Entre ringues de gelo e tensões românticas, subgênero cresce no Brasil impulsionado por redes sociais e adaptações
Em um país onde o inverno mal chega a esfriar, histórias ambientadas em ringues de gelo e arenas de hóquei conquistam cada vez mais leitores. Na literatura, o subgênero do “romance de esporte de inverno” surge como um dos mais potentes em vendas e comoção. Assim, esses livros vêm ganhando mais espaço na esfera cultural brasileira, migrando também para o audiovisual.
Grande parte desse nível de sucesso se relaciona ao crescente fenômeno das adaptações da literatura para as telas. Obras como “Rivalidade ardente”, na HBO Max Brasil, e “Patinando no amor”, da Netflix, comprovam esse argumento. Com a primeira série viralizando em redes como o TikTok e o X, e a segunda aparecendo no top 10 do ranking global da plataforma, o subgênero ganha cada vez mais espaço.
Ainda em 2026, a série “Off Campus”, que se baseia na franquia da canadens Elle Kennedy, chega no Prime Video. Em resumo, a adaptação de “Amores improváveis” (título traduzido) conta a história de astros do time de hóquei e suas namoradas, enquanto navegam o mundo profissional e a universidade.
A trajetória do romance esportivo de inverno
Apesar de “Rivalidade ardente” carregar o selo de representante do romance esportivo de inverno, as obras de Kennedy são as verdadeiras precursoras. Há 10 anos, o selo Paralela, da Companhia das Letras, começava a publicar sua série e, desde então, o fenômeno vem em uma crescente.

Além disso, outro título que marca o início da popularização do subgênero no Brasil é “Quebrando o gelo” (Rocco), da britânica Hannah Grace. Com lançamento no país em 2023, a obra vendeu cerca de 100 mil cópias. Enquanto em 2024, a editora da Harlequin, Julia Barreto, destacou para PublishNews que a recepção no Brasil era boa mas tinha potencial de crescimento, em 2026 a história é outra.
A Lista Nielsen-PublishNews da primeira semana de fevereiro contou com a liderança de “Rivalidade ardente” (Alt), da canadense Rachel Reid, em sua edição com brindes. Ainda mais, a versão normal do livro aparece em 14º lugar e, junto da edição especial, totalizou sete mil cópias nesta primeira semana.
Mais sobre o que torna o gênero um fenômeno
Muito se discute sobre o que torna o romance esportivo, com ênfase na estação de inverno, tão atrativo. Com um fio narrativo objetivo, em que o clímax da história geralmente envolve uma final de campeonato, o subgênero oferece diversas explorações de dinâmicas entre seus personagens. Da rivalidade à atração, as tensões pessoais se nivelam às esportivas, e o diálogo entre os dois gera um terreno fértil.

No entanto, esse não é o único tópico de interesse em relação aos livros. A proximidade física – as vezes forçada – que permeia as narrativas faz com que os leitores fiquem empolgados com cada virada de página. Tanto no hóquei, quanto na patinação no gelo, por exemplo, a junção dos corpos é elemento fundamental e, volta e meia, abre espaço para o surgimento de química e intimidade. Em reportagem para O Globo, Paula Drummond, editora da Alt (selo da Globo Livros) comenta sobre a identificação do público brasileiro com o subgênero:
“Tudo o que o leitor precisa saber sobre hóquei é que tem uma pista de gelo, um taco e um disco. O objetivo é empurrar o disco até o gol. E de gol a gente entende! Mas não é necessário saber todas as regras, assim como um leitor americano não precisa saber o que é impedimento para ler um romance sobre futebol.”
Além disso, o romance de hóquei trabalha com uma camada muito interessante na sua brincadeira com o arquétipo do mocinho. Aqui, a ideia do protagonista se funde ao modelo do atleta, que tem um corpo musculoso e é convencionalmente atraente. Entre empurrões, socos e faltas, esses jogadores exibem seus corpos e se destacam por tal. No entanto, essa exploração da fisicalidade serve como a primeira etapa de uma jornada de vulnerabilidade e do processamento de emoções.
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Segundo Babi A. Sette, autora brasileira do subgênero, elementos como a “sensualidade das coreografias da patinação e o culto à virilidade do hóquei” contribuem para a construção de cenas íntimas, e informam diretamente o frenesi ao redor do tópico. No fim, talvez o sucesso desses romances diga menos sobre o gelo e mais sobre o calor das histórias que os leitores procuram.
Imagem de capa: Reprodução/Rolling Stone
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