É provável que você já tenha ouvido o termo ghostwriter, mas você sabe exatamente o que ele significa? A palavra vem do inglês e pode ser traduzida literalmente como “escritor fantasma”. Na prática, ela se refere ao profissional responsável por escrever livros, artigos, discursos ou outros conteúdos que serão publicados com o nome de outra pessoa.

Esse tipo de trabalho é mais comum do que parece e está presente em diversas áreas do mercado editorial e da produção de conteúdo. Políticos, celebridades, empresários e especialistas frequentemente recorrem a ghostwriters para transformar suas ideias, histórias ou conhecimentos em textos bem estruturados e prontos para publicação.

Como funciona o trabalho de um ghostwriter

No meio editorial, o processo costuma acontecer da seguinte forma: um autor, celebridade ou até mesmo uma editora contrata um escritor profissional para desenvolver um projeto literário. Esse profissional pode ser responsável por escrever o texto do zero, reorganizar ideias ou dar continuidade a um projeto já iniciado. Mesmo sendo responsável pela escrita, o ghostwriter normalmente não recebe crédito público pela obra. O livro ou conteúdo é publicado sob o nome do cliente, que assume oficialmente a autoria do trabalho. Em muitos casos, o nome do profissional sequer aparece nos agradecimentos.

O trabalho de ghostwriting pode envolver diversas etapas além da escrita em si. Entre as atividades mais comuns estão entrevistas com o cliente para compreender sua história, visão ou conhecimento, organização das ideias e definição do tom de voz do texto, construção da estrutura da obra ou do conteúdo, redação do material completo, revisões e ajustes de acordo com o feedback do cliente e acompanhamento do processo editorial ou de publicação

Como muitas dessas produções são confidenciais, também é comum que o profissional assine acordos de confidencialidade, conhecidos como NDA (non-disclosure agreement). Esses contratos impedem que o escritor revele publicamente sua participação no projeto.

Ghostwriters famosos

Foto de John F. Kennedy  e sua obra "Profiles in Courage"
Crédito: Reprodução

Embora o trabalho aconteça muitas vezes nos bastidores, alguns casos de ghostwriting se tornaram conhecidos ao longo do tempo. A prática é especialmente comum em biografias, autobiografias e livros de celebridades. Um exemplo bastante citado é o do ex-presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy, cujo livro “Profiles in Courage” contou com forte colaboração de Ted Sorensen. Sorensen era assessor político e participou diretamente da construção do texto.

Celebridades contemporâneas também recorrem a esse tipo de serviço. Livros de personalidades como Paris Hilton e Prince Harry contaram com equipes de escritores ou colaboradores profissionais responsáveis por organizar a narrativa e transformar memórias e experiências em uma obra coesa.

No campo da literatura, o escritor H. P. Lovecraft também atuou como ghostwriter e revisor para outros autores. Ele chegou a reescrever textos inteiros ou colaborar profundamente em algumas histórias. Entre os exemplos frequentemente citados estão os contos The Mound e The Curse of Yig, creditados a Zelia Bishop, e The Horror in the Museum, atribuído a Hazel Heald.

Outro nome frequentemente associado ao uso de colaboradores é o do autor James Patterson, um dos escritores mais vendidos do mundo. Patterson costuma desenvolver a ideia central da história e criar um outline detalhado do enredo. Em seguida, um ghostwriter escreve o manuscrito completo, que depois passa por revisões e ajustes feitos pelo próprio Patterson antes da publicação.

Onde o ghostwriting é utilizado

Embora seja muito associado a livros, o trabalho de ghostwriter não se limita ao mercado editorial. Esse tipo de serviço aparece em diferentes formatos de conteúdo. Entre os trabalhos mais comuns estão: autobiografias e biografias de celebridades, livros de negócios ou desenvolvimento pessoal escritos por especialistas, discursos para executivos ou políticos, artigos assinados por especialistas em jornais e revistas, conteúdos para blogs ou redes sociais de líderes e influenciadores, roteiros para podcasts, vídeos ou palestras.

No mercado digital, por exemplo, muitos profissionais produzem artigos, ebooks e publicações para executivos que desejam fortalecer sua presença online, especialmente em plataformas como LinkedIn.

Como se tornar um ghostwriter

Para trabalhar como ghostwriter, é fundamental ter experiência com escrita e capacidade de adaptar o estilo de texto ao perfil do cliente. Como cada projeto pode exigir um tom diferente, mais técnico, mais pessoal ou mais narrativo, a versatilidade costuma ser uma das principais habilidades desse profissional.

Outro ponto importante é a construção de um portfólio sólido. Mesmo quando o escritor não pode divulgar trabalhos confidenciais, é possível apresentar textos próprios que demonstrem domínio da escrita. Artigos, capítulos de ebooks, roteiros ou posts de blog podem servir como exemplo da qualidade do trabalho. Para quem está começando, projetos pessoais podem ser uma boa estratégia. Produzir textos sobre temas variados ajuda a demonstrar capacidade de pesquisa, organização de ideias e clareza na escrita.

Além disso, muitos ghostwriters iniciam a carreira por meio de plataformas de trabalho freelancer. Sites como Upwork, Fiverr, Reedsy e Workana concentram pedidos de clientes que procuram profissionais para escrever artigos e até livros completos. Essas plataformas permitem que o escritor construa reputação, reúna avaliações positivas e amplie sua carteira de clientes ao longo do tempo.

Outro fator essencial para conseguir trabalhos como ghostwriter é o networking. Como muitos projetos envolvem confidencialidade, boa parte das oportunidades surge por indicação. Manter presença em redes profissionais, como o LinkedIn, participar de comunidades de escritores e estabelecer contato com editores, agências de conteúdo ou profissionais do mercado editorial pode abrir portas para novos projetos.

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