Longa-metragem reconta os bastidores da ascensão de Vladimir Putin durante a queda da União Soviética

O Mago do Kremlin” promete ser uma grande viagem para a Rússia de 1990! Protagonizado por Jude Law e Paul Dano, o longa-metragem chega aos cinemas brasileiros em 09 de abril. 

O enredo propõe um thriller político ambientado no Kremlin, durante a queda da União Soviética. Dessa forma, mergulha nos bastidores da construção de poder da época ao contar a história de Vadim Baranov (Paul Dano). Baranov é um estrategista de comunicação fictício que atua como peça-chave na ascensão de Vladimir Putin (Jude Law).

Olivier Assayas é o cineasta que assina a direção do filme, tendo o roteiro adaptado do romance homônimo escrito por Giuliano da Empoli. A produção estreou no 82º Festival Internacional de Cinema de Veneza, onde foi indicada ao Leão de Ouro.

“O Mago do Kremlin” mistura ficção e fatos históricos 

Paul Dano interpreta Vadim Baranov em "O Mago do Kremlin" | Crédito: Divulgação
Paul Dano interpreta Vadim Baranov em “O Mago do Kremlin” | Crédito: Divulgação

Embora Vadim Baranov não seja uma figura real, representa os estrategistas que ajudaram a moldar lideranças políticas usando, por exemplo, a mídia e a manipulação de imagem. Vadin é inspirado em Vladislav Surko, conhecido como o principal responsável por estruturar o sistema político centralizado e altamente controlado durante o governo Putin. 

Durante uma coletiva de imprensa em 2025, Olivier comentou que o longa aborda como a política moderna foi inventada. Dessa forma, é um filme sobre política:

“O que está acontecendo agora não é apenas aterrorizante, mas é ainda mais aterrorizante pelo fato de que não encontramos a resposta.”, comentou o diretor.

Nesse contexto, a trama acompanha a transição de um artista e produtor de TV para alguém que passa a operar nos bastidores do Kremlin. Assim, o filme levanta discussões sobre narrativa política e o papel da comunicação na consolidação de poder.

Jude Law se destaca em sua caracterização como Vladimir Putin

Jude Law interpreta Vladimir Putin em "O Mago do Kremlin" | Crédito: Divulgação/Montagem de fotos realizada pelo autor
Jude Law interpreta Vladimir Putin em “O Mago do Kremlin” | Crédito: Divulgação/Montagem de fotos realizada pelo autor

Um dos assuntos mais comentados sobre o longa-metragem é a caracterização de Jude Law. Desde a estreia do longa-metragem no Festival de Veneza, o ator destaca a importância da equipe de maquiagem, figurino e cabelo para composição do personagem. Law também utilizou próteses para viver o presidente da Rússia.

“Em um projeto como este, você conta com uma equipe realmente ótima construindo belos cenários, colocando todos aqueles detalhes nos figurinos, no cabelo e na maquiagem. Tudo é pensado e tudo, claro, facilita muito o nosso trabalho.”, contou Jude Law.

Além disso, o ator também compartilhou que a imersão ao período do filme foi tão real que durante as filmagens realmente se sentia vivendo naquela época. Para Dano, o roteiro foi um dos principais atrativos do projeto.

“O Mago do Kremlin” não se concentra apenas em eventos históricos, mas sim nos mecanismos invisíveis que sustentam o poder. Dessa forma, o longa aposta em uma abordagem mais psicológica e estratégica, focando na construção de narrativas e na influência da mídia.

“O roteiro era extremamente envolvente, e ainda é. Curiosamente, o acho ainda mais relevante agora do que quando o li pela primeira vez”, afirmou Paul Dano.

Olivier Assayas se inspirou no livro de Giuliano da Empoli

Para construir a atmosfera russa, o diretor teve como principal inspiração adaptar o romance “O Mago do Kremlin”, de Giuliano da Empoli, publicado em 2022. Mais do que recontar a ascensão de Vladimir Putin, o autor constrói uma reflexão sobre como o poder moderno se sustenta na manipulação de percepções. 

Em entrevista ao Diário de Notícias, da Empoli ressaltou que para compreender a Rússia atual é necessário olhar para o período pós-soviético. Naquele período, a Rússia passava por um grande momento de instabilidade e perda de referências por parte da população russa:

“Eu acho que os russos ainda têm dois sentimentos com que ficaram nos anos 1990, um é que a democracia gera o caos e o segundo é que o Ocidente irá se aproveitar do seu caos e da sua fraqueza. Estas duas coisas ainda estão presentes atualmente na Rússia e penso que vêm dos anos 1990.”

Giuliano de Empoli enfatiza que a história é um romance. Dessa forma, “não é uma análise geopolítica e, por isso, tem que mostrar as coisas, explicá-las ou elaborar grandes teorias.”

Confira o trailer de “O Mago do Kremlin”

Imagem de capa: Divulgação