Da primeira ligação em Woodsboro ao retorno de Sidney Prescott, “Pânico 7” revisita traumas, máscaras e reviravoltas antes do novo capítulo

Desde 1996, a franquia “Pânico” redefiniu o slasher ao misturar terror, humor ácido e metalinguagem. Criada por Wes Craven e Kevin Williamson, a saga transformou o assassino Ghostface em um ícone da cultura pop e fez do “Quem é o culpado?” parte essencial da experiência. Agora, com “Pânico 7” prestes a chegar aos cinemas, o público reencontra personagens históricos e precisa revisitar os principais acontecimentos que moldaram essa história de mortes, traumas e sobrevivência.

Ao longo de seis filmes, “Pânico” acompanhou diferentes gerações lidando com a herança de Woodsboro, sempre atualizando suas regras para dialogar com o cinema da época. A seguir, relembramos os momentos-chave da franquia, os assassinos revelados e os personagens que se tornaram centrais para entender o novo capítulo.

Pânico 7
7º filme da franquia chega aos cinemas no fim do mês | Crédito: Reprodução/IMDB

“Pânico” (1996): o nascimento de um ícone do terror moderno

O primeiro “Pânico” apresenta Woodsboro, uma pequena cidade marcada por um assassinato brutal que inaugura uma nova onda de crimes. No centro da história está Sidney Prescott (Neve Campbell), uma adolescente que ainda lida com o trauma do assassinato da mãe, Maureen Prescott, ocorrido um ano antes. Enquanto tenta retomar a rotina escolar, Sidney passa a receber ligações ameaçadoras de um assassino mascarado que desafia as vítimas com perguntas sobre filmes de terror.

Ao seu redor estão personagens que se tornariam pilares da franquia. Gale Weathers (Courteney Cox), jornalista ambiciosa, explora o caso de Maureen em busca de notoriedade. Dewey Riley (David Arquette), policial local ingênuo e bem-intencionado, tenta manter a ordem em meio ao caos. A revelação final de que os assassinos são Billy Loomis (Skeet Ulrich), namorado de Sidney, e Stu Macher (Matthew Lillard), seu amigo, estabelece o tom da saga: ninguém está totalmente seguro. Billy age movido por vingança, culpando Maureen pela separação de seus pais, enquanto Stu representa a violência banalizada.

"Pânico"
Neve Campbell em “Pânico” | Crédito: Reprodução/IMDB

“Pânico 2” (1997): sobreviver não encerra o pesadelo

Dois anos depois, Sidney tenta recomeçar a vida na universidade. No entanto, os assassinatos retornam, agora inspirados no filme “Stab“, baseado nos crimes de Woodsboro. O terror deixa de ser local e ganha escala midiática, refletindo a exploração comercial da violência. Sidney, mais desconfiada e emocionalmente endurecida, passa a questionar se é possível escapar do papel de sobrevivente eterna.

Os assassinos revelados são Mickey Altieri (Timothy Olyphant), colega de faculdade obcecado por fama, e Debbie Salt, que na verdade é Nancy Loomis (Laurie Metcalf), mãe de Billy. A motivação se divide entre notoriedade e vingança, reforçando o tema de ciclos de violência. Gale Weathers consolida sua presença como figura pública, enquanto Dewey continua sendo o elo humano da história. O filme aprofunda o impacto psicológico do trauma e discute a espetacularização da morte.

Jada Pinkett Smith
Jada Pinkett Smith em “Pânico 2” | Crédito: IMDB/Reprodução

“Pânico 3” (2000): origem, controle e manipulação

Ambientado em Hollywood, “Pânico 3” desloca a narrativa para os bastidores da indústria cinematográfica durante as filmagens de “Stab 3“. Sidney vive isolada, trabalhando sob outra identidade, tentando se proteger do passado. O filme mergulha diretamente na história de Maureen Prescott (Lynn McRae), revelando segredos ligados à sua vida em Los Angeles e à forma como foi explorada e silenciada.

O assassino é Roman Bridger (Scott Foley), diretor do filme dentro do filme e meio-irmão de Sidney. Ele se apresenta como o verdadeiro arquiteto do caos, alegando ter manipulado Billy Loomis anos antes. Roman representa a obsessão pelo controle narrativo e pela autoria da violência. O capítulo encerra a trilogia original ao conectar todas as pontas da mitologia da franquia, com Sidney finalmente confrontando a raiz de sua dor.

"Pânico 3"
Cena do terceiro filme | Crédito: Reprodução/IMDB

“Pânico 4” (2011): fama, redes sociais e a nova geração

Anos depois, Sidney retorna a Woodsboro como escritora de um livro sobre sobrevivência. A cidade tenta capitalizar sua história, enquanto uma nova onda de assassinatos surge em meio a gravações, transmissões online e obsessão por visibilidade. O filme discute a cultura da fama instantânea e dos remakes, refletindo a era digital.

A grande virada está em Jill Roberts (Emma Roberts), prima de Sidney, que revela ser uma das assassinas. Jill não quer sobreviver: ela quer ser famosa. Sua motivação expõe uma geração que vê a dor como atalho para reconhecimento. Charlie Walker (Rory Culkin), seu cúmplice, representa o fã ressentido. Sidney, Gale e Dewey formam novamente o núcleo de resistência, mostrando a diferença entre quem viveu o horror e quem o deseja.

"Pânico 4"
Emma Roberts em “Pânico 4” | Crédito: The Weinstein Co./Divulgação

“Pânico” (2022): legado, trauma e herança

Conhecido como “Pânico 5“, o filme introduz novos protagonistas enquanto dialoga com o passado. Sam Carpenter (Melissa Barrera) descobre ser filha de Billy Loomis, o que a coloca em conflito constante com sua identidade. Sua irmã, Tara (Jenna Ortega), se torna a primeira vítima e sobrevive, assumindo um papel central emocionalmente mais direto.

Os assassinos, Richie Kirsch (Jack Quaid) e Amber Freeman (Mikey Madison), são fãs obsessivos que acreditam estar “salvando” a franquia “Stab“. O longa discute a toxicidade do fandom e o conceito de legado. A morte de Dewey Riley marca uma ruptura definitiva com o passado, enquanto Sidney e Gale retornam como figuras de encerramento de ciclo, passando o protagonismo adiante.

"Pânico" 2022
David Arquette em “Pânico” | Crédito: Reprodução/IMDB

“Pânico 6” (2023): o terror fora de casa

Ambientado em Nova York, “Pânico 6” expande o universo da franquia. Sam e Tara tentam reconstruir a vida longe de Woodsboro, mas percebem que o passado não respeita fronteiras. O filme enfatiza a paranoia urbana e o medo constante, com Ghostface atuando em espaços públicos e lotados.

Os assassinos são Wayne Bailey (Dermot Mulroney) e seus filhos, motivados pela morte de Richie. A trama reforça o tema da vingança familiar e da herança da violência. Sam enfrenta seus impulsos mais sombrios, questionando se está destinada a repetir a história do pai. O retorno de Kirby Reed conecta a nova fase ao passado recente, mostrando que sobreviver também significa carregar cicatrizes permanentes.

"Pânico VI"
Ghostface em “Pânico VI” | Crédito: Paramount Pictures/Divulgação

Personagens centrais da franquia

Ao longo de quase três décadas, a franquia Pânico construiu uma galeria de personagens que ajudaram a transformar os filmes em um marco do cinema de terror. No centro de tudo está Sidney Prescott, interpretada por Neve Campbell, que permanece como o coração emocional da saga. Mais do que uma “final girl”, Sidney se tornou símbolo de resistência, trauma e sobrevivência contínua.

Ao lado de Sidney, Gale Weathers, que é vivida por Courteney Cox, e ocupa um papel igualmente fundamental. Introduzida como uma jornalista ambiciosa e disposta a tudo por uma boa manchete, Gale evolui ao longo dos filmes sem perder sua essência. Já Dewey Riley (David Arquette), com sua vulnerabilidade e senso de dever, representou por anos o elo mais humano da franquia. Sua morte em “Pânico” (2022) simboliza uma ruptura definitiva com a era original.

A fase mais recente da saga introduz novos protagonistas que carregam o peso desse legado. Sam Carpenter, filha de Billy Loomis, encarna o conflito entre herança e identidade, lidando com impulsos violentos e o medo de repetir os erros do passado. Sua irmã, Tara Carpenter, funciona como contraponto emocional, mais pragmática e marcada pelo trauma físico e psicológico.

Além disso, “Pânico” ficou marcado por personagens que definiram momentos icônicos da cultura pop: Billy Loomis, o assassino original que estabeleceu o arquétipo do vilão carismático; Stu Macher, cuja violência caótica virou referência; e figuras como Kirby Reed, que simboliza a sobrevivência improvável.

"Pânico VI"
Melissa Barrera e Jenna Ortega | Crédito: Paramount/Divulgação

“Pânico 7”

Em “Pânico 7”, Sidney Prescott retorna após anos afastada de Woodsboro. Agora, vivendo uma rotina aparentemente tranquila ao lado da filha, interpretada por Isabel May, ela acredita ter deixado o passado para trás. No entanto, essa estabilidade dura pouco. Quando um novo Ghostface entra em ação, velhos traumas voltam à superfície. Desta vez, o assassino coloca mãe e filha no centro da perseguição, transformando o recomeço de Sidney em mais uma luta pela sobrevivência.

Dessa forma, o filme amplia o conflito ao tornar a ameaça ainda mais pessoal. Ao mesmo tempo, Sidney é forçada a revisitar feridas antigas para proteger a família e, sobretudo, tentar encerrar o ciclo de violência que a acompanha desde a juventude. Com direção de Kevin Williamson, criador da franquia, “Pânico 7” chega aos cinemas prometendo dialogar com as origens do slasher, enquanto prepara o terreno para um novo capítulo do terror contemporâneo.

Imagem de capa: Jessica Miglio/Paramount