Nova leva aprofunda amores reprimidos, escândalos públicos e mistérios, com atuações de destaque e reviravoltas que mudam o rumo de “Dona Beja”
Aviso de spoilers: a análise aborda elementos que antecipam momentos chave da obra
Após consolidar sua identidade nos capítulos anteriores, “Dona Beja” avança para os episódios 11 a 15 com ainda mais densidade emocional e conflitos expostos à flor da pele. Sob direção de “Hugo de Sousa“, a novela de gênero drama histórico mantém o foco em uma protagonista que desafia convenções sociais, enquanto amplia o protagonismo de personagens que orbitam sua trajetória.
Nesta nova fase, a ideia central é clara: as máscaras começam a cair. O amor reprimido de Maria (Indira Nascimento), a obsessão de Ceci (Deborah Evelyn) pela imagem perfeita, o mistério sobre quem tentou matar Beja (Grazi Massafera) e um segredo que atinge Antônio (David Junior) formam o eixo narrativo. O texto a seguir analisa como esses elementos se entrelaçam e se a produção sustenta o impacto prometido.
Amor, inveja e ressentimento vêm à tona
Logo no início, a narrativa aposta em um recurso eficaz: o flashback. As lembranças de Maria observando Beja e Antônio às escondidas reorganizam o entendimento do público sobre acontecimentos passados. Descobre-se que o amor reprimido e a inveja alimentaram a decisão de entregar Beja ao ouvidor do rei, vivido por Virgílio Castelo. O gesto, antes visto apenas como traição, ganha nova camada psicológica.

Indira Nascimento se destaca com uma atuação contida e dolorida. Maria é atravessada por sentimentos contraditórios. Ela ama, mas não aceita o que sente. Por isso, agride, rejeita e foge. Ainda assim, transborda. Mesmo acolhida por Beja após o susto inicial, reage com hostilidade e negação. Há, nessa dinâmica, um conflito interno que sustenta a tensão dramática da novela.
Paralelamente, Deborah Evelyn aprofunda a construção de uma Ceci cada vez mais amarga. Obcecada pela ideia de família perfeita, a personagem reforça sua postura moralista e demonstra que pode ultrapassar limites para preservar aparências. Sua vilania não é explosiva, mas estratégica. Trata-se de uma antagonista que opera no campo simbólico, manipulando reputações e reforçando o conservadorismo social de Araxá.
Escândalo público e confronto social

Se o drama íntimo avança, o embate público também ganha força. Beja segue enfrentando as chamadas “senhoras de bem”, representadas por Ceci, Augusta (Kelzy Ecard) e Genoveva (Isabela Garcia). O conflito atinge novo patamar quando a protagonista cavalga pela cidade vestindo calças. Em seguida, eleva o tom ao surgir nua sobre um cavalo branco.
O gesto é simbólico, provocador e calculado. Mais do que escândalo, a cena reafirma o domínio de Beja sobre o próprio corpo e sobre a narrativa que tentam impor a ela. Grazi Massafera mantém química evidente com David Junior, especialmente nas cenas de confronto e reconciliação. O casal sustenta tensão constante, alternando afeto e embate, o que confere ritmo à trama.
Enquanto isso, o mistério sobre quem tentou matar Dona Beja conduz parte da narrativa policial. Muitos personagens se tornam suspeitos. Antônio assume a investigação, movido tanto por amor quanto por necessidade de justiça. O suspense é mantido até que um retorno surpreendente responde à pergunta que pairava no ar. E, para as dúvidas restantes, o episódio 15 trata de esclarecer pontas soltas, reorganizando o tabuleiro dramático.
Humor, fantasmas e novos conflitos

A novela também ajusta o tom ao reposicionar Carminha (Catharina Caiado). Se antes funcionava majoritariamente como alívio cômico, agora ganha peso dramático. Seu relacionamento com Honorato (Gabriel Godoy) avança de forma inesperada, revelando camadas emocionais mais densas. Fantasmas do passado de Honorato emergem, abrindo novas possibilidades narrativas.
Otávio Müller, como Costa Pinto, alterna comicidade e conformidade em cena. Seu personagem é um homem cansado, omisso em casa e no trabalho. A parceria com Kelzy Ecard continua eficiente, equilibrando humor e crítica social. São momentos que funcionam como respiro, mas sem esvaziar os temas centrais.
A sexualidade de Fortunato (João Villa) volta a ser abordada, ainda que com menos destaque. O jovem permanece preso à crença de que seus desejos são “tentação do demônio”. A trama indica que o assunto retornará com mais força adiante, sobretudo pela postura acolhedora de Beja, que não deve ignorar o conflito do rapaz.
Josefa (Thalma de Freitas), reaparece em uma posição distinta na trama. Desta vez, o destaque da personagem deixa de estar associado ao ódio que a cercava e passa a evocar um sentimento oposto, deslocando o eixo emocional da narrativa. A mudança sugere uma inflexão relevante em seu percurso. O novo arco dramático aponta para desdobramentos de forte impacto familiar nos próximos capítulos.
Revelações e impacto final

O episódio 15 encerra essa leva com força dramática. Antônio descobre um segredo que o desestabiliza profundamente. A revelação altera sua percepção sobre pessoas próximas e projeta novos conflitos para o futuro. É um fechamento que cumpre a função de gancho, mantendo o interesse do público.
No conjunto, os episódios 11 a 15 confirmam a maturidade da produção. A novela articula drama histórico com debates contemporâneos sobre desejo, moralidade e poder. As atuações de Indira Nascimento e Deborah Evelyn se sobressaem, enquanto Grazi Massafera mantém consistência na condução da protagonista.
A narrativa pode, por vezes, concentrar conflitos em excesso. Ainda assim, há coerência temática. O escândalo público, o amor reprimido e o mistério central dialogam entre si. Nada parece gratuito.
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Vale a pena assistir “Dona Beja”
Sim. Os episódios 11 a 15 ampliam o alcance dramático da novela e consolidam seus principais arcos narrativos. Com atuações intensas, conflitos bem delineados e revelações que reorganizam a história, a produção mantém relevância e fôlego. Além disso, ao equilibrar escândalo, suspense e emoção, “Dona Beja” entrega capítulos marcantes e reafirma sua força como drama histórico contemporâneo.
Imagem de capa: HBO Max/Divulgação
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