O Grupo Editorial Global lança a 3ª edição de “A Face Oculta de Eva” da escritora, psiquiatra e ativista Nawal el Saadawi (1931-2021). Publicado pela primeira vez em 1977, o livro é um estudo profundo e visceral sobre a condição da mulher nas sociedades árabes. A obra quebra o mito de que o feminismo é uma “invenção ocidental”. Assim, a autora busca desmistificar esse estereótipo, mostrando que as mulheres árabes sempre tiveram uma trajetória própria de luta e resistência. 

A autora expõe a luta diária de mulheres que diariamente precisam arcar com os desafios do mundo patriarcal. São relatos de experiências de mulheres fortemente sob o controle do sistema, que buscaram sobreviver e conquistar seus direitos, principalmente no recente avanço do movimento feminista no Oriente Médio. Assim, com base  religiosa, política e outras fontes, a autora intercala estudo e relatos pessoais. A obra se tornou um marco do movimento feminista, uma vez que dá  rosto e voz para mulheres árabes que pensam, lutam e falam o que pensam.

Onde o feminismo egípcio e o brasileiro se encontram

“A Face Oculta de Eva” é uma excelente oportunidade para as leitoras brasileiras refletirem sobre a condição das mulheres atualmente. Apesar de ser um país com índices de feminicídio que figuram entre os maiores do mundo, e casos diários de violência e desigualdade, a realidade da mulher brasileira e árabe é muito diferente. O que une as experiências é a influência do patriarcado na estrutura social. Assim, mesmo que mulheres brasileiras e árabes vivam essa realidade de forma diferente, há tópicos em comum.

Sobre a autora

Nawal el Saadawi foi uma médica psiquiatra, ativista e escritora, reconhecida internacionalmente por sua luta pelos direitos das mulheres no Egito e no exterior. Nasceu em 1931, em uma aldeia no norte do Cairo. Em 1955, formou-se em Medicina na Universidade do Cairo, onde especializou-se em psiquiatria. Toda sua vida foi marcada por perseguições políticas, devido ao seu posicionamento político e críticas à sociedade árabe. 

Seu ativismo levou a sua demissão da Secretaria de Saúde Pública em 1972. Já em 1981, foi presa por supostos crimes contra o estado. Sua produção literária inclui livros de ficção e não ficção. Publicou mais de 40 obras, que ganharam tradução e publicação em dezenas de países. Morreu no Cairo, em 2021, aos 89 anos.

Créditos: Global | Buala