A editora Hachette não lançará o romance de terror nos Estados Unidos e irá suspender sua edição no Reino Unido

A Hachette Book Group, uma das maiores editoras dos Estados Unidos, retirou de circulação o romance de terror “Shy Girl”. A decisão se deu em razão da suspeita do uso indevido de inteligência artificial para escrever o livro. A autora, Mia Ballard, nega as acusações. O livro tinha previsão de lançamento nos Estados Unidos no próximo mês, mas a editora Hachette anunciou o cancelamento da publicação. Além disso, a versão britânica, lançada em novembro, também será descontinuada.

O The New York Times teria entrado em contato com a Hachette citando evidências de que o romance parecia ter sido gerado por IA. No dia seguinte, na quinta-feira, a editora anunciou que retiraria o livro de circulação. Na tarde daquele mesmo dia, o romance já havia sido removido da Amazon e do site da Hachette. 

“A Hachette mantém o compromisso de proteger a expressão criativa original e a narrativa”, afirmou uma porta-voz da editora ao The New York Times. Ela ainda acrescentou que a organização exige aos autores que todos os trabalhos enviados sejam originais. Outra determinação previamente combinada é que eles informem à empresa caso utilizem inteligência artificial durante o processo de escrita. 

Ballard negou ter usado inteligência artificial para escrever o livro, e alegou que uma pessoa que ela contratou para editar a versão autopublicada do romance havia usado IA. “Essa controvérsia mudou minha vida de muitas maneiras, minha saúde mental está no pior nível possível e meu nome está arruinado por algo que eu nem sequer fiz pessoalmente”, contou ao The New York Times. No entanto, a autora não deu detalhes sobre como o livro havia sido editado com IA pois, segundo ela, estaria tomando medidas legais. 

Caso acende um alerta sobre o uso de IA no mercado editorial 

O avanço das inteligências artificiais afeta diversos setores da indústria criativa. O cancelamento do romance de Ballard revela os desafios que o mercado editorial enfrenta à medida que a adoção da IA se torna cada vez mais comum. As editoras têm mantido uma posição firme contra textos e imagens gerados por inteligência artificial. Elas exigem que os autores comprovem a originalidade de suas obras em seus contratos de publicação. No entanto, ainda assim, poucas possuem políticas ou medidas claras para impedir que os usuários escrevam com IA. 

Tanto leitores, quanto escritos continuam a se opor ao uso dessa tecnologia para escrita, e o consideram como trapaça ou uma forma de roubo. Neste mês, a Society of Authors (SoA), o principal sindicato de escritores do Reino Unido, anunciou o lançamento do selo Human Authored (Autoria Humana), criado para identificar obras escritas originalmente por humanos.

O programa é o primeiro do gênero lançado por uma associação comercial do país e surge em resposta ao avanço de obras criadas por inteligência artificial. “A medida surge na ausência de qualquer ação governamental para obrigar as empresas de tecnologia a rotular os resultados gerados por IA”, afirma a organização. “Isso tem dificultado a distinção entre livros escritos por humanos e obras geradas por máquinas com base em modelos de IA treinados em obras protegidas por direitos autorais sem permissão ou pagamento.” A Society of Authors tem trabalhado com a Authors Guild para replicar o esquema “Human Authored” (Autoria Humana) lançado no início de 2025 nos Estados Unidos.

Shy Girl | Um romance de terror e vingança

A narrativa acompanha Gia, uma jovem solitária, sem dinheiro e deprimida. Quando Nathan, um estranho rico, a aborda com uma proposta muito específica em um site de encontros com sugar daddies, a jovem, em um ato desesperado, não consegue recusar. 

As instruções são de que, oito horas por dia, Gia deve usar uma coleira, beber da tigela e dormir em uma gaiola. Após o período, ela pode ir para casa. Conforme os termos do acordo, se algum dia se sentir desconfortável ou insegura, a jovem sempre poderá ir embora. Mas Gia logo descobre que Nathan não é um homem que cumpre suas promessas.

Imagem de capa: Amazon