“O Arcano da Reprodução” detalha características vida feminina. Obra é clássico do feminismo italiano
O “Arcano da Reprodução: donas de casa, prostitutas, operários e capital”, ganha uma adaptação pela Boitempo Editorial. A partir de 17 de fevereiro, a editora disponibiliza os exemplares em seu site para quem desejar adquirir.
A obra, publicada originalmente em 1981, é de autoria de Leopoldina Fortunati e ganha uma adaptação para o português em 2026. Com uma análise da representatividade feminina na sociedade, Leopoldina reconhece o trabalho atribuído às mulheres, de reprodução e cuidados com o lar, como no mesmo nível de força e importância que o trabalho operário.
Ela destrincha os papéis femininos como um dos pilares que mantêm o fluxo da sociedade. Visto que são as mulheres que “produzem” os operários para as fábricas. Desse modo, essa análise do século passado conversa com as dificuldades do século XXI. Com uma sociedade ainda fechada a mudanças e um esforço constante para que as mulheres possam decidir e ter reconhecido o seu próprio espaço.
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Impacto nos dias atuais
Em um cenário contemporâneo de busca por reconhecer o valor das mulheres dentro e fora do ambiente doméstico, “O Arcano da Reprodução” continua a dialogar com o ajuste da visão a respeito deste encaixe. Visto que, inseridas no meio capitalista de forma direta e indireta, as mulheres ampliam sua participação na ‘roda’ que impulsiona a sociedade. Dessa forma, ainda sem reconhecimento pelo trabalho interno (doméstico), são perpetuadas pela ignorância social de desvalorização da sua força de trabalho.
A seguir, um trecho do livro que pinta o cenário ainda em processo de análise e aceitação social, em contraponto às colocações de Karl Marx, que desmerecia tal importância:
No terreno da reprodução, de fato, há duas classes em confronto: a dos capitalistas e aquela formada por duas frações de classe que são, de um lado, as operárias da casa e, de outro, as operárias do sexo. É justamente dessa complexa condição da trabalhadora livre como capacidade de reprodução que deriva, como mencionamos no início, a contradição particular da condição feminina na sociedade capitalista.
TRECHO DE “O ARCANO DA REPRODUÇÃO”
Sobre a autora
Leopoldina Fortunati nasceu em 1949 na Itália. Feminista, teórica e socióloga, se aprofundou nos estudos de gênero. Inclusive, tem extensa atuação social na Itália, representando o país no Comitê Técnico de Ciências Sociais e Humanas da COST e na ação COST A20 “O Impacto da Internet na Mídia de Massa na Europa”. Dentre outras atividades de revisão, workshops, conferências e associações internacionais.
Imagem de capa: Boitempo Editorial
Estagiária sob supervisão de Anna Flávia Lopes