A audiossérie “Um Corpo no Set” é uma produção original da Ubook escrita por JulyFrans, Leonardo Lumas e Caio Pudenzi. Narra uma história de mistério que gira em torno da famosa atriz Arlete Abioye. Zezé Motta dá voz à protagonista assassinada no set de gravação da novela da qual é a grande estrela. O jornalista Dantas (William Viana), admirador da atriz e dono de um podcast sobre crimes, se envolve na investigação. Dantas entra em conflito direto com Lydia (Ana Chris Santos), a detetive responsável pela investigação.
Alerta de Spoiler
Quem matou Arlete Abioye
A trama se desencadeia com o assassinato de Arlete após um telefonema enigmático, mergulhando o leitor na estrutura clássica do “quem matou?”. Sob relações aparentemente normais, escondem-se suspeitos movidos por ressentimentos e segredos obscuros que, conforme a investigação avança, revelam que nada é tão simples quanto parece.
Entre as figuras centrais estão Sandra Machado, uma atriz ambiciosa e fria, que alimentava uma inveja profunda pela vítima. Bruno, um jovem que, embora sustentado por Arlete, mantinha um envolvimento com Sandra. Até mesmo os melhores amigos são suspeitos. A Drag Queen Wesley, ou Pippa Glamour, em quem Arlete confiava, e a assistente Nara, inicialmente acima de qualquer suspeita, veem suas lealdades questionadas à medida que fatos desconhecidos vêm à tona.
Os bastidores da ficção são afetados diretamente pela morte de Arlete, uma vez que a novela é encerrada. O diretor Paulo Arantes, o “Motoca”, surge como o maior prejudicado profissionalmente, mas sua aparente “fuga” das perguntas levanta dúvidas sobre suas reais intenções.
Dantas e Lydia: relação complexa
Dantas, um podcaster e grande fã de Arlete, recebe um e-mail assinado pelo Senhor R. A mensagem contém detalhes privilegiados sobre o crime. Ele passa a sustentar a tese de que Arlete foi vitimada pelo ‘Crítico’, um assassino em série cujos alvos são sempre artistas.
Ele entra em conflito com Lydia, a detetive responsável pelo crime, que não acredita na existência de um serial killer. Juntos, mesmo que conflituosamente, Dantas e Lydia passam a investigar o entorno de Arlete, assim como os possíveis motivos que todos teriam para fazer mal a ela.
No decorrer da narrativa, percebe-se que o autor do crime teve e ainda tem acesso ao local do crime e à investigação. Desse modo, fica claro que o culpado busca Dantas para fazê-lo acreditar que o Crítico é o assassino. O jornalista apenas usa o suposto serial killer para confundir o assassino e sair na frente na investigação.
A resolução: quem é o assassino de Arlete Abioye
A investigação de Dantas termina em uma descoberta surpreendente: a morte de Arlete não foi um crime, mas uma encenação meticulosa orquestrada por ela e sua companheira, Lydia. Diante de uma doença terminal e da recusa em aceitar o fim que a doença lhe guarda, Arlete decide forjar o próprio assassinato.
Arlete desejava partir em grande estilo, e o falso assassinato foi sua última grande performance. Após Arlete ingerir uma dose letal de morfina, coube a Lydia, que é a beneficiária de toda a sua herança, montar a cena do crime. Dantas também descobre que Lydia foi a responsável pelo e-mail que o levou à investigação, assim como por criar a suspeita em torno do crítico.
Portanto, ao final, Dantas decide preservar a vontade de Arlete. O crime fica sob a responsabilidade do Crítico e Arlete entra para a história como vítima de um serial killer. Um desfecho trágico, porém de certo modo memorável.
Lydia realiza o desejo de Arlete e parte para explorar o mundo com a herança que recebeu. Já Dantas retorna à sua rotina. Ele mantém a farsa do Crítico. Farsa que agora conta também com a ajuda de Arlete Abioye, que tornou o mito do serial killer ainda mais fascinante.
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Impressões sobre a obra
Um Corpo no Set” é uma ótima produção, elevando o gênero de mistério ao explorar com maestria os efeitos sonoros. A ambientação transporta o ouvinte diretamente para o centro da cena, assim como os diálogos meticulosos, que permitem ao público visualizar cenários e figurinos com clareza.
A interpretação de Zezé Motta como Arlete Abioye é o maior destaque da áudiossérie e sua voz marcante se torna o pilar da narrativa. Outro grande acerto é a trilha sonora. O encerramento de cada episódio com uma versão de “Fita Amarela”, de Noel Rosa, confere lirismo e uma identidade brasileira à obra. Embora a tentativa do suposto assassino em incriminar o Crítico seja previsível, a trama traz uma reviravolta ao mostrar a audaciosa estratégia de Arlete ao forjar o próprio assassinato.
“Um Corpo no Set” é um exemplo de como um audiolivro deve ser. A obra transcende a narração convencional e entrega uma experiência de imersão excelente. Cada detalhe sonoro é desenhado para transportar o ouvinte diretamente para o centro da narrativa. Destaque especial para Zezé Motta, que, como a grande estrela que é, encanta como a protagonista.
Imagem de Capa: Ubook | Reprodução | Instagram (@zezemotta)
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