Juca de Oliveira estava internado no Hospital Sírio-Libanês desde o dia 13; sua trajetória inclui mais de 30 novelas, peças de teatro e atuação como autor e diretor

O ator Juca de Oliveira (1935-2026) morreu na madrugada de hoje (21), em São Paulo. A informação foi confirmada pela família. O artista estava internado desde o dia 13 de março na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês para tratar uma pneumonia.

Em nota, os familiares informaram que o estado de saúde era delicado e agradeceram as manifestações de solidariedade. O velório será realizado neste sábado, das 15h às 21h, no Funeral Home, na região central da capital paulista. A cerimônia será restrita a amigos e familiares.

Juca de Oliveira construiu uma trajetória de mais de seis décadas no teatro, na televisão e no cinema. Ao longo da carreira, participou de mais de 30 novelas e minisséries, cerca de dez filmes e dezenas de espetáculos teatrais, além de atuar como dramaturgo e diretor.

Juca de Oliveira
Juca de Oliveira recentemente | Crédito: TV Globo/Renato Rocha Miranda

Trajetória começou no teatro e passou pela TV e pelo cinema

José Juca de Oliveira Santos nasceu em 16 de março de 1935, em São Roque, no interior de São Paulo. Antes de seguir a carreira artística, iniciou o curso de Direito na Universidade de São Paulo. Ele também trabalhou em um banco. A decisão de abandonar a graduação ocorreu após um teste vocacional que indicou o teatro como caminho profissional.

A estreia nos palcos ocorreu ainda na década de 1950. Pouco tempo depois, passou a integrar o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), onde participou de montagens importantes e ganhou reconhecimento da crítica. Entre os trabalhos iniciais, destacou-se na peça “A Morte do Caixeiro Viajante”.

Nos anos 1960, o ator também se envolveu com o Teatro de Arena, grupo que teve papel relevante na produção cultural brasileira durante a ditadura militar. Nesse período, participou de atividades ligadas à classe artística e chegou a se exilar na Bolívia após a repressão do regime.

Juca de Oliveira em 1969
Juca de Oliveira, em 1969, ao lado de Geraldo Vietri em “Nino, o Italianinho” | Crédito: Reprodução/IMDB

Mais de 30 novelas e personagem marcante em “O Clone”

A carreira na televisão começou ainda nos anos 1960, com participações em novelas da TV Tupi. O reconhecimento nacional veio em 1969, com a novela “Nino, o Italianinho”. A produção ampliou a visibilidade do ator e abriu espaço para novos trabalhos na TV. Ao longo das décadas seguintes, Juca participou de mais de 30 novelas e minisséries. Entre os principais trabalhos estão “Saramandaia” (1976), “Espelho Mágico” (1977) e “O Clone” (2001).

Em “O Clone”, interpretou o geneticista Dr. Albieri, personagem ligado ao tema da clonagem humana. O papel se tornou um dos mais lembrados da carreira do ator e marcou sua presença na televisão nos anos 2000. O último trabalho na TV foi em 2018, na novela “O Outro Lado do Paraíso”. Depois disso, o artista passou a se dedicar principalmente ao teatro e à escrita de textos.

Atuação como dramaturgo e participação em entidades culturais

Paralelamente à televisão, Juca de Oliveira manteve uma produção constante no teatro. Além de atuar, também escreveu peças e participou de montagens como autor. Entre os textos assinados por ele estão “Caixa Dois” e “Às Favas com os Escrúpulos”. A trajetória inclui ainda cerca de dez longas-metragens e participação em dezenas de espetáculos teatrais. O artista também atuou em funções de representação da classe artística, como a presidência do Sindicato dos Atores de São Paulo.

Além da carreira artística, Juca de Oliveira também passou a integrar a Academia Paulista de Letras. A eleição reconheceu a atuação do artista na produção cultural brasileira ao longo de mais de seis décadas.

Cena de "O Clone"
Juca de Oliveira em “O Clone” | Crédito: TV Globo/Divulgação

Internação e confirmação da morte

Juca de Oliveira estava internado desde o dia 13 de março no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A internação ocorreu após um quadro de pneumonia associado a uma condição cardíaca. A família confirmou a morte na madrugada deste sábado (21). Em comunicado, destacou a trajetória do artista no teatro, na televisão e no cinema. Novas informações sobre homenagens e cerimônias devem ser divulgadas ao longo do dia.

Imagem de capa: Fábio Rocha/TV Globo