Kaley Cuoco lidera minissérie de suspense da MGM+ ambientada na Europa, que prende pela velocidade, mas falha em profundidade e surpresa
Em “Vanished”, série de suspense que estreia neste domingo, 1º de fevereiro no MGM+, uma viagem em casal toma um rumo sombrio quando Tom Parker (Sam Claflin), namorado de Alice Monroe (Kaley Cuoco), desaparece em um trem no sul da França. Ela então é sugada para uma teia de intriga e perigo, descobrindo segredos chocantes sobre o homem que pensava conhecer.
O elenco inclui Karin Viard (“Polisse”, “The Bélier Family”), Matthias Schweighöfer (“Oppenheimer”, “Army of the Dead: Invasão em Las Vegas”), Simon Abkarian (“007 – Casino Royale”, “To Take a Wife”) e Dar Zuzovsky (“The Saints”, “The Survivor”).
Uma viagem romântica que vira pesadelo

Kaley Cuoco interpreta Alice Monroe, uma arqueóloga que faz questão de repetir sua profissão sempre que possível, talvez para convencer mais o espectador do que a si mesma. Tirando referências rápidas a cavernas bizantinas e antigos cultos cristãos, pouco nela remete de fato ao ofício acadêmico. Ainda assim, é a partir desse ponto frágil que a série constrói sua trama de mistério e conspiração.
Alice mantém há quatro anos um relacionamento à distância com Tom Parker (Sam Claflin), um funcionário de uma organização humanitária que trabalha com refugiados sírios. Os dois se conheceram na Jordânia, em um encontro fortuito à beira da estrada, e desde então se veem ocasionalmente em hotéis caros pela Europa. Agora em Paris, Alice recebe uma proposta para lecionar em Princeton, o que poderia finalmente permitir que o casal construa uma vida estável. Tom aceita, de forma pouco convincente, e declara seu amor. É exatamente nesse ponto que o espectador deveria desconfiar.
Pouco depois, durante uma viagem de trem rumo ao sul da França, Tom sai do vagão para atender uma ligação… e simplesmente desaparece. Não há corpo, não há registros, não há respostas. A polícia, burocrática e pouco interessada, pede paciência. Alice, naturalmente desesperada, decide investigar por conta própria e é aí que “Vanished” realmente começa.
A busca desesperada e uma nova aliada
A trama ganha força com a entrada de Hélène (Karin Viard), uma jornalista investigativa francesa que se oferece como tradutora e, mais tarde, como aliada. A dinâmica entre as duas é, de longe, o ponto mais interessante da série. Diferente do romance pouco convincente entre Alice e Tom, a parceria entre as protagonistas cresce de forma orgânica, sustentada por desconfiança, curiosidade e objetivos próprios. Viard entrega a personagem mais viva da narrativa, com excentricidades e motivações que vão além do óbvio.
Ritmo intenso que desperta curiosidade

Dirigida por Barnaby Thompson e escrita por Preston Thompson, “Vanished” começa com um flashforward de ação, Alice fugindo pela janela de um prédio, prometendo um thriller intenso. Essa promessa é parcialmente cumprida. A série mantém um ritmo acelerado, quase sufocante, que empurra o espectador episódio após episódio. No entanto, esse mesmo ritmo impede qualquer desenvolvimento mais profundo de personagens ou de suas relações.
A conspiração central até desperta curiosidade, mas nunca surpreende de verdade. As reviravoltas são previsíveis, os antagonistas genéricos e a sensação constante é de que tudo já foi visto antes, em versões melhores.
Elenco desperdiçado em um roteiro corrido
Cuoco, entrega uma atuação correta, mas limitada por diálogos banais e uma direção pouco inspirada. Sua Alice parece frequentemente deslocada, mais como uma atriz interpretando alguém em perigo do que uma pessoa real vivendo uma situação extrema. Ainda assim, há momentos em que sua vulnerabilidade funciona, especialmente quando a série a permite ser apenas uma mulher assustada e não uma investigadora improvisada incrivelmente competente.
Já Karin Viard rouba a cena, trazendo humanidade, estranheza e carisma à sua personagem. A química entre Cuoco e Claflin, infelizmente, é limitada, o que enfraquece o peso emocional do desaparecimento que move toda a história.
Sam Claflin ocupa o papel do galã do filme, o homem bom, com uma causa nobre e que estranhamente desapareceu. Ele também entrega boas atuações.
Vale a pena assistir “Vanished”?

Com apenas quatro episódios de cerca de 45 minutos, “Vanished” parece feita para maratona, e não para exibição semanal. O formato curto ajuda a manter o interesse, mas também evidencia as falhas do roteiro, que aposta demais na velocidade para mascarar a falta de profundidade. No fim, o suspense se sustenta mais pela curiosidade do que pelo impacto emocional.
Visualmente, a série é elegante. As locações europeias, França, principalmente, funcionam quase como um personagem à parte, compensando parte da previsibilidade da história. “Vanished” não reinventa o gênero, nem entrega grandes choques, mas oferece uma experiência razoavelmente envolvente, ainda que frustrante em seu desfecho.
No saldo final, é uma produção mediana, com bons momentos, belas paisagens e uma parceria feminina interessante, mas que deixa a sensação de que poderia ter sido muito mais.
“Vanished” estreia dia 1º de fevereiro no MGM+.
Crédito da capa: MGM+
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