“História de Amor” é a nova antologia de Ryan Murphy e explora a trajetória do casal icônico dos anos 1990

Os quatro primeiros episódios de História de Amor: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette já estão disponíveis no Disney+. O relacionamento do herdeiro da mais famosa dinastia política dos Estados Unidos com a it girl dos anos 1990 inaugura a nova antologia de Ryan Murphy, criador de American Horror Story e Glee.

A produção promete recriar a trajetória do casal, desde o início do namoro até o trágico acidente de avião que tirou a vida dos dois. Ao todo, a primeira temporada terá nove episódios, lançados semanalmente às sextas-feiras, até 27 de março.

Ritmo lento

O começo de “História de Amor” é devagar, destoando de outras obras de Ryan Murphy. Em formato slow burn, o roteiro não se apressa em desenvolver a dinâmica do relacionamento, optando por apresentar as vidas de Kennedy (Paul Anthony Kelly) e Bessette (Sarah Pidgeon) antes de virarem um casal.

Embora a escolha seja interessante para aprofundar os personagens, a narrativa perde força pelo ritmo pouco envolvente. A série prolonga cenas banais, que pouco acrescentam ao eixo central da trama. Ao mesmo tempo, os momentos mais interessantes surgem como vislumbres breves em meio à monotonia inicial.

As cenas mais instigantes são protagonizadas por Carolyn. Ao lado do núcleo do escritório de Calvin Klein (Alessandro Nivola), ela traz frescor à narrativa. Até aqui, é a personagem mais complexa, revelando camadas que vão além da imagem de garota descolada e confiante.

Ela também é responsável por tornar John mais interessante. O herdeiro, especialmente nas cenas ao lado da família Kennedy, protagoniza os momentos mais engessados da série. “História de Amor” aposta em uma abordagem já vista em outras produções sobre figuras políticas: personagens rígidos, quase robóticos, dentro e fora dos holofotes. São raros os momentos de maior profundidade emocional. Longe da família, Kennedy Jr. se mostra mais leve — e, consequentemente, mais agradável.

Naomi Watts e Paul Anthony Kelly vivem mãe e filho em "História de Amor"
John F. Kennedy Jr. e Jackie Kennedy vivem uma relação de altos e baixos entre mãe e filho. | Crédito: Eric Liebowitz/FX

Entre caricaturas e boas atuações

Um ponto positivo da produção é o elenco. A principal surpresa é Paul Anthony Kelly, já que este é apenas seu segundo trabalho na televisão e o primeiro como protagonista. Kelly e Sarah Pidgeon são magnéticos. Eles demonstram química convincente e sustentam bem os papéis centrais, tanto nas cenas românticas quanto nas individuais.

Aliás, vale ficar de olho nestes dois nomes. Ryan Murphy é conhecido por identificar e impulsionar novos talentos em Hollywood, como Evan Peters, Darren Criss e David Corenswet. Então, Kelly e Pidgeon podem seguir um caminho semelhante.

Por outro lado, há atuações que ficam abaixo do esperado. Naomi Watts não convence como Jackie Kennedy. Apesar de seu currículo sólido, a atriz não encontra o tom ideal da ex-primeira-dama. Ao tentar reproduzir a voz e o sotaque característicos de Jackie, acaba escorregando para a caricatura.

Imersão visual nos anos 1990 impressiona

Tecnicamente, “História de Amor” é impecável. Dos cenários à trilha sonora, a série transporta o espectador para a Nova York dos anos 1990.

A caracterização também merece destaque. Figurinos icônicos foram recriados com fidelidade e, aliados à maquiagem precisa, reforçam a sensação de estarmos diante de versões muito próximas de John, Carolyn e todo o clã Kennedy.

Protagonistas de "História de Amor", John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette formaram o casal da "realeza americana" nos anos 1990
A estética de “História de Amor” é cuidadosa e impressiona. | Crédito: Eric Liebowitz/FX

Vale a pena assistir “História de Amor”?

Sim. Apesar do início morno, a narrativa evolui gradualmente e se apoia em boas atuações e qualidade técnica. Com o relacionamento oficialmente iniciado na trama, a expectativa é que os próximos episódios se concentrem mais na dinâmica do casal e nos desafios enfrentados, especialmente o assédio constante da mídia.

A série já comprova seu cuidado estético. Agora, resta encontrar maior densidade dramática para conquistar espaço entre as produções mais marcantes de Ryan Murphy.

Imagem de capa: Eric Liebowitz/FX