“Fernão e a Epopéia da Coluna dos Pretos“, de Edison Reis, é um romance histórico que acompanha Fernão e Abubakar em uma jornada rumo à guerra. O livro mistura elementos da história real com ficção, trazendo também a origem e a força dos orixás.
Exu, Ogum e Oxóssi, entre outros orixás, são peças centrais da narrativa que foca na luta pela libertação de um povo que há muito sofre. O livro alterna os capítulos entre os pontos de vista dos personagens centrais e dos comandantes da guerra, todos influenciados diretamente por cada um dos orixás.
Fernão e a Epopéia da Coluna dos Pretos
Fernão é um escravo fugido que vive uma vida tranquila ao lado da filha e dos netos. Tendo sido criado como melhor amigo de Dom Pedro II, ele precisou fugir após um desentendimento e foi capturado durante a fuga. Depois de muito lutar, ele finalmente conseguiu sua liberdade e garantiu que outros escravizados encontrassem a liberdade dentro dos quilombos.
Agora, mais velho e mais sábio, ele não quer saber de mais nada além de viver uma vida tranquila ao lado dos seus. No entanto, ao receber um chamado de Exu, Fernão logo percebe que isso não será possível.
Exu está em uma missão pessoal. Muitos anos atrás, Ogum decidiu sumir sem deixar rastros. Na realidade, ele deixou apenas as palavras que poderiam despertá-lo em um momento em que o seu povo realmente precisasse dele. Infelizmente, as palavras se perderam com o tempo e Exu decide traçar um plano para trazê-lo de volta. Aproveitando-se da Guerra do Paraguai, ele começa um perigoso jogo que conta com a participação de Fernão e Abubakar.
O encontro dos heróis
Com diversos acontecimentos simultâneos, o livro conta também a história de Abubakar. O jovem, nascido com outro nome, se viu sem lugar na família do pai após a morte da mãe. Sem saber muito bem como seguir em frente, ele acaba encontrando um casal que sonhava em ter filhos, mas, por obra do destino, acabaram sozinhos.
Em uma longa e perigosa jornada, Abubakar, que sonhava com uma vida simples ao lado da amada, descobre que está destinado à guerra, com o direcionamento e proteção de Oxóssi. Assim, seu caminho cruza o de Fernão e os dois enfrentam uma perigosa batalha ao lado de diversos ex-escravizados em nome de um país que os rejeitou e os torturou pela cor da pele.
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Impressões sobre o livro
Logo no início, a obra fala sobre o exílio de Ogum, dando o tom de toda a narrativa. A origem e força dos orixás são muito bem trabalhadas, e é bonito ver que cada personagem tem a característica marcante do orixá que o protege. No entanto, apesar de ter uma premissa muito boa, a leitura se torna confusa e cansativa em alguns momentos.
Algumas falas são confusas, sendo complicado entender quem era o personagem que estava falando e quando era fala ou pensamento. Por mais que a ação esteja presente em todo o livro, a construção dos personagens até a guerra de fato levou quase metade do livro, o que torna a leitura um pouco arrastada.
Fiquei fascinada com as curiosidades sobre os orixás e o objetivo central de Exu. Ainda que tenha um ritmo lento, os próprios personagens explicam que é preciso esperar o tempo certo de todas as coisas. Assim, o enredo se constrói aos poucos, com momentos de tensão, momentos de calmaria e um final que faz jus ao início.
Imagem de capa: Reprodução Clube de Autores.
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