“Ghost in the Cell” é ambientado em um presídio indonésio – o filme estreia no Festival de Berlim e amplia a parceria internacional com o diretor
O cineasta indonésio Joko Anwar prepara a estreia mundial de “Ghost in the Cell”, novo longa-metragem selecionado para a seção Forum do Festival Internacional de Cinema de Berlim. O filme marca mais um passo da carreira internacional do diretor e integra a programação voltada a obras com propostas narrativas e políticas mais experimentais. Recentemente, a produção teve seu teaser internacional divulgado como parte da estratégia de apresentação ao circuito de festivais.
Ambientado em um presídio na Indonésia, o filme combina elementos de comédia e terror para explorar dinâmicas de poder, medo e sobrevivência. A narrativa se concentra em um grupo de detentos que vê sua rotina ser alterada com a chegada de um novo prisioneiro. A partir desse momento, uma entidade sobrenatural passa a atacar aqueles identificados como portadores de uma aura mais sombria, desencadeando uma série de mortes dentro da prisão.
Terror coletivo e instinto de sobrevivência

Em “Ghost in the Cell”, o espaço carcerário funciona como um microcosmo social. O isolamento físico e a vigilância constante ampliam a tensão entre os personagens. À medida que os ataques se intensificam, os detentos percebem que respostas individuais não são suficientes. A ação coletiva surge como única alternativa possível diante da ameaça que se espalha pelas celas.
O roteiro utiliza a estrutura do terror para discutir escolhas morais em situações extremas. O filme evita explicações imediatas e aposta na progressão gradual do conflito. O medo se constrói a partir da convivência forçada e da incapacidade de escapar, elementos recorrentes no cinema de gênero, mas aqui deslocados para um contexto político específico.
Crítica ambiental como eixo temático

Segundo Anwar, o filme articula o sobrenatural a uma questão concreta. O diretor afirma que a história aborda o desmatamento em larga escala na Indonésia e a maneira como a sociedade costuma ignorar esse processo. O fantasma presente na narrativa funciona como metáfora das consequências desse silêncio coletivo. A abordagem insere o filme em uma tradição de obras que utilizam o terror para comentar problemas estruturais contemporâneos.
Essa camada temática dialoga com trabalhos anteriores do cineasta, que frequentemente associam gênero e crítica social. Em “Ghost in the Cell”, essa relação se desenvolve sem abandonar o tom de comédia, criando contrastes entre situações extremas e reações cotidianas dos personagens.
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Produção internacional e elenco
O longa é produzido pela Come and See Pictures, de Jacarta, em colaboração com a Rapi Films, a sul-coreana Barunson E&A e a Legacy Pictures. A Barunson E&A, responsável por Parasita, conduz as vendas mundiais dentro de um acordo de dois anos com a produtora indonésia.
O elenco reúne Abimana Aryasatya, Lukman Sardi, Bront Palarae, Aming, Rio Dewanto, Morgan Oey e Tora Sudiro. A coprodução entre Indonésia e Coreia do Sul tem estreia prevista nos cinemas indonésios no segundo trimestre de 2026, consolidando mais um lançamento internacional na filmografia de Joko Anwar.
Imagem de capa: Reprodução/IMDB
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