‘A Sapatona Galáctica’ aposta em humor ácido e ficção científica para narrar uma jornada queer sobre amor próprio e amadurecimento.
A Sapatona Galáctica da dupla Emma Hough Hobbs e Leela Varghese é uma animação que aborda uma aventura queer intergaláctica. A produção australiana, que foi sucesso no Festival do Rio de 2025, chega aos cinemas brasileiros em 12 de fevereiro com distribuição da Synapse Distribution.
A trama mistura ficção científica, romance e humor ácido para contar a história de Saira, uma princesa espacial lésbica e introvertida. Ainda apaixonada pela ex-namorada Kiki, uma destemida caçadora de recompensas, ela decide enfrentar os próprios medos para salvá-la. Para isso, recruta uma popstar não-binária e parte em uma nave espacial repleta de falhas e imprevistos. No entanto, a missão de resgate ganha novos contornos e se transforma em uma jornada intergaláctica atravessada por conflitos, afeto e descobertas pessoais.
O roteiro, também assinado por Emma e Leela, é um deleite. Isso porque muitas das situações descritas são muito familiares ao universo feminino. A jornada de autoconhecimento, a pressão familiar, a sombra do machismo… está tudo lá, mesmo que de forma lúdica. ‘A Sapatona Galáctica’ nos ensina uma lição sobre amor próprio através da história de Saira que enfrenta um momento de fragilidade emocional, onde passa a desacreditar de si mesma.
Uma aventura queer afiada e divertida

Com um roteiro afiado, a animação aposta em um visual vibrante e criativo para construir seu universo. Além disso, as cores intensas, os cenários futuristas e o design excêntrico dos personagens reforçam o tom irreverente da narrativa. Ao mesmo tempo, a trilha sonora acompanha esse ritmo energético e equilibra os momentos de ação com as passagens mais intimistas, conferindo densidade emocional à jornada de Saira.
Chama atenção a dedicação e a criatividade empenhada com as músicas que acompanham a produção, em alguns momentos as cenas são completamente embaladas e dependentes da trilha. Isso torna a narrativa ainda mais curiosa e divertida. Mesmo que esse não fosse exatamente um estilo de filme que eu buscaria de primeira, a experiência com certeza teve um ganho por conta das composições.
Outro ponto forte está na forma como o filme aborda a representatividade. Sem recorrer ao didatismo excessivo, a história posiciona personagens LGBTQIA+ no centro da aventura, com conflitos que vão além de sua orientação ou identidade de gênero. Dessa forma, o foco recai sobre escolhas, medos e contradições que movem qualquer protagonista bem construída. Assim, a obra amplia o repertório de narrativas queer na animação e reafirma a importância de ocupar todos os gêneros, inclusive a ficção científica.
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Vale a pena assistir ‘A Sapatona Galáctica’?
Sim, vale a pena. O longa é divertido, espirituoso e emocionalmente honesto. Mesmo ao abordar temas como insegurança, rejeição e pressão social, mantém leveza e senso de humor. É uma aventura espacial que fala, acima de tudo, sobre amadurecimento e coragem para se amar, mesmo quando o universo parece estar em colapso.
A Sapatona Galáctica estreia nos cinemas brasileiros em 12 de fevereiro.
A Sapatona Galáctica
Austrália, 2025, 86min
Direção: Leela Varghese e Emma Hough Hobb
Roteiro: Leela Varghese e Emma Hough Hobb
Elenco Principal: Shabana Azeez, Bernie Van Tiel, Gemma Chua-Tran, Kween Kong, Madeline Sami, Jordan Raskopolous e Richard Roxburgh.
Produção: Tom Phillips
Direção de Fotografia: Claire Bishop
Trilha Sonora: Michael Darren
Classificação: 16 anos
Distribuição: Synapse Distribution

Imagem de capa: Divulgação
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