Cineasta de Caruaru, Sérgio Oliveira construiu trajetória como diretor, roteirista e produtor, com obras exibidas em festivais no Brasil e no exterior
Morreu na manhã desta segunda-feira (23), no Rio de Janeiro, o cineasta pernambucano Sérgio Oliveira, aos 65 anos. Segundo a família, ele não resistiu às complicações de um quadro de dengue hemorrágica. Natural de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, nasceu em 3 de março de 1960 e atuou como diretor, roteirista e produtor.
Radicado no Rio de Janeiro há vários anos, manteve vínculos com Pernambuco. Ao longo da carreira, participou do fortalecimento do cinema pernambucano contemporâneo. Além disso, teve obras exibidas em festivais nacionais e internacionais. Parte de sua filmografia integra acervos institucionais.
Curtas e documentários: os primeiros marcos
Entre os trabalhos de maior repercussão está “Praça Walt Disney” (2011), dirigido ao lado de Renata Pinheiro. O curta propõe uma observação sobre ocupação urbana a partir de uma praça no Recife. O filme foi exibido em festivais como Locarno, SXSW e IndieLisboa. Também recebeu mais de 40 prêmios ao longo do circuito.
Antes disso, Oliveira já havia dirigido “Faço de Mim o que Quero” (2009), em parceria com Petrônio Lorena. O documentário aborda o universo do brega no Recife. A obra relaciona música, cotidiano e identidade cultural. O filme circulou em mostras e consolidou sua atuação no campo documental.

Outro título relevante é “Schenberguianas” (2005), codirigido com Jura Capela. O curta articula física, música e reflexões inspiradas no cientista Mário Schenberg. Já em “Nação Mulambo” (2007), o diretor registra o cotidiano do bairro de Peixinhos, na Região Metropolitana do Recife. O foco recai sobre cultura e resistência periférica.
Em 2008, lançou “Epox”, documentário que retrata comunidades hippies e seus modos de vida. A produção explora experiências ligadas à música e à organização coletiva.
Longas e projetos internacionais
No campo do longa-metragem, Oliveira codirigiu “Estradeiros” (2011), road movie que percorre países da América Latina. O filme acompanha artistas nômades e seus deslocamentos. A produção foi premiada na Semana dos Realizadores e reconhecida pela Abraccine no Cine PE.
Em 2013, dirigiu “El Oído de Vinicius”, ensaio sobre uma gravação imaginária de Vinicius de Moraes (1913-1980) com Maria Bethânia. A proposta mistura ficção e reflexão musical.
Já em 2016, lançou o documentário “Super Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos”. O filme retrata a trajetória de uma orquestra do sertão pernambucano. A produção venceu os prêmios de Melhor Direção e Melhor Fotografia no Festival do Rio. O documentário aborda memória cultural e permanência de tradições musicais.
Oliveira também trabalhou como roteirista e produtor em longas como “Amor, Plástico e Barulho” (2013), “Sangue Azul” (2015) e “Carro Rei” (2021). Nessas produções, colaborou em diferentes etapas do desenvolvimento audiovisual.
Série “África da Sorte” e narrativa política

Em 2018, assinou a direção e o roteiro, ao lado de Renata Pinheiro, da série “África da Sorte”. A produção se passa em um país fictício africano chamado Aruanda. A trama acompanha Mohana da Costa, jovem publicitária brasileira contratada para trabalhar na campanha de uma loteria estatal.
Ao longo dos episódios, a narrativa aborda corrupção, exploração e manipulação midiática. A protagonista se envolve em conflitos políticos e passa a ser perseguida após tentar expor irregularidades. A série articula elementos de ficção política com drama pessoal.
Nos diferentes episódios, Oliveira manteve foco em questões sociais e estruturais. O enredo trata de poder econômico, relações de dominação e deslocamento cultural. A produção amplia o diálogo do diretor com temas contemporâneos.
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Legado no cinema pernambucano
Sérgio Oliveira integrou a geração que ajudou a consolidar o cinema pernambucano nas últimas décadas. Trabalhou em parceria com realizadores da região e participou de projetos coletivos. Sua atuação incluiu direção, roteiro, produção executiva e desenvolvimento de séries.
Em nota, o Cinema da Fundação lamentou a morte do cineasta e destacou sua contribuição ao audiovisual. A instituição relembrou títulos como “Faço de Mim o que Quero e Estradeiros”. Também informou que parte da filmografia do diretor integra seu acervo.
A morte de Sérgio encerra uma trajetória marcada por obras voltadas à cultura popular, à música e às transformações sociais. Seus filmes permanecem como registro de diferentes contextos urbanos e periféricos do Brasil.
Imagem de capa: Reprodução
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