“Assim na terra como embaixo da terra” revela os temores e impotência de presos fictícios
O livro “Assim na terra como embaixo da terra”, de Ana Paula Maia, é finalista do Booker Prize 2026, uma das premiações literárias mais importantes do mundo. A obra, que concorre com uma tradução para o inglês, é uma ficção que conversa com as dificuldades sociais da atualidade, uma vez que os personagens são presos em uma instituição que já foi terreno de tortura e assassinato de escravos.
Agora, liderados por uma mente fria e cruel, veem-se na impotência rumo aos seus destinos. O agente superior Melquíades, autoridade cruel em questão, faz um jogo sinistro com os presos. Toda lua cheia, ele solta alguns dos condenados e os persegue com um rifle.
Além disso, a detenção que, originalmente, fora moldada para que nenhum preso conseguisse fugir, agora cumpre uma função mais sombria: um campo de extermínio. Sem futuro. Sem reinserção na vida lá fora. Eles só pensam se um dia conseguirão sair dali e se estarão vivos.
Desse modo, a obra é uma excelente forma de refletir sobre o cenário carcerário atual, em que os presos lidam com a superlotação, falta de recursos à saúde básica e insegurança pelos arranjos sociais entre guardas, autoridades e outros presos.
Confira um trecho da sinopse:
“Nos últimos dias de funcionamento, o clima no local, que conta então com poucos apenados, é de aparente calma. No entanto, pouco a pouco os horrores vividos ali vão sendo revelados. O agente superior Melquíades é a maior autoridade por trás daqueles muros, e também o algoz dos presos. Nas noites de lua cheia, o chefe libera alguns condenados da tornozeleira e ordena que corram. Ele, então, inicia um sinistro jogo, caçando os homens com seu rifle como se fossem animais selvagens, apenas por satisfação pessoal. Os presos, cada qual com sua história, estão sempre planejando a própria fuga, sem saber se vão acabar mortos pelos guardas ou pelo que os espera do lado de fora da Colônia.”
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Sobre a autora
Ana Paula Maia é escritora e roteirista. Uma das maiores autoras brasileiras contemporâneas, seus livros já ganharam traduções em vários idiomas. Ela também é autora de “Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos” (2009), “Carvão animal” (2011), “De gados e homens” (2013) e “Enterre seus mortos” (2018).
Imagem de capa: Editora Record
Estagiária sob supervisão Anna Flávia Lopes
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