Produções pouco lembradas pelo grande público seguem disponíveis nas plataformas digitais e ajudam a revisitar diferentes fases do cinema de horror nesta sexta-feira 13

Em meio a catálogos cada vez mais extensos, encontrar filmes de terror escondidos nos streamings tornou-se quase um garimpo. As plataformas priorizam lançamentos e produções em alta. No entanto, títulos que marcaram época, ou que passaram despercebidos no circuito comercial, continuam disponíveis, à espera de novos olhares. Por isso, revisitar essas obras é também revisitar momentos específicos do cinema de horror, quando sustos eram construídos com silêncio, sombra e sugestão.

Além disso, muitos desses filmes de terror disponíveis no streaming ajudam a compreender a evolução do gênero. Alguns dialogam com o medo psicológico. Outros apostam em criaturas, casas isoladas ou ameaças invisíveis. Em comum, está a atmosfera. São produções que não dependiam de grandes efeitos digitais, mas sim de ritmo e tensão crescente. Dessa forma, resgatá-las é também recuperar uma experiência mais pausada, característica de outras décadas do cinema.

E há um simbolismo extra nesta publicação. Hoje, sexta-feira 13, é a data que se consolidou como referência cultural para os fãs de horror. Assim, a seleção ganha um tom ainda mais sugestivo. Entre superstições e memórias cinéfilas, a lista convida o leitor a transformar a noite em uma maratona temática. Afinal, poucas datas combinam tanto com descobrir, ou redescobrir, filmes de terror escondidos nos streamings.

Marcas da Maldição – Netflix

"Marcas da Maldição"
Hsuan-yen Tsai em Marcas da Maldição | Crédito: Reprodução/IMDB

Em “Marcas da Maldição“, filme de terror disponível na Netflix, a narrativa começa com um aviso direto ao espectador. Desde o início, a protagonista Li Ronan (Hsuan-yen Tsai) relata que, seis anos antes, decidiu registrar um suposto ritual religioso para um projeto online.

Ao lado do namorado Dom (Sean Lin) e do primo Yuan (Ching-Yu Wen), ela invade um culto familiar realizado a cada duas décadas. A princípio, a intenção era desmistificar superstições e gerar conteúdo. No entanto, ao quebrar um tabu, o grupo desperta uma entidade ligada ao folclore local. A partir daí, Ronan passa a ser perseguida por fenômenos sobrenaturais. Além disso, sua filha Dodo se torna alvo da maldição. Assim, o filme constrói tensão ao alternar passado e presente, enquanto a mãe tenta conter as consequências do ato cometido.

Dirigido por Kevin Ko e roteirizado em parceria com Chang Che-wei, o longa taiwanês adota o formato found-footage, recurso conhecido em títulos como “Atividade Paranormal” e “A Bruxa de Blair“. Dessa forma, a câmera subjetiva amplia a sensação de realismo.

Corra querida, Corra – Prime Video

Filmes para Sexta-feira 13 - "Corra querida, Corra"
Ella Balinska em “Corra querida, Corra” | Crédito: Reprodução/IMDB

Em “Corra, Querida, Corra“, filme disponível no Prime Video, um encontro às cegas se transforma em pesadelo. Cherie, interpretada por Ella Balinska, é uma mãe solo que aceita um jantar de trabalho. No entanto, ao fim da noite, o pretendente Ethan, vivido por Pilou Asbæk, revela um comportamento violento.

A partir desse momento, ele promete persegui-la até o amanhecer. Assim, o que parecia apenas um encontro constrangedor se converte em uma caçada brutal pelas ruas de Los Angeles. Enquanto tenta sobreviver, Cherie percorre bairros nobres, áreas centrais e subúrbios. Dessa forma, o filme constrói um horror urbano intenso e direto.

Diferentemente de outros títulos de baixo orçamento, o longa aposta em estilo e criatividade. Em vez de grandes efeitos visuais, a diretora prioriza enquadramentos fechados e reações das personagens. Ao mesmo tempo, insere elementos sobrenaturais que ampliam o suspense. Por consequência, o filme combina terror psicológico e tensão física, culminando em uma virada narrativa que reforça sua atmosfera imprevisível.

Conferência Mortal – Netflix

Filmes para Sexta-feira 13 - "Conferência Mortal"
Adam Lundgren no filme | Crédito: Netflix/Divulgação

Em “Conferência Mortal“, filme de terror disponível na Netflix, um encontro corporativo se transforma em um jogo de sobrevivência. A princípio, a proposta é simples: promover integração e fortalecer laços entre colegas de trabalho. No entanto, à medida que acusações de corrupção começam a circular, o clima se torna hostil. Além disso, conflitos internos passam a expor rivalidades antigas. Nesse contexto de tensão crescente, uma figura misteriosa surge. Em seguida, os participantes passam a ser perseguidos e mortos. Assim, o evento corporativo evolui para um cenário típico de slasher.

Ao combinar crítica ao ambiente empresarial com violência estilizada, “Conferência Mortal” aposta em ritmo ágil e atmosfera claustrofóbica. Por um lado, o roteiro explora disputas de poder e interesses ocultos. Por outro, utiliza o isolamento do grupo para intensificar o suspense. Dessa forma, o filme constrói uma narrativa que alterna investigação e perseguição. Consequentemente, cada revelação amplia a desconfiança entre os personagens.

O Homem Nas Trevas – HBO

Franciska Töröcsik em "O Homem nas Trevas"
Um bom filme para assistir na sexta-feira 13 | Crédito: Reprodução/IMDB

Lançado em 2016 e agora disponível na HBO Max, “O Homem nas Trevas” consolidou Fede Álvarez como um dos principais nomes do terror contemporâneo. Antes disso, o diretor uruguaio já havia chamado atenção com curtas como “Ataque de Pânico!” e com o remake “A Morte do Demônio” (2013).

No entanto, foi com essa história original que ele se firmou em Hollywood. Em vez de recorrer ao sobrenatural, Álvarez apostou em tensão pura. Assim, construiu um thriller claustrofóbico centrado na invasão da casa de um homem cego, veterano da Guerra do Golfo. A proposta simples, portanto, sustenta um dos filmes de suspense mais comentados da década.

Na trama de “O Homem nas Trevas“, três jovens invadem residências em Detroit e escolhem como alvo um senhor aparentemente indefeso, vivido por Stephen Lang. A princípio, o plano parece fácil. Contudo, o morador, mesmo sem enxergar, possui sentidos extremamente apurados. Além disso, conhece cada detalhe da própria casa. Quando corta a energia e transforma o ambiente em escuridão total, o jogo se inverte.

A Casa do Medo: Incidente em Ghostland – Prime Video

Anastasia Phillips em "A Casa do Medo"
Anastasia Phillips em “A Casa do Medo” | Crédito: Reprodução/IMDB

Em “A Casa do Medo – Incidente em Ghostland“, dirigido por Pascal Laugier, a violência volta ao centro do debate no cinema de terror. No entanto, diferentemente de obras que utilizam a brutalidade para discutir trauma e moralidade, o filme opta por uma abordagem mais superficial.

A trama acompanha duas irmãs, Beth (Emilia Jones) e Vera (Taylor Hickson), que viajam com a mãe para a casa da tia. Desde o início, o conflito familiar é apresentado de forma apressada. Em seguida, a residência é invadida por dois estranhos. A partir daí, o longa mergulha em cenas de agressão explícita.

Posteriormente, a história avança para a fase adulta de Beth, agora uma escritora de sucesso. Ainda assim, o trauma da invasão continua presente. A alternância entre terror psicológico e suspense físico gera inconsistência de tom.

A Meia-Irmã Feia – Mubi

A Meia-Irmã Feia
Um filme perturbador | Crédito: Lukasz Bak/Divulgação

Em “A Meia-Irmã Feia“, a diretora e roteirista Emilie Blichfeldt apresenta uma releitura sombria do conto clássico da Cinderela. No entanto, desta vez, a narrativa abandona o ponto de vista da princesa. Em vez disso, acompanha Elvira, interpretada por Lea Myren, uma das chamadas “irmãs feias”.

Ambientado em um reino onde a beleza define status e poder, o filme constrói um cenário de competição constante. Desde o início, Elvira demonstra incômodo com a própria aparência. Além disso, passa a se comparar com a meia-irmã Agnes, vivida por Thea Sofie Loch Næss. Assim, o desejo de conquistar o príncipe Julian (Isac Calmroth), transforma-se em obsessão.

À medida que a disputa avança, Elvira adota medidas extremas para se aproximar do ideal de perfeição. Portanto, o longa combina elementos de horror corporal com crítica social. Em vez de romantizar o baile real, a história expõe os custos físicos e psicológicos da busca por aceitação. Sangue, tensão e rivalidade marcam a trajetória da protagonista até o evento central: a escolha da Rainha do Baile. Dessa forma, “A Meia-Irmã Feia” utiliza o universo dos contos de fadas para discutir padrões estéticos e ambição, sob uma ótica mais sombria e violenta.

O Mal que Nos Habita – Netflix

Filmes para Sexta-feira 13 - "O Mal que Nos Habita"
Demián Salomón em “O Mal que Nos Habita” | Crédito: Shuder/Divulgação

O Mal Que Nos Habita“, dirigido por Demián Rugna, é um filme argentino de terror ambientado no interior do país. A trama começa quando dois irmãos encontram um cadáver mutilado próximo à propriedade da família. Em seguida, ao investigarem o ocorrido, descobrem um homem deformado e inchado, supostamente possuído, prestes a dar à luz a uma entidade demoníaca.

A partir desse ponto, o longa estabelece regras claras para conter o mal. Entre elas, evitar luz elétrica e não utilizar armas de fogo contra os infectados. Assim, o diretor constrói uma atmosfera rural marcada por superstição, isolamento e colapso da fé religiosa.

No entanto, conforme a narrativa avança, os próprios personagens passam a ignorar as normas estabelecidas. Dessa forma, decisões contraditórias impulsionam novos ataques e ampliam o caos. Ao mesmo tempo, Rugna mantém controle técnico nas cenas de maior impacto visual. Sequências gráficas reforçam o horror físico e o sentimento de desespero.

A Morte do Demônio – HBO

Filmes para Sexta-feira 13 - "A Morte do Demônio"
Jane Levy em “A Morte do Demônio” | Crédito: Reprodução/IMDB

A Morte do Demônio” é o remake do clássico “The Evil Dead” (1981), dirigido originalmente por Sam Raimi. Nesta nova versão, a história acompanha Mia, interpretada por Jane Levy, uma jovem em processo de desintoxicação. Para isso, ela é levada pelos amigos a uma cabana isolada na floresta. Além disso, o irmão David (Shiloh Fernandez), também comparece ao local, acompanhado da namorada Natalie.

No entanto, ao explorarem o porão da casa, o grupo encontra um altar improvisado com animais mortos e um livro antigo selado. Quando Eric decide ler o conteúdo em voz alta, desencadeia uma série de eventos sobrenaturais. A partir desse momento, Mia passa a apresentar comportamentos considerados, inicialmente, sintomas de abstinência.

Contudo, gradualmente, os personagens percebem que se trata de uma possessão demoníaca. Assim, o filme abandona a dúvida psicológica e assume o terror explícito. Dirigido por Fede Álvarez, o longa aposta em violência gráfica e atmosfera claustrofóbica. Diferentemente do original de 1981, que combinava horror e humor, o remake prioriza um tom mais sombrio.

A Entidade – Prime Video

Bastidores de filmes de terror - A Entidade
O filme foi eleito como o filme de terror mais assustador de todos os tempos | Foto: Summit Entertainment/Divulgação

A Entidade” é um filme de terror dirigido por Scott Derrickson e estrelado por Ethan Hawke. A trama acompanha Ellison, escritor de romances policiais que se muda com a família para uma casa isolada em busca de inspiração para um novo livro. No entanto, ao explorar o sótão da residência, ele encontra rolos de filmes caseiros com registros de assassinatos.

A partir desse momento, decide investigar o material por conta própria. Gradualmente, descobre a existência de uma entidade chamada Bughuul, associada às mortes registradas nas filmagens. Assim, a curiosidade profissional passa a colocar sua família em risco.

Ao longo da narrativa, o filme constrói tensão por meio de ambientação sombria e uso recorrente de imagens em Super 8. Além disso, a direção prioriza o suspense em vez de explicações imediatas. Dessa forma, os sustos surgem de maneira pontual e sustentam a atmosfera de ameaça constante. Embora não seja baseado em fatos reais, A Entidade tornou-se referência no terror sobrenatural da década de 2010.

Boa noite, Mamãe! – Prime Video

Susanne Wuest em "Boa Noite, Mamãe"
Susanne Wuest | Crédito: Reprodução/IMDB

Boa Noite, Mamãe” é um filme de terror austríaco lançado em 2014 e exibido no 71º Festival Internacional de Cinema de Veneza. Na ocasião, recebeu o prêmio Critics’ Choice Award. A trama acompanha os gêmeos Elias e Lukas, que vivem em uma casa isolada próxima a um lago e a um milharal.

Durante o verão, eles aguardam o retorno da mãe, que passou por uma cirurgia plástica facial. No entanto, ao chegar com o rosto coberto por bandagens e apresentar comportamento distante, a mulher desperta desconfiança. Gradualmente, os filhos passam a questionar se aquela figura é, de fato, sua mãe. Assim, o filme constrói tensão a partir da dúvida e do isolamento.

Anos depois, a produção ganhou um remake estrelado por Naomi Watts e pelos gêmeos Nicholas e Cameron Crovetti, lançado no Prime Video. Dirigida por Mike Sobel, a nova versão reduz o nível de violência gráfica e amplia a ambiguidade narrativa. Além disso, propõe alterações pontuais no desenvolvimento da história, especialmente para surpreender quem já conhece o original.

Ainda assim, a essência permanece centrada no terror psicológico e na instabilidade das relações familiares. Comparado por parte do público a “Jogos Perigosos“, de Michael Haneke, o longa mantém foco na tensão doméstica e na percepção subjetiva dos personagens.

Imagem de capa: Reprodução/IMDB