Do luto ao desejo, o sexto livro dos Bridgertons revela a história mais intensa da família, e a que mais deve mudar na Netflix

Em “O Conde Enfeitiçado”, o sexto livro da série Os Bridgertons, os fãs da família fictícia mergulham na história de Francesca Bridgerton, uma das filhas do meio. Com uma das abordagens mais explícitas de amor, intimidade e vulnerabilidade, o livro virou um dos favoritos da legião de leitores.

Apesar de essa ser a sexta instalação da saga, a adaptação do livro acontecerá na quinta temporada da série da Netflix, que está prevista para estrear em 2027. Além disso, essa leva de episódios vai lidar com diferenças significativas em relação ao material original, uma vez que, na obra audiovisual, Michael é na verdade Michaela. Essa mudança dialoga com o compromisso da série em promover a diversidade.

“O Conde Enfeitiçado” é o sexto livro da série

A obra conta a história de Francesca e seus dois amores – John Stirling e, no futuro, seu primo, Michael Stirling. Quando John morre de maneira inesperada, Francesca perde um parceiro de vida, seu primeiro amor e um grande ponto de segurança na vida. Diferente de seus irmãos, ela sempre foi mais quieta e introspectiva, prezando pelo seu tempo sozinha. Por isso, ao se casar, decidiu se afastar da família e ir morar na Escócia.

No entanto, o ponto de partida do livro, que é narrado pelo próprio Michael, é justamente a morte inesperada de John. A partir da ausência do conde, Francesca precisa aprender a lidar com o luto e com todos os sentimentos que ele desperta. Ainda mais, o par deve encontrar um espaço para assimilar os sentimentos que sentem um pelo outro.

O livro segue a mesma linha de narração dos anteriores, com uma narração em terceira pessoa e abordando os pontos de vistas dos protagonistas, Francesca e Michael. Um destaque interessante é como a obra se divide em duas partes: a primeira retrata o passado, a partir da interação entre os personagens com o falecido John. Já a segunda parte conta a história de Francesca e Michael, anos depois da experiência traumatizante.

Francesca e Michael redescobrem o amor

Ao passo que Frannie (o apelido de Francesca) vive uma relação potente e que se funda no amor, Michael tem seu mundo virado de cabeça para baixo quando a mesma entra na vida da família Stirling. Assim, o primo remou uma culpa pelos seus próprios sentimentos que o acompanha ao longo do livro.

Capa de “O Conde Enfeitiçado” | Crédito: Montagem por Eduarda Goulart

Por outro lado, Francesca também está lutando suas próprias batalhas, já que descobre estar grávida ao mesmo tempo que perde seu marido. Seu sonho de ser mãe entra em conflito com seus traumas, e ela acaba perdendo seu bebê em ponto decisivo do livro. Isso acontece ao mesmo tempo que Michael, como parente mais próximo de John, assume seu título de conde de Kilmartin.

Em meio aos sentimentos conflitantes que surgem em função do luto e da repressão que os dois praticam, o par decide se afastar e passam quatro anos distantes um do outro. Enquanto Michael decide morar na Índia, Francesca se prepara para encontrar um novo marido.

Na segunda parte do livro, os dois se reencontram em Londres, agora mais velhos mas ainda não prontos para lidar com as complexidades da relação. Apesar das idas e vindas, das discussões e declarações calorosas, o par finalmente decide dar uma chance para uma relação complicada, e a troca de carinhos e intimidades saem das páginas e conquistam todos os leitores.

Como a história vai mudar para Francesca e Michaela?

Além da exploração de culpa em um romance, que já é interessante por si só, a série tem a chance de abordar como os sentimentos se intensificam em uma relação sáfica. Ao narrar o romance entre duas mulheres em uma sociedade que, apesar de utópica, ainda é discriminatória, a série tem um novo oceano de possibilidades.

Em pronunciamento nas redes sociais, a autora Julia Quinn destaca como sua posição diante ao esforço de tornar a série mais inclusiva sempre foi a mesma – celebratória e positiva. Apesar de uma reação mista do público fiel aos livros, a autora explica:

“Eu peço que vocês garantam a mim, e ao time da Shondaland, um pouco de fé enquanto nós movemos adiante. Acho que vamos acabar com duas histórias diferentes – a da tela, e a da página –, mas ambas serão lindas.”

Imagem de capa: Reprodução/The Daily Gazette