.

A trama se organiza a partir da resposta coletiva à catástrofe. O filme observa como decisões tomadas sob pressão afetam não apenas a sobrevivência imediata, mas também as relações entre os personagens. A narrativa evita um foco exclusivo na destruição e direciona a atenção para os impactos sociais do desastre, como o colapso de serviços, a disputa por recursos e o surgimento de solidariedade em situações limite. A partir desse recorte, “A Grande Inundação” discute como eventos extremos expõem fragilidades estruturais e testam a capacidade de organização de uma comunidade diante da perda de controle.

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Caramelo

Netflix revela primeiras imagens do filme Caramelo com Rafael Vitti
Rafa Vitti e Amendoim | Créditos: Vans Bumbeers/Netflix

Caramelo se destaca como o filme brasileiro de maior alcance no período (21º no ranking geral) ao acompanhar uma história centrada em relações familiares, deslocamento social e escolhas afetivas. A narrativa se constrói a partir de personagens comuns, inseridos em um contexto urbano reconhecível, e observa como pequenos acontecimentos provocam mudanças profundas na dinâmica familiar. O filme avança ao explorar tensões entre expectativas pessoais e responsabilidades coletivas, articulando conflitos íntimos que dialogam com um público amplo e diverso.

Família, Pero No Mucho

Crítica - Família, Pero No Mucho
Uma comédia brasileira | Foto: Guilherme Laporace/Netflix

Família, Pero No Mucho” aposta na comédia para retratar encontros e desencontros dentro de um núcleo familiar marcado por diferenças culturais e geracionais. A trama gira em torno de relações atravessadas por exageros, mal-entendidos e tentativas de conciliação, usando o humor como ferramenta para discutir pertencimento e identidade.

O filme acompanha a reunião de uma família que precisa conviver por um período limitado sob o mesmo teto após um evento que rompe a rotina de todos. O encontro expõe conflitos antigos, choques de valores e dificuldades de comunicação, enquanto cada personagem tenta afirmar seu espaço. Entre confrontos e reconciliações, a história observa como laços familiares resistem, se reorganizam e se redefinem diante das diferenças.

Caso Eloá: Refém ao Vivo

Imagem do Caso Eloá
Um caso emblemático para o país | Foto: Netflix/Divulgação

Caso Eloá: Refém ao Vivo” se distancia da comédia e se ancora em uma abordagem baseada em fatos reais. O filme reconstrói um episódio que mobilizou o país, acompanhando o desenrolar de uma situação de cárcere privado mediada pela exposição midiática. A narrativa se concentra no impacto da cobertura ao vivo, nas decisões das autoridades e na forma como o espetáculo da informação interfere diretamente nos acontecimentos, levantando questões sobre ética, responsabilidade e limites da mídia.

O longa acompanha, em tempo quase real, as horas de tensão vividas por uma jovem mantida refém, enquanto policiais, familiares, jornalistas e curiosos disputam espaço em torno do caso. À medida que a transmissão contínua amplia a pressão sobre todos os envolvidos, o filme observa como cada decisão, gesto e palavra ganham consequências imediatas, revelando a complexa relação entre segurança pública, audiência e tragédia.

Uma Mulher Sem Filtro

Uma Mulher sem Filtro
Fabiula Nascimento | Crédito: Reprodução/IMDB

Essa comédia constrói sua narrativa a partir de uma transformação radical na postura de sua protagonista. Após um acontecimento que funciona como ponto de virada, ela passa a dizer tudo o que pensa, sem filtros ou concessões, alterando de forma direta suas relações pessoais, familiares e profissionais. A história acompanha os efeitos imediatos dessa franqueza extrema, que expõe conflitos antes velados e provoca reações em cadeia nos ambientes que ela frequenta.

O filme segue uma mulher acostumada a se adaptar às expectativas alheias, até o momento em que decide abandonar qualquer forma de autocensura. Essa mudança gera situações de constrangimento no trabalho, crises em vínculos afetivos e questionamentos sobre limites sociais. À medida que as rupturas se acumulam, a protagonista precisa lidar com as consequências de sua própria honestidade. Além de repensar o que significa liberdade de expressão em um mundo regido por convenções e acordos implícitos.

Uma Advogada Brilhante

Uma Advogada Brilhante
Leandro Hassum no filme | Crédito: Reprodução/IMDB

Uma Advogada Brilhante” desenvolve sua narrativa a partir do cotidiano de uma profissional do Direito em ascensão, que constrói sua carreira em meio a disputas judiciais complexas e pressões constantes. O filme observa como o ambiente jurídico molda comportamentos, decisões e relações, ao mesmo tempo em que expõe os efeitos do trabalho sobre a vida pessoal da protagonista. Ambição, ética e estratégia aparecem como elementos centrais de uma rotina marcada por escolhas que raramente oferecem soluções simples.

Imagem de capa: Netflix/Divulgação