A ficção científica é um dos gêneros mais populares na literatura. Ao longo das décadas, ela conquistou leitores com histórias que vão muito além de serem somente ambientadas no espaço ou em futuros distópicos. Afinal, o gênero também questiona estruturas sociais, avanços científicos e os limites éticos do progresso.
Dessa forma, o autor e pesquisador Nelson Job compartilhou sua lista dos melhores livros de ficção científica. Seja para quem está iniciando a leitura no gênero, ou procurando novas obras. Nelson é autor de romances como Druam e Pulsares, ambientados no chamado Druamverso, e propõe um percurso crítico pela ficção científica.
Em vez de apenas indicar títulos, Nelson comenta cada obra e destaca seus principais eixos filosóficos e políticos.
Confira a lista completa:

Crédito: Montagem realizada pelo Canva | Foto: Marcos Ferreira
1. VALIS – Philip K. Dick
Para Nelson Job, VALIS representa a apoteose da obra tecno-paranoica de Philip K. Dick. No romance, o autor mistura autobiografia, misticismo e teoria da conspiração ao narrar a experiência de Horselover Fat.
O personagem é alter ego do próprio Dick, que recebe uma revelação divina por meio de um feixe de luz cor-de-rosa. A obra questiona a ideia de que “o Império nunca acabou”.
2. Fundação – Isaac Asimov
Considerada a obra máxima de Asimov, Fundação apresenta a teoria da psico-história criada por Hari Seldon. Sendo assim, a partir dela o autor discute os limites da previsão científica e o impacto do livre-arbítrio na história da humanidade.
Além disso, o romance dialoga com o clássico Declínio e queda do Império Romano, de Edward Gibbon, ao retratar a ascensão e a decadência de impérios em escala galáctica.
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3. Canção para desabar o mundo – Brian Evenson
Entre os autores contemporâneos, Nelson destaca Brian Evenson como um dos mais originais. Na coletânea, o escritor mistura horror cósmico e ficção científica para criar narrativas marcadas pela paranoia ontológica.
Nada é exatamente o que parece. Corpos se tornam instáveis, identidades se fragmentam e o mundo entra em colapso silencioso, provocando desconforto constante no leitor.
4. Solaris – Stanislaw Lem
Em Solaris, Stanislaw Lem apresenta um planeta coberto por um oceano possivelmente inteligente que materializa memórias reprimidas dos cientistas que o estudam.
Para Nelson, a força do romance está na reflexão sobre alteridade e fracasso humano na tentativa de compreender o outro. Dessa forma, o livro investiga os limites da consciência.
5. Na colônia penal – Franz Kafka
Embora nem sempre associado ao gênero, Kafka integra a lista por antecipar, em chave alegórica, um mundo cada vez mais maquínico. No conto “Na colônia penal”, uma máquina de tortura grava a sentença no corpo do condenado.
A narrativa funciona como crítica aos sistemas burocráticos e ao poder desumanizador da técnica.
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6. A possibilidade de uma ilha – Michel Houellebecq
Outro nome fora do nicho tradicional da sci-fi, Houellebecq aparece na seleção por abordar niilismo biotecnológico. Além disso, em sua narrativa de “A possibilidade de uma ilha” também trata da crise do desejo que atravessa diferentes tempos.
O romance discute clonagem, solidão e decadência cultural, ampliando os horizontes do gênero.
7. Neuromancer – William Gibson
Clássico do cyberpunk, Neuromancer consolidou o conceito de “ciberespaço” e influenciou diretamente obras como Matrix. William Gibson mistura cultura hacker, estética noir e colapso identitário no livro.
A história acompanha Case, hacker impedido de acessar a matrix, que se envolve em uma missão capaz de redefinir sua percepção da realidade.
8. Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley
Para Nelson, o romance de Huxley permanece atual ao retratar uma sociedade organizada por engenharia genética, consumo e condicionamento psicológico.
Ao criticar autoritarismo, industrialização e culto à técnica, o livro funciona como alerta sobre os riscos do progresso desvinculado de valores humanistas.
9. Máquinas como eu: e gente como vocês – Ian McEwan
Ambientado em uma versão alternativa da década de 1980, o romance apresenta humanos sintéticos convivendo com pessoas comuns.
A partir do triângulo entre Charlie, Miranda e o robô Adão, McEwan discute ética, inteligência artificial e dilemas morais que ecoam debates contemporâneos.
10. There Is No Antimemetics Division – Qntm
Baseado no universo colaborativo da Fundação SCP, o “There Is No Antimemetics Division” acompanha uma divisão secreta que combate entidades capazes de se apagar da memória humana.
Ao explorar os limites entre informação e realidade, a obra encerra a lista com uma reflexão radical sobre o próprio ato de lembrar.
Imagem de capa: Marcos Ferreira
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