Na manhã desta quinta-feira, a Academia Sueca anunciou a autora canadense Anne Carson como vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2026. De acordo com a Academia, o prêmio se deu “por sua obra ousada e inventiva que, em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”.

Aos 76 anos, Carson é poeta, ensaísta, tradutora e professora, com especialização em grego antigo e literatura greco-romana. Atualmente, a autora permanece ativa na literatura e tem um novo livro anunciado: “Highlights of Colonialism”.

Além do prêmio, Anne Carson já havia sido contemplada com a MacArthur Fellowship, dois Griffin Poetry Prizes, o T. S. Eliot Prize, Guggenheim Fellowship e o Prêmio Princesa das Astúrias de Literatura. Em 2005, recebeu ainda o título de Membro da Ordem do Canadá.

Um estilo único

Anne Carson ganhou destaque pela sua forma pouco convencional de combinar elementos clássicos e contemporâneos. A autora revive elementos da literatura grega, como mitos, textos clássicos e personagens, fazendo assim um contraponto com questionamentos da vida moderna.

Nesse sentido, os personagens precisam enfrentar luto, amor, desejo, perda e diversos elementos das relações humanas. Seu primeiro livro foi “Eros, o Doce-Amargo”, obra que retrata o conceito de desejo na literatura grega antiga. Em 1998, o romance “Autobiography of Red” trouxe versos que apresentam o mito de Gerião e Héracles por um viés de amadurecimento e amor.

As obras mais famosas

O título mais conhecido de Carson é “Autobiografia do Vermelho: um romance em versos”. Nela, a autora usa o mito de Gerião, um monstro vermelho e com asas, para assim criar uma narrativa contemporânea sobre amor, amadurecimento e descoberta da própria identidade.

Já em “A Beleza do Marido: um ensaio ficcional em 29 tangos“, Carson então combina referências literárias e históricas com um relacionamento que está chegando ao fim. A obra foi vencedora do T. S. Eliot Prize. Outros títulos importantes incluem “Men in the Off Hours”, “Nox” e “Red Doc”.

Foi apenas em 2017 que a autora começou a ganhar destaque no Brasil, com a tradução para o português de “O Método Albertine”. A obra abriu o caminho para que outros livros da autora ganhassem o público brasileiro.

Imagem de capa: Reprodução Jay Dixit