De aparição breve a ícone do horror, a noiva de Frankenstein voltou a ganhar espaço em diferentes filmes e releituras ao longo da história do cinema

Poucas figuras do terror clássico possuem uma presença tão marcante quanto a noiva de Frankenstein. Mesmo com pouco tempo em cena, a personagem criada a partir do universo de Frankenstein, de Mary Shelley (1797-1851), tornou-se um símbolo duradouro da cultura pop. 

Sua primeira aparição no cinema aconteceu em “A Noiva de Frankenstein” (1935), sequência direta de “Frankenstein” (1931). Desde então, o visual da criatura: cabelo marcado por mechas brancas e expressão assustada, passou a representar uma das imagens mais reconhecíveis do horror clássico.

Ao longo das décadas, no entanto, a noiva deixou de ser apenas uma coadjuvante da narrativa do monstro. Gradualmente, diferentes produções passaram a revisitar a personagem e ampliar sua presença nas histórias. Em alguns casos, ela surge como releitura do mito original. Em outros, aparece como referência direta ao cinema da Universal dos anos 1930. Dessa forma, a criatura passou a ocupar novos espaços em filmes de terror, comédia e até animação, refletindo mudanças na forma como o gênero dialoga com seus próprios ícones.

Esse movimento também revela um fenômeno recorrente em Hollywood: a revisitação de personagens clássicos para novas gerações. O legado da noiva de Frankenstein continua sendo reinterpretado por diretores, roteiristas e estúdios interessados em atualizar o imaginário do horror. Por isso, diversas produções ao longo do tempo voltaram a dar espaço à personagem. 

A seguir, relembramos alguns filmes que ajudaram a manter viva a presença dessa figura histórica do terror no cinema.

Livro – “Frankenstein” (1818)

Cena do filme Frankenstein.
Cena do filme Frankenstein. Crédito: Hammer Flimes

A noiva de Frankenstein surgiu pela primeira vez no romance Frankenstein, publicado em 1818 por Mary Shelley. Na obra original, a personagem não chega a ganhar vida, mas ocupa um papel central no conflito da narrativa. Pressionado pelo próprio monstro que criou, o cientista Victor Frankenstein é obrigado a considerar a criação de uma criatura feminina que pudesse servir como companheira para o ser rejeitado pela sociedade. 

Assim, a ideia de uma “noiva” nasce como uma tentativa de evitar que a criatura permaneça sozinha e violenta. No entanto, enquanto avança em seu experimento, Victor passa a refletir sobre as possíveis consequências de sua decisão. Ele teme que a criação de uma segunda criatura possa levar ao surgimento de uma nova espécie capaz de ameaçar a humanidade. 

Diante dessa possibilidade, o cientista decide destruir a companheira antes mesmo de concluí-la. A atitude provoca a fúria do monstro e desencadeia um ciclo de vingança que se torna um dos momentos mais marcantes da história de Frankenstein.

Filme – “A Noiva de Frankenstein” (1935)

A Noiva de Frankenstein
Elsa Lanchester | Crédito: Archive Photos/Getty Images

No romance Frankenstein, publicado em 1818, a noiva aparece apenas como parte de uma subtrama e sequer chega a ganhar vida. Ainda assim, a personagem ganharia projeção décadas depois no cinema. Isso ocorreu com o lançamento do filme “A Noiva de Frankenstein”, de 1935, no qual foi interpretada por Elsa Lanchester (1902-1986). 

A adaptação consolidou a figura na cultura pop e apresentou o visual que se tornaria icônico: o penteado cônico com listras brancas em forma de raios nas laterais. Na trama do longa, o cientista Henry Frankenstein é pressionado por seu antigo mentor, Doutor Septimus Pretorius, a criar uma companheira para o monstro. O plano prevê uma divisão de tarefas: Henry construiria o corpo, enquanto Pretorius forneceria um cérebro cultivado artificialmente. 

Ao mesmo tempo, a narrativa mostra que Frankenstein pretende abandonar suas experiências. No entanto, o cientista muda de ideia após o sequestro de sua esposa por Pretorius. A criação da nova criatura avança, mas o encontro entre ela e o monstro termina em rejeição: ao despertar, a mulher entra em pânico ao vê-lo pela primeira vez.

Quadrinhos da DC – Sete Soldados da Vitória (2006)

A Noiva de Frankenstein - DC
Nos quadrinhos ela ganhou uma nova roupagem | Crédito: Divulgação

A personagem ganhou uma nova interpretação no universo da DC Comics a partir da minissérie Sete Soldados da Vitória, publicada em 2006. Embora Frankenstein já aparecesse nas histórias da editora desde a década de 1940, sua companheira só foi introduzida nessa reformulação moderna criada por Grant Morrison e desenhada por Doug Mahnke. 

A trama acompanha sete heróis que, mesmo sem se encontrarem diretamente, acabam impedindo uma invasão alienígena vinda do futuro. Nesse contexto, Morrison apresenta uma versão mais próxima dos heróis pulp para o monstro clássico, ampliando seu papel dentro da narrativa.

Nesse novo cenário, a personagem surge como Lady Frankenstein, também chamada de Noiva. Ela atua como agente da organização SOMBRA e mantém um passado em comum com Frankenstein. No entanto, sua relação com a criatura é marcada por rejeição. Criada pelo cientista Victor Frankenstein para ser companheira do monstro, ela decide seguir seu próprio caminho. 

Após os eventos ligados à suposta morte da criatura no Ártico, a personagem passa a vagar pelo mundo. Em determinado momento do século XX, ela é capturada por um vilão, que realiza uma lavagem cerebral e enxerta dois braços extras nela para transformá-la em uma falsa encarnação da deusa Kali. A situação só é controlada quando agentes da SOMBRA intervêm. 

Filme – Pobres Criaturas (2023)

POBRES CRIATURAS POOR THINGS
Emma Stone no filme | Crédito: Divulgação

O filme “Pobres Criaturas” apresenta uma releitura moderna inspirada em Frankenstein. Dirigido por Yorgos Lanthimos (Bugonia) e produzido por Emma Stone, que também protagoniza a história, o longa acompanha Bella Baxter, uma jovem trazida de volta à vida por meio de um experimento científico. 

Ambientada na Era Vitoriana, a narrativa apresenta a personagem como uma criatura reconstruída pelo doutor Godwin Baxter, interpretado por Willem Dafoe. Para realizar o experimento, o cientista substitui o cérebro da mulher pelo do filho que ela ainda não havia dado à luz, criando uma nova vida marcada por descobertas e questionamentos sobre a própria existência.

A partir desse ponto, Bella decide explorar o mundo além da casa do cientista. Ela foge e inicia uma jornada por diferentes lugares, acompanhada por um advogado interpretado por Mark Ruffalo. Durante essa viagem, a personagem busca autonomia e passa a confrontar normas sociais de sua época. 

A narrativa coloca a criatura feminina no centro da história, explorando sua formação intelectual, seus desejos e sua relação com a liberdade. Além de Stone, Dafoe e Ruffalo, o elenco reúne nomes como Jerrod Carmichael, Ramy Youssef, Christopher Abbott, Margaret Qualley, Kathryn Hunter, Suzy Bemba e Wayne Brett, ampliando o universo da história e suas diferentes perspectivas.

Animação – Comando das criaturas (2024)

Comando das Criaturas episodio 7
Esposa de Frankenstein na animação | Crédito: Reprodução/IMDB

A série animada “Comando das Criaturas” marca o início do novo Universo DC nas produções televisivas. Baseada na equipe da DC Comics, a produção é desenvolvida pela DC Studios e pela Warner Bros. Animation. A história acompanha Amanda Waller, interpretada por Viola Davis, que reúne um grupo de operações especiais formado por criaturas e super-humanos. 

Entre os integrantes está a Noiva do Frankenstein, dublada por Indira Varma. A equipe também inclui Rick Flag Sr. (Frank Grillo), Nina Mazursky (Zoë Chao), Doctor Phosphorus (Alan Tudyk), Eric Frankenstein (David Harbour), Doninha e G.I. Robot (Sean Gunn).

Na trama, Amanda Waller cria uma força secreta para executar missões consideradas perigosas demais para agentes tradicionais. Assim, o “Comando das Criaturas” assume operações clandestinas e de alto risco. A presença da Noiva do Frankenstein reforça o tom híbrido da narrativa, que mistura monstros clássicos e personagens militares. 

Ao mesmo tempo, a série inaugura o Capítulo Um: Deuses e Monstros, a primeira fase do novo DCU. O projeto é supervisionado por James Gunn e Peter Safran. Além disso, a produção já prevê futuras adaptações em live-action, mantendo o mesmo elenco de vozes. 

Filme – A Noiva! (2026)

Análise do trailer de "A Noiva!"
Jessie Buckley em “A Noiva!” | Crédito: Reprodução/IMDB

O filme “A Noiva!” propõe uma releitura do universo de Frankenstein de Mary Shelley, mas desloca o foco da narrativa para a figura da criatura feminina. Dirigido por Maggie Gyllenhaal, o longa apresenta a noiva como centro da história.

Interpretada por Jessie Buckley (“Hamnet”), a personagem surge como uma mulher ressuscitada para atender ao desejo do Monstro, vivido por Christian Bale (“Psicopata Americano”). No entanto, a narrativa indica que ela não aceita permanecer apenas como complemento da criação original. Após renascer, a noiva observa o mundo ao seu redor e questiona o papel que lhe impuseram.

Além disso, o filme acompanha o processo de descoberta da personagem. Em vez de se limitar ao horror da ressurreição, a história explora identidade, autonomia e desejo. Ambientado na Chicago dos anos 1930, o longa combina elementos de terror, romance, thriller policial e musical. 

Ao mesmo tempo, a presença da cientista interpretada por Annette Bening (“Nyad”) sugere um debate sobre ciência, controle e consequências da criação. Dessa forma, “A Noiva!” apresenta a criatura feminina como protagonista de sua própria trajetória, ampliando o papel tradicional da noiva dentro do mito de Frankenstein.

Imagem de capa: Reprodução/IMDB