A 2ª temporada de “One Piece: A Sériefoi lançada no dia 10 de março

A espera acabou, Luffy e seu bando chega com tudo na 2ª temporada do live action de One Piece. Adaptando até o arco “Ilha de Drum”, a Netflix entrega uma adaptação fiel, lutas em plena luz do dia e adianta a introdução de alguns personagens.

A primeira temporada do live action encerrou com um vislumbre do Capitão Smoker, deixando os fãs ansiosos para acompanhar o arco na segunda temporada. Dessa forma, a Netflix optou em introduzir a Baroque Works ao longo da temporada, antes de chegar no arco de Alabasta. Sendo uma escolha ousada da “dona netinha”, que decide trabalhar de uma forma detalhada mas que ao mesmo, todas as peças se encaixam nos poucos episódios.

Nico Robin ou melhor “Miss All Sunday”

Esse episódio, a Netflix já chega com os dois pés na porta e nos apresenta a Nico Robin, uma apresentação impecável. A atriz Lera Abova trabalha as nuances da personagem, trazendo o mistério, a beleza e a maturidade em volta da Nico Robin. A cena, apresentando a Hana Hana no Mi da personagem é como se o universo parasse para apreciar tudo que está envolvido naquele momento, é impossível não se encantar com a caracterização de Lera Abova.

Nessa temporada, a personagem ainda não se juntou ao bando, mas com as aparições pela Baroque Works, conseguimos sentir a entrega e em como a direção de elenco acertou em cheio na escolha. Até o arco “Enies Lobby”, a Nico Robin continua como uma personagem misteriosa para o público e até então, a Netflix abordou bem esse ar misterioso na Miss All Sunday. A próxima temporada, talvez, a produção aprofunde mais na Nico Robin e em como ela foi parar na Baroque Works.

Nico Robin
Créditos: Reprodução/Netflix

Saindo um pouco da Nico Robin, no primeiro episódio, o bando dos Chapéu de Palha, estão a deriva, próximo a Loguetown, realizando a parada obrigatória para o Grand Line. Ao chegar no primeiro destino, vem uma nostalgia do início de uma grande trajetória do bando e também desperta a curiosidade em como a Netflix irá abordar isso e bom, a resposta veio da forma mais sincera possível: com maturidade, ousadia mas com a mesma essência lúdica do mangá/anime.

Será que Luffy é o filho do Gol D. Roger?

Loguetown é a ilha que iniciou a grande busca pelo One Piece, com Gol D. Roger e o streaming tem uma sacada genial em colocar a conversa entre o Rei dos Piratas e Garp logo no primeiro episódio. Mas o que surpreende nessa conversa é a introdução do filho de Gol D. Roger, que pode parecer ser cedo demais para tratar sobre isso, mas mostra que é necessário e deixa bem claro a intenção da Netflix em introduzir os personagens aos poucos para não ser uma adição aleatória e totalmente nova no futuro. Então uma simples conversa entre um vice-almirante e um pirata acaba sendo uma jogada genial para o live action.

Ps: Tem algo incrivelmente engraçado acontecendo diante dos nossos olhos.

Bartolomeo

Um personagem secundário que surpreendeu, Bartolomeo. A série dar mais tempo de tela a ele nesse primeiro episódio, dando também mais detalhe de onde nasceu o fanatismo do personagem pelo bando do Chapéu de Palha. Isso é interessante, pois o Bartolomeu é um personagem carismático e caricato, acompanhar a trajetória dele, em como aos poucos o Luffy conquistou o seu coração (haha), aproxima o Bartolomeo do público.

Bartolomeo
Imagem 1: recorte de “One Piece: A Série” / Imagem 2: Recorte do anime “One Piece” (Créditos: Reprodução/Netflix)

Sabo!?

Já em relação ao Sabo, foi a maior surpresa nessa temporada, ninguém esperava tamanha ousadia da “Dona Netinha” (haha). Porém, mais uma vez, essa aparição rápida do Sabo faz total sentido. Pois com a introdução do Exercito Revolucionário, com o Dragon, e o Sabo, por fazer parte do grupo, torna uma peça chave para o desenvolvimento do live action, assim como também foi para o manga/anime.

Portanto, essa pequena mostra do Sabo deixa claro que a Netflix busca introduzir mais cedo alguns arcos, para que posteriormente consiga fechar de uma forma mais detalhada, sem ser algo corriqueiro ou apresentado de forma bruta para quem acompanha apenas o live action.

Sabo
Imagem 1: recorte de “One Piece: A Série” / Imagem 2: Recorte do anime “One Piece” (Créditos: Reprodução/Netflix)

O fato da Netflix realizar uma adaptação bem amarrada, já sabendo como o futuro se conecta com o presente apresentado na série, deixa eles livres para desenvolver melhor os personagens. Dessa forma, adicionar cenas novas mas que ao mesmo tempo não interfere em nada no original, deixa melhor o que já é bom.

Lutas coreografadas

A temporada se surpreende com as lutas muito bem coreografadas. Diferente da primeira, nessa segunda temporada, a produção busca confrontos a luz do dia e dando destaque ao combate corpo a corpo. Outro ponto interessante é a jogada de câmera, para amenizar o uso do CGI. Essa jogada fica tão excepcional que os poderes da “Akuma no Mi” passa a sensação de serem “naturais”, sem muita computação. É como se os personagens e a câmera se fundisse, deixando parecer que aquilo realmente é real.

A luta entre o Mr.13 e o Sanji também é um belo exemplo em como “One Piece” se diverte com o lúdico, extrapola no exagero, mas que a Netflix escolheu abraçar a loucura e entregar um trabalho bom. Então, chega a ser muito engraçada a cena da luta entre o Sanji e um lebre, porém, muito bem harmonizada.

Como também, a luta do Zoro no bar de Whiskey Peak merece um destaque positivo, mostrando mais do espadachim em combate. Assim, a produção faz uma luta coreografada adaptada as espadas, deixando os fãs curtir o Zoro acabar com 100 agentes da Baroque Works e o melhor de tudo, com uma iluminação boa (haha). Muito difícil encontrar boas cenas de lutas que não seja um completo escuro para esconder o irreal. Nessa temporada tiro o chapéu de palha (haha) para a Netflix, que presenteou com combates iluminados.

Química no elenco

Precisamos falar em como o elenco possui QUÍMICA com todo mundo, incrível! Essa temporada fortalece a amizade e a conexão do bando do Luffy, deixando claro que eles cuidam um do outro, independente do que aconteça. No entanto, tem uma coisa que muito importante de observar, em como o bando encoraja o Usopp.

Usopp é um personagem medroso, que inventa histórias valentes. E no live action, o bando de alguma forma encoraja o Usopp, tornando ele o grande herói que ele é. Isso é muito legal, pois nessa temporada Usopp tem um grande destaque e a melhor evolução entre os protagonistas. A Netflix trabalha com a confiança mas não deixa de lado a essência medrosa do Usopp. Por isso, ele acaba sendo muito importante para o bando e tem uma aparição destacável no arco de Little Garden.

A temporada também abre espaço para uma nova personagem, a Princesa Vivi. Ela aos poucos conquista o bando e o público, com um trabalho delicado. A atriz Charithra Chandran possui uma química incrível com o elenco e conseguiu trabalhar muito bem a personagem. Ela vai trilhando um caminho, que começa como corajosa, passa pela aflição e retoma a confiança pela sua força, que será muito importante para o arco de Alabasta.

Princesa Vivi, personagem de One Piece
Créditos: Reprodução/Netflix

Mr.Prince – Sanji

E no fim, a emoção da temporada (ainda vamos falar da história do Chopper), ficou com o cozinheiro, o Sanji e a ligação dele com a Nami. A todo momento o Sanji cuida da Nami, quando ela aparece doente, e isso cura onde dói. Contudo, a emoção toma conta quando ele fala da mãe. Naquele diálogo, o Sanji está vulnerável e pela primeira vez se abre para falar da família.

Para os fãs, que conhecem a história, isso pega no coração. Naquele momento sentimos todas as dores do Sanji e em como a sua mãe foi importante, principalmente em relação a ser um grande cozinheiro. A Netflix busca trazer esse lado mais humanizado do personagem, conectando o seu passado, que influencia nas decisões do presente e possibilita uma deixa para o arco de “Whole Cake”.

Laboon e sua ligação com o Brook

Se você não se emocionou com a Laboon, pode se considera um sem coração. (Brincadeira). Mais um ponto positivo para a temporada foi em como a produção conseguiu abordar a história de Laboon. Ao invés de trazer um Luffy irracional, que pensa em lutar, eles optaram em ter um desfecho mais emocional. O Luffy cantando o Binks’ Sake para libertar o seu bando da Laboon traz uma versão mais interessante que o original.

Obvio, que no primeiro momento, Luffy tenta brigar com a Laboon, mas ele escuta a história que aflige a baleia. E com isso, mais uma vez a Netflix consegue trazer flashbacks necessários para aquele momento da história, com o Brook (Yohohoho), em seu primeiro bando, cantando com a Laboon e em como aqueles piratas se tornaram importante para a baleia.

Laboon, personagem de One Piece
Créditos: Reprodução/Netflix

Além disso, nesse mesmo episódio, somos apresentados a um Zoro que até então estava apagado na primeira temporada. O espadachim sem senso e com bom humor (e até meio burrinho ahaha). Isso é importante, pois o Mackenyu realiza um ótimo trabalho dando vida ao Roronoa Zoro, ele conseguiu desapegar do Zoro sombrio de poucas palavras, para um Zoro mais expressivo e com mais diálogos entre o bando.

Precisamos falar do episódio 7

O ponto forte e mais aguardo da temporada era sem sombras de dúvida, o querido Tony Tony Chopper. Inclusive, menção honrosa em colocarem a música do Chopper no arco do personagem. A Netflix não é inocente, ela sabe o que tá fazendo. “Boku wa Doctor, Tony Tony Chopper.”

O episódio 7 por si só fez uma amarração perfeita da história do Chopper e em como introduzir ele no bando. A história do Chopper carrega um peso emocional muito grande, pois como Doctorine cita: “Chopper tem uma ferida enorme no coração”, e conseguimos sentir isso nesse episódio.

A rena com o focinho azul é fofa, engraçada e um excelente médico. Porém, Chopper sofreu muito antes de entrar no bando e a série consegue trazer a inocência do personagem e em uma evolução muito valente. O live action se manteve fiel a história original, com o Chopper e o Dr. Hiluluk e mesmo assim, a Netflix soube dosar a emoção no episódio. Impossível não chorar assistindo esse episódio, a carga emocional está elevada.

Muitos fãs estavam receosos em como a Netflix iria trabalhar o Chopper, principalmente em relação ao CGI e nesse quesito, acredito que o streaming conseguiu se adaptar e encontrar boas saídas. Os efeitos do Chopper na forma original não incomoda e em sua forma humana surpreende, pois eles apostam na maquiagem e trabalham menos com os efeitos visuais.

Tony Tony Chopper, personagem de One Piece
Créditos: Reprodução/Netflix

A Netflix consegue ser fiel a adaptação?

Sim! A Netflix teve um aval muito interessante nessa temporada, sendo estratégica para abordar os arcos e com liberdade (e aprovação do Oda) para introduzir alguns personagens e acrescentar detalhes cruciais para a história. Em muitas cenas dá para vê o quão bonito e fiel está o trabalho da Netflix e que não há como se decepcionar com a adaptação.

Por exemplo, o Zoro na loja de espadas e a escolha da Sandai Kitetsu, a espada amaldiçoada, reconhecida pela qualidade e sorte. Como também o Chopper entregando o cogumelo para o Dr. Hiluluk, em como ele fica todo machucado para salvar a vida dele. Além disso, a série também mantém o visual clássico da Nico Robin e dos vilões da Baroque Works, como o Mr.3. No geral, a caracterização dos personagens permanece fiel ao original, isso traz o tom mágico para o live action.

Zoro
Imagem 1: Recorte do anime “One Piece” / Imagem 2: recorte de “One Piece: A Série” (Créditos: Reprodução/Netflix)

O que esperar da próxima temporada?

A segunda temporada encerra com o bando a caminho de Alabasta e com a aparição do Crocodile, revelando que ele é o Mr. 0. Portanto, a terceira temporada por ter mais episódios em torno do arco de Alabasta, como a luta individual de cada integrante do bando e Luffy x Crocodile.

Também podemos esperar a aparição do Ace e talvez até o confronto que ele tem contra o Capitão Smoker, para ajudar o Luffy. Os fãs também devem ficar atentos para a primeira aparição do Barba Negra, que até então é apenas citado na série, e posteriormente o arco Skypiea. Será curioso saber como a Netflix pode abordar o arco da ilha do céu.

Ace, personagem de One Piece
Créditos: Reprodução/One Piece

Além disso, podemos esperar mais detalhes sobre o Exercito Revolucionário e quem sabe mais tempo de tela para o Sabo. Talvez na próxima temporada aconteça a introdução para o arco Water 7.

Por fim, a Netflix acerta na segunda temporada, consegue ser fiel a adaptação e ao mesmo tempo coloca detalhes que são cruciais para a história. A produção extraiu o melhor dos personagens, com um elenco que se entrega e se aproxima perfeitamente do mangá/anime. Sem medo, a Netflix abraça o lúdico do “One Piece” e entrega uma temporada encantadora, capaz de deixar qualquer fã satisfeito com o rumo da série.

Imagem de capa: Reprodução/Netflix