Estado ocupa a segunda posição em número de selecionados no festival internacional, que qualifica curtas-metragens para a disputa ao Oscar®

Dez produções mineiras conquistaram uma vaga no 35º Festival Curta Cinema. O evento acontece de 25 de março a 1º de abril, no Estação NET Rio. Com essa marca, Minas Gerais garante o segundo lugar entre os estados com mais selecionados na mostra, atrás apenas do Rio de Janeiro. O festival possui o selo Oscar® Qualifying, o que torna os filmes vencedores elegíveis para a disputa da estatueta da Academia. A curadoria do evento analisou mais de 5.600 produções de 33 países para definir a programação final.

A força mineira no cenário do festival

A curadoria realizou uma triagem minuciosa entre o recorde de 2.500 filmes brasileiros inscritos. Esse volume reflete, efetivamente, o crescimento exponencial da produção nacional contemporânea. Nesse contexto, a marca mineira sobressai pela qualidade técnica, além de destacar-se pela profundidade de suas narrativas. Os dez títulos selecionados não ocupam apenas a grade de exibição, pois também reforçam a identidade do cinema feito em Minas Gerais. Consequentemente, o estado amplia sua visibilidade, transformando cada exibição em uma oportunidade, tanto de diálogo quanto de inovação para o futuro do audiovisual.

Diversidade e ancestralidade nas telas

Os curtas mineiros ocupam diferentes seções competitivas, mesclando o cotidiano à identidade cultural. Na Competição Nacional, quatro obras investigam o real e o simbólico. “Brincando?”, de Miller Martins e Gabriel Goulart, captura o improviso infantil, enquanto “Capitã Iracema”, de Dani Drumond e Marcio Martins, explora a espiritualidade e os tambores da Festa de Nossa Senhora do Rosário. “Minhocuçu”, de Lucas Campos e Leonardo Branco, defende modos de vida tradicionais, ao passo que “Cabeça de Boi”, de Lucas Zacarias, discute o peso da estagnação através de uma lente misteriosa.

Cena dos curtas Brincando? e Capitã Iracema em exibição no festival de cinema
Crédito: Divulgação

Novos olhares e o futuro do evento

A Competição Primeiros Quadros traz um frescor necessário para a programação. Bruna Simões conduz, em “Acho Que Vivo Uma Constante Saudade”, uma reflexão sensível sobre a memória, da mesma forma que Lucas Borges, em “Pequeno B”, retrata a coragem em um duelo infantil. Paralelamente, Mateus Compart entrega“TV Entreaberta”. A obra explora a relação surreal entre o espectador e o aparelho, visto que questiona os limites entre a realidade e a tela. Essas produções, somadas à mostra Memória Revelação, reafirmam o papel do evento como guardião de tradições afro-brasileiras.

Impacto social e prestígio internacional

O festival amplia o debate educacional com a Sessão Escolas. “Não é Sobre Pastéis”, de Tiago Ribeiro de Carvalho, expõe abismos sociais em instituições de elite, ao mesmo tempo em que “Zacimba Gaba: a Princesa de Cabinda“, de Thiago Fernandes Coelho, resgata a trajetória de uma líder histórica da resistência negra. Esse conjunto de obras reforça a relevância do Curta Cinema. Por meio dessa seleção, o evento conecta o cinema regional aos circuitos internacionais, bem como projeta novos talentos brasileiros e reafirma o compromisso do audiovisual com a transformação social.

Foto de capa: Divulgação

Estagiária sob supervisão de Mário Guedes