Durante o mês de março de 2026, o conflito que engloba o Irã, o estado de Israel e os Estados Unidos se intensificou. Em resumo, a tensão se dá a partir de ataques coordenados nas instalações militares e nucleares iranianas. Além disso, a justificativa compartilhada pela maior potência mundial e por um dos estados mais violentos é o suposto desenvolvimento de armas atômicas pelo Irã.

Mas, para além do conflito atual, uma onda de tensões e combates permeiam a história do país que se localiza no Oriente Médio. Por isso, a iniciativa de compreender a história por meio da arte existe em escala global e suas ramificações contribuem para o processo. Um exemplo disso é a plataforma “Persian, Translated”, que disponibiliza literatura persa e iraniana traduzida para o inglês.

Assim, a editoria de livros decidiu destacar algumas das obras de origem iraniana que explicam de maneira mais acessível o histórico conturbado e complexo que estrutura a história do Irã.

Persépolis”, de Marjane Satrapi

A novela em quadrinhos retrata a infância da autora, seguindo a personagem até seus primeiros anos da vida adulta do Irã. Com o cenário após a Revolução Islâmica, em 1979, em que o país passa de uma monarquia para uma república islâmica teocrática dentro do regime xiita, o livro retrata uma sobrevivência complicada.

A capa de “Persápolis”

Agora vinte e cinco anos mais velha, Satrapi conta a história de uma menininha de dez anos obrigada a usar o véu islâmico dentro de uma sala de aula apenas de garotas. A partir de sua consciência política, a autora destaca esse choque entre uma visão mais moderna do Oriente, a submissão dentro de um regime autoritário e a rebelião.

“Lendo Lolita em Teerã”, de Azar Nafisi

Na obra “Lendo Lolita em Teerã: Memórias de uma resistência literária”, o autor revisita as memórias da época em que atuou como professor de literatura inglesa na Universidade de Teerã, no Irã. Lecionando de 1979 até 1981, Nafisi foi expulsa da faculdade por se recusar a usar o véu dentro da sala de aula.

A capa de “Lendo Lolita em Teerã”

A partir desse encontro com a censura, a autora e professora começou a organizar encontros secretos com sete alunas em sua própria casa. Assim, continuou a apresentar os clássicos da literatura ocidental para as meninas, usando essas leituras para questionar a realidade de uma mulher vivendo em Teerã.

Setembros de Shiraz”, de Dalia Sofer

Neste romance de estréia, Dalia Sofer usa a ficção para recontar a história de sua própria família, que precisou abandonar o país para fugir da Revolução de 1979. Além das suas próprias lembranças, Sofer reúne memórias de pessoas que a cercavam, como do seu pai e de amigos mais velhos. Alguns deles foram testemunhas dos rastros deixados pelo momento político.

A capa de “Setembros de Shiraz”

Em resumo, a narrativa segue o judeu Isaac Amin, que tem sua vida alterada com a Revolução e precisa abandonar sua posição como comerciante de pedras preciosas. Assim, a obra se constrói a partir de sentimentos como o desespero, medo e perda, além de incluir também a história dos filhos de Amin, e como eles lidam com essa falta de estabilidade.

Ainda mais, o livro foi selecionado pelo The New York Times Sunday Review como um dos 100 mais notáveis publicados em 2007. Até hoje, ele segue sendo uma referência em como a literatura de ficção pode traduzir sentimentos reais e essenciais em um conflito sócio político.

Indicações literárias na era digital

Um dos lados positivos do acesso às redes sociais é como a propagação das informações se dá de forma automática. Em redes sociais como o TikTok e o X, são diversas as indicações de leituras que contextualizam o conflito ou recontam ele por meio da ficção.

Se as condições para um futuro mais justo parecem cada vez mais nebulosas, talvez a juventude encontre a esperança para seguir em frente na literatura. Ler sobre o conflito já é um passo importante em direção a um tempo de maior paz e segurança em escala mundial.

Imagem de capa: Folha de S.Paulo