Romance de estreia se inspira em auditorias reais para retratar a expropriação de comunidades de Goiás
Livro de estreia do mineiro Lincoln de Barros, “Terras Submersas” (Mondru Editora), retrata injustiças sociais no processo de expropriação de comunidades em nome de grandes obras públicas. Assim, o romance mistura ficção e relatos reais, construindo uma narrativa que expõe os danos que acompanham a expansão capitalista atrelada às usinas hidrelétricas.
Ainda mais, a obra conta com ambientação na região da Usina Hidrelétrica de Cana Brava, entre os municípios de Minaçu e Cavalcante (GO). Por isso, a narrativa escancara a negligência com que moradores e trabalhadores das áreas alagadas foram tratados durante o processo, ressaltando seu ponto de vista.
A obra nasce diretamente da trajetória profissional do autor. Lincoln foi auditor em um processo envolvendo a usina citada, exercendo função semelhante à de seus personagens centrais. Dessa forma, sua escrita se desenvolveu a partir da documentação que havia guardado, como registros de depoimentos, fotos e arquivos. E também, o livro contou com pesquisa posterior sobre os acontecimentos.
Mais sobre o livro
Dividido em nove capítulos, “Terras Submersas” tem início com a ocupação da sede de um banco, na capital federal, pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Assim, o protesto resulta na realização da Auditoria, o que conduz os consultores a uma viagem até Goiás para apurar as denúncias do movimento.
Durante o processo, eles se deparam com a dimensão concreta da tragédia e com o descaso de empresas e órgãos oficiais. Assim, o livro comenta sobre os impactos sociais e emocionais que a construção da usina provocou nessas comunidades, a partir do descaso dessas instituições.
Os capítulos mais arrebatadores são aqueles que dão voz direta às vítimas: homens e mulheres que perderam suas casas, suas terras e seus meios de subsistência. Com linguagem sensível e precisa, Lincoln descreve o estado emocional dessas pessoas, que transitam entre a esperança e a falta dela.
Conheça a trajetória do autor
Lincoln de Barros nasceu e vive em Belo Horizonte (MG) e, aos 78 anos, estreia na ficção após uma trajetória profissional singular. Com formação em Filosofia, especialidade em Análise de Sistemas e mestre em Administração, Lincon foi de balconista de farmácia a escritor de romance.
Paralelamente à carreira corporativa, Lincoln atuou como consultor em projetos socioeconômicos, trabalhando por vários anos em projetos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Entre estes, participou da equipe de Auditoria Social do Plano de Reassentamento da Usina Hidrelétrica de Cana Brava, experiência que deu origem a “Terras Submersas”.
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A oportunidade da escrita literária surgiu apenas em 2020. Até então, seus escritos se limitavam a produções técnico-políticas e publicações em revistas especializadas da administração pública. Durante a pandemia, com o isolamento social, mergulhou definitivamente na escrita literária.
Você pode adiquirir “Terras Submersas” aqui.
Imagem de capa: Montagem por Eduarda Goulart/Divulgação
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